Copa da Literatura Brasileira – Ausências

Thursday, January 6th, 2011

Por Fernando de F. L. Torres

Como já relatado aqui, a Copa de Literatura Brasileira voltou. Este ano participo como jurado e organizador ao lado de Lucas Murtinho e Lu Thomé.

Assim, que a notícia atingiu a internet, muitas ausências foram notadas. O jornalista e escritor (concorrente ao prêmio neste ano), em seu blog notou a ausência de “Pornopopéia” de Reinaldo Moraes e “Leite Derramado” de Chico Buarque. Outras pessoas notaram também a ausência de “Minha alma é irmã de Deus” de Raimundo Carrero (vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura) e do excelênte “a morte de paula d.” de Brisa Paim.

A resposta oficial da equipe de organizadores e da qual sou signatário foi:

Oi Sérgio!

Teu post sobre a Copa de Literatura carrega muito do espírito do próprio projeto: não buscamos a unanimidade literária, e sim o debate, as discussões e as diferentes opiniões sobre a produção ficcional brasileira contemporânea (e, claro, sobre a Copa também!).

Sobre a escolha dos livros: a comissão organizadora fez uma lista prévia com um grande número de possíveis concorrentes. Essa primeira lista foi submetida à votação de todo o grupo de jurados da edição 2010/2011. Daí saíram os dezesseis romances que vão participar da CLB 2010/2011. “Leite derramado” e “Pornopopeia” entraram na lista prévia mas não ficaram entre os dezesseis mais votados, e cada jurado tem uma explicação diferente para ter votado a favor ou contra esses livros.

Detalhe importante: esta é a primeira Copa em que a comissão se preocupou com o critério de diversidade de editoras. Quando vimos que uma editora estava com muitos livros da Copa, fizemos uma repescagem. A ideia é evitar uma “Copa de Literatura da Editora X”.

Claro, uma ou outra exclusão pode ter sido injusta – assim como o resultado de um ou outro jogo será injusto. Na nossa opinião, faz parte da graça da Copa.

Obrigado!

Equipe Copa de Literatura Brasileira (Lucas Murtinho, Fernando Torres e Lu Thomé)

Porém, gostaria de dissertar um pouco sobre tais ausências, não como organizador, mas como jurado e observador do processo.

Antes de mais nada, gostaria de ressaltar um fato curioso. Ninguém me apontou, até agora a ausência do romance “O Seminarista” de Rubem Fonseca ou “Gonzos e Parafusos” de Paula Parisot (sua apadrinhada). Assim, ficou de fora um figurão da literatura nacional e um dos grandes investimentos de marketing do ano passado, e parecem não fazer falta à ninguém.

A escolha dos livros é feita por seus próprios jurados, de acordo com os livros que querem colocar em discussão. Talvez por muito já ter sido dito dos de “Leite Derramado” e “Pornopopéia”, os jurados podem ter se desinteressado pela discussão.

Da minha parte, acho que para muitos Chico Buarque está acima do bem e do mal. Existe uma verdadeira religião fundamentalista à sua volta, o que torna qualquer discussão sobre seu romance inútil. Sinceramente para que discutir um romance (na minha opinião, muito fraco) que qualquer resultado dos jogos que ele participar será questionado por motivos não literários? Para que bater de frente com uma legião de fãs irracionais, que tem ao seu lado a derramada resenha de Roberto Schwarz? Infelizmente, a celebridade de Chico Buarque impede o debate literário de sua obra. Sinceramente? A Copa de Literatura Brasileira já tem polêmica demais sem o Chico. De certa forma, faço minha as palavras de Ivana Arruda Leite na época do Prêmio São Paulo de Literatura.

Quanto ao Pornopopéia, não sei se ele é a unanimidade que seus defensores pregam. Ao meu ver os jurados não pareceram animados em julgar o calhamaço de trocentas páginas na Copa. Talvez a geração do desbunde esteja saindo de moda, talvez eles tenham se tornado datados ou empoeirados, por mais irônico que isso pareça.

Quanto à Raimundo Carrero, parece um consenso  que o prêmio São Paulo foi dado a ele mais pelo conjunto da obra que pelo romance em si. Passou batido entre os jurados, que sequer discutiram sua inclusão.

Por fim, gostaria de ressaltar que Brisa Paim ficou de fora pelo motivo exatamente contrário de Chico Buarque. Simplesmente muitos dos jurados não a conheciam. A indicação ao prêmio São Paulo ajudou muito a divulgação de seu livro, mas infelizmente não foi o suficiente para os jurados brigarem por sua inclusão na Copa. Fui voto vencido nesta.

E-Reader, primeiras impressões

Tuesday, January 4th, 2011

Por Fernando de F. L. Torres,

Não costumo ser early user de tecnologias. Embora eu goste de gadgets, costumo esperar a terceira ou quarta geração de algum eletrônico antes de adotá-lo. A razão é simples, os usuários de primeira hora geralmente compram aparelhos que ficam obsoletos mais rapidamente e pagam caro por isso.

Muito embora os E-Readers com E-Paper sejam aparelhos com algum tempo de mercado lá fora, foi em 2010 que eles ganharam as prateleiras do mercado brasileiro. O primeiro foi o Cooler, comercializado pela Gato Sabido. Deixei passar a novidade. Achei por bem esperar, as livrarias e editoras ainda não haviam sem manifestado sobre um padrão, e lá fora o Kindle estava com tudo. (Ressalto a questão PAL-M/NSTC, como exemplo, ou mesmo a recente decisão do governo acerca do padrão HD.)

Assim que as principais livrarias e editoras resolveram adotar o padrão EPUB para os livros digitais (Livraria Cultura, Saraiva, Cia. das Letras etc) achei seguro comprar um aparelho, o escolhido foi o Positivo Alfa.

Antes de mais nada, a tecnologia E-Paper funciona. Uma vez que não há emissão de luz a leitura não cansa os olhos.  O aparelho é leve e anatômico. Acho importante ressaltar que neste ponto o E-Reader atinge seus objetivos iniciais, que é proporcionar a leitura de livros em versão digital de forma confortável.

Porém, para aqueles que gostam de anotar no livro, grifar e interagir, o Positivo Alfa ainda apresenta uma série de limitações. A escrita não é exatamente seu forte. Quem tiver esse hábito, talvez seja melhor escolher um aparelho com teclado, tal como o iRiver.

Outro detalhe importante é que o Wi-fi funciona muito bem. O que proporciona a possibilidade de ler notícias e feeds com facilidade.

Para quem está acostumado com Smatphones e Handhelds a sincronização parecerá estranha com o Software da Adobe. Mais que estranha, parecerá antiquada. O próprio Software da Adobe deixa a desejar quando comparado aos softwares dos smartphones e Handhelds (comparo por experiência com Blackberry, iPhone, Nokia e Palmone). O aparelho funciona bem com o software Calibre, mas ainda não testei a transferência de livros comparados na internet para o dispositivo via Calibre.

O primeiro livro que comprei foi “Solar” de Ian McEwan. Comprei via Livraria Cultura e não demorou muito para que eu recebesse o e-mail com o link do livro.  A variedade de livros ainda é pequena (a Cia. das Letras disponibilizou 12 títulos até o momento, por exemplo).

A leitura de PDF é um pouco mais complicada. Enquanto o texto do EPUB é adaptável à cada página conforme o tamanho da fonte, o texto em PDF continua a respeitar a paginação em que ele foi gravado, o que por vezes torna a fonte pequena.  A solução é ler com o E-reader  no formato paisagem, o que gasta um pouco mais de bateria, mas garante certo conforto.

A bateria parece ser legal, ainda não tive de recarregar e já li um livro praticamente inteiro.

Enfim. Nos próximos posts, deixarei de lado a tecnologia e voltarei a falar de literatura e artes.

Ciclos

Monday, January 3rd, 2011

Por Fernando de F. L. Torres,

Quando Zeus derrotou seu pai Chronos, este foi aprisionado. Porém Chronos foi preso pelo pé, podendo apenas andar em círculos, o que fez com que o tempo dos mortais fosse pautado assim, em ciclos. As quatro estações do anos, os três momentos da vida de um homem, a maré etc. a vida pautada em ciclos.

O ano é um ciclo arbitrário, uma aproximação mais ou menos precisa das estações do ano (embora para muitos ele represente um ciclo em volta do sol).

Acabado mais um ciclo e começando outro tenho que começar este com novidade.

1. Final do ano produzi 100 exemplares de um plaquete chamado “Fim da Tempestade” e estou distribuindo entre amigos e parentes. Gostei da brincadeira e este ano devo produzir outros títulos de plaquetes, com tiragens menores (entre 30 e 50 exemplares). Todos os exempleres dos meus plaquetes serão numerados.

2. Preparo um texto para a primeira edição da Revista Rinoceronte. O texto é inédito e provavelmente será o primeiro capítulo do livro que estou trabalhando. O texto não foi avaliado pelos editores da revista, mas caso não seja aprovado darei um jeito de publicar em outra revista.

3. Pretendo escrever um texto a cada dois meses para o Aguarrás, já tenho pelo menos três deles em rascunho. Um sobre Lima Barreto e outro sobre Ricardo Lísias, o terceiro ainda não posso divulgar.

4. A Copa de Literatura Brasileira vai começar dia 28 de Fevereiro. Prometo!

5. Na realidade a Copa de Literatura Brasileira já está pegando fogo nos bastidores.

6. Esse natal comprei um e-reader. Já li dois livros nele. Esse ano não compro mais papel, salvo em caso de necessidade. Mas eu não estou preparado para largar o papel, mas reservarei a ele apenas as edições ultra especiais.

7.  Tentarei dar notícias menos esparsas esse ano.

Já que você não está fazendo nada

Thursday, December 16th, 2010

Por Fernando de F. L. Torres,

Tenho quase certeza que você já enfrentou essa situação: acordou um sábado de manhã, ainda de pijama resolveu ler aquele livro que está na sua mesa de cabeceira, quando sua/seu (namorada/o, esposa/marido, noiva/noivo, mãe, pai, cachorro, gato, galinha) olha para você e diz “Já que você não está fazendo nada…” e te pede para realizar uma tarefa.

Para começo de conversa, a pessoa inicia o pedido com uma premissa errada, você está fazendo alguma coisa, você está lendo. Se você tivesse alugado um filme e colocado o disco no seu DVD, a pessoa não pediria para você realizar aquela tarefa, se você ligasse o computador e ficasse se distraindo com as famosa mídias sociais, não haveria pedido. Mas não, você está lendo.

Meu caso se agrava, alguns anos atrás decidi ser escritor profissional. Porém nunca abandonei a ideia de ser advogado (nem abandonarei). Por consequência, tento aproveitar o tempo livre para colocar a leitura em dia. De tal forma, quando estou lendo em um sábado de manhã, estou trabalhando. E sim, considero absolutamente válido trabalhar de pijama, aliás, todo mundo deveria trabalhar de pijama de vez em quando para ver como é bom.

Quando percebi que situação era reiterada, resolvi mudar de tática aos sábados pela manhã. Passei a acordar, preparar o café-da-manhã, arrumar a cozinha, tomar banho, vestir uma roupa, vistoriar a casa por possíveis tarefas, perguntar se alguém precisa de ajuda e então sentar ao meu sofá com um livro. Mas ali no segundo parágrafo a/o (namorada/o, esposa/marido, noiva/noivo, mãe, pai, cachorro, gato, galinha) e quer conversar. Afinal, você não está fazendo nada e é um ótimo horário para conversar sobre a semana, fofocas da família, aquele texto que a Camila publicou no Mundo Mundano…

Acredite, tenho o maior prazer de conversar com as pessoas. Sou capaz de perder a hora quando estou ao redor de uma mesa. Adoro quando o o almoço vai até o sol se por numa boa conversa, ou o jantar entra na madrugada acompanhado de pessoas queridas. Quando vou para casa do meu avô passo horas com ele entre chistes e bromas, sentado na mesa tomando um Mate-Couro (refrigerante típico de Minas Gerais) ou um café e pão com manteiga. Ou seja, não enfio meu nariz no livro para fugir de pequenas tarefas domésticas ou interação com as pessoas, mas por que ler é um objetivo em si mesmo.

Mesmo que eu quisesse aproveitar um tempo sem fazer nada, em meus pensamentos, sem o barulho da televisão ou do rádio. Organizar umas ideias ou descansar a cabeça daquelas trinta e cinco mil atividades que você teve durante a semana. Isso não é válido? Ficar um pouco em silêncio? Ficar quieto? Ficar sem fazer nada? Por favor…. só um pouquinho!

Mas agora estou com uma nova tática. Leio meus livros na frente do computador ligado. Por enquanto está funcionando.

Não confie em um escritor

Monday, December 13th, 2010

Por Fernando de F. L. Torres,

Entre tantos conselhos que darei à minha pequena Madá (filha que ainda não tenho, mas que está nos meus planos para esta década), tais como não falar com estranhos e sempre ter um cartão telefônico para emergências (na minha adolescência eu sempre tinha fichas), estará o de não receber homenagens daqueles que se dizem escritores.

Eu me disfarço bem no dia a dia. Se alguém me pergunta eu logo digo: Sou advogado. Gosto de ler e escrevi um livro, mas bom escritor não se diz escritor. É jornalista, Advogado, Vagabundo ou qualquer outra coisa menos escritor.

Mas acontece que, ao final de um longo dia de aula, em que alunos de diferentes turmas de pós graduação em direito (Trabalhista, Contratos, Tributário, Educacional etc) tiveram aula no mesmo auditório para o encerramento do ano letivo, uma das assistentes de uma das turmas com quem por vezes converso me aborda e diz com brilho nos olhos: “Ganhei uma crônica!”

Atônito, penso logo em doença. Crônica? penso eu – Apendicite? Será? Mas minha querida amiga, complementa: “Aquele aluno é escritor, disse que vai escrever uma crônica sobre mim.” Eita! Penso eu.

Aquelas palavras, ditas com tanto gosto. Ele. É. Escritor. Será que revelo, que por trás desse advogado com barba por fazer, que passa os sábados em curso de Pós Graduação, existe um escritor? Que publiquei meu primeiro livro este ano? Que recebi um certo retorno crítico positivo? Que… nada mais.

Não. Não posso. Não devo.

Pensei em questioná-la: Escritor do que? Onde? Que livros publicou? Mas hoje qualquer um é escritor, basta um blog e alguma disposição. Mas, quantas crônicas será que escreveu o personagem da nossa conversa para as jovens mulheres? Você vai verificar se a obra é original? E a qualidade literária dela, importa?

Mas não fiz nada disso. Com a certeza de que todo escritor deveria querer queimar cada um dos seus originais (como foi Kafka) ou roubar exemplares de seus livros da casa de amigos (como Dalton Trevisan) ou se esconder da fama (J. D. Salinger e Raduan Nassar). Desprezo o rapaz.

Que coisa feia! Usando o nobre nome da literatura indevidamente? Mas a Literatura não tem nada de nobre. Nem sei para que ela serve, nesse mundo em que tudo deve ter uma serventia. Mas para isso eu acho que não é. Ou é?

Já sei!

Entendi!

A literatura (pelo menos a boa) é essencialmente uma mentira. Uma mentira cuja verosimilhança lhe dá ares de verdade. É, portanto, como qualquer mentira bem contada, perigosíssima. Nas mãos erradas pode causar danos catastróficos.

Cuidado menina! Se um escritor lhe oferece uma literatura-flerte, saiba que ele está lhe oferecendo uma mentira-flerte. Vinicius de Morais até tem seu charme canalha (“que seja eterno enquanto dure”), mas nem todos são o poetinha.

Como não pude dar o conselho a tempo para minha amiga, guardo para minha filha: Não confie em escritores, a mentira é sua matéria prima.

A voz do artista quando jovem

Tuesday, December 7th, 2010

Por Fernando de F. L. Torres,

Gostaria de convidar a todos a assistirem a apresentação da Orquestra Jovem do Estado neste final de semana. Na contra-mão do argumento que música erudita é inacessível, a apresentação é realizada a preços populares e todos os lugares ao mesmo preço. Por R$4,00 cada ingresso essa oportunidade para quem não conhece visitar a Sala São Paulo, uma das melhores salas de concerto do mundo, e assistir um espetáculo de música erudita.

Gostaria de destacar a presença no Palco de Fernanda Nagashima, uma amiga querida e que canta lindamente, ao lado de Larissa Lima, Diego Toniato e Eduardo Trindade que cantarão a pela Cantorias Frenéticas.

SALA SÃO PAULO
11 DEZ sáb 21h00
ORQUESTRA JOVEM DO ESTADO
JOÃO MAURÍCIO GALINDO regente
Johann Sebastian BACH
Cantata do Café, BWV 211
Eduardo G. ÁLVARES
Cantorias Frenéticas
R$4,00
Vendas pela Ingresso rápido: T 11 4003.1212
(ingressorapido.com.br)
Informações: T 11 3585.9850

Ela gosta mesmo é de dar

Tuesday, November 16th, 2010

Por Fernando de F. L. Torres,

Recentemente um amigo crítico literário divulgou um link interessante. Uma mulher que está dando muito, quase sem parar, no meio da rua para não ser jogada na fogueira.

Pode parecer um enredo de Dalton Trevisan, mas não é. Chantal Dalmass, descobriu que seus livros, publicados pela Ed. Planeta, seriam incinerados para dar espaço a novos livros no estoque, então ela os recuperou e agora está distribuindo os livros nas ruas de são Paulo.

Como assim? O livro encalhou. Aliás, muitos livros encalham. Encalham pelos mais diversos motivos, e como não quero fazer uma tese sobre o mercado livreiro, publicidade, distribuição e tudo mais, vamos apenas partir do ponto que o livro encalhou.

Muita gente não sabe, mas após um encalhe muitos livros são incinerados. Por ex., houve um tempo entre o final da década de 1990 e começo dos 2000, que era muito comum se editar livros manuais para programas de computador. Na época, a internet ainda engatinhava, os programas em sua maioria eram importados e em língua estrangeira, seus manuais originais dificilmente chegavam por aqui. Então, livros ensinavam como você usar o Win95, Office97, Corel6 e outros programas populares. Mas aí veio o Win98, Win2000, WinMe, WinMillenium, WinXP, WinVista e Win7, veio também novos aplicativos e programas que tornaram cada um desses livros obsoletos. Destino de tantos livros? Incineração.

O mesmo destino têm os livros técnicos/científicos quando uma nova edição atinge as prateleiras revisada, atualizada e aumentada. Livros didáticos? O mesmo. um autor trocou de casa editorial ao fim do contrato? Fogueira nos exemplares. Romance encalhou e não temos perspectiva de uma jogada de marketing? Pode chamar o caminhão da incineradora. Já ouvi diversas vezes essas histórias.

Acredite, muitas vezes o livreiro nem quer fazer isso. Amiga minha que trabalha numa das principais editoras do país me confessou, com dor no coração, que teve de mandar queimar livros. O que aconteceu? Um dos livros do catálogo não poderia mais ser comercializado após o término do contrato com a editora. O autor, porém, manifestou sua aprovação pela doação de livros para bibliotecas e escolas públicas. Ela logo se ofereceu para “fazer acontecer”. Porém, a burocracia era enorme, os funcionários da administração pública não gostaram muito da ideia, afinal, daria um trabalhão distribuir tantos livros, eles precisariam licitar para isso, já que ninguém tem essa especialidade na administração. Fora isso, teriam de encontrar um local para estocar, tomar conta que não houvessem desvios, ufa! Era muito trabalho. O que aconteceu? Fogueira!

Mas você acha que isso é exceção? Que aconteceu devido à quantidade de livros? Anos atrás, em sua eterna busca pela administração do pequeno espaço de um apartamento, minha mãe decidiu doar todos seus livros de faculdade para a instituição que ela se formou, instituição privada. Ela pouco, ou nada, usava aqueles livros e eles tomavam espaço que poderia ser aproveitados de outras maneiras no apartamento. Resultado? Não havia espaço na biblioteca da universidade, então, os livros teriam que ser avaliados para se verificar o interesse nas obras, teriam que ser preenchidos formulários para cada livro individualmente e caso não fossem aprovados, ela teria que buscá-lo, ou eles seriam destruídos. A solução foi doar ao Conselho Regional de Fonoaudiologia, que aceitou de bom grado, mas que a consulta estaria restrita aos profissionais inscritos e não a todo e qualquer estudante interessado na matéria.

Eu ouvi histórias como essas inúmeras vezes.

O que acontece com Chantal Dalmass é que, provavelmente, o contrato dela com a editora terminou, aqueles exemplares estavam ocupando espaço e não havia interesse de se prorrogar o contrato, por motivos comerciais, e deixá-los ali representaria um custo de estoque. Diante do prejuízo, o mais fácil seria queimá-los. Acredito que ela deve ter recebido os livros por meio de acordo, o qual a impedia de comercializá-los. Uns dois anos atrás sugeri que um amigo fizesse o mesmo com sua editora que ameaçava incinerar exemplares de um livro encalhado, mas aparentemente o livro ainda está sendo comercializado.

A solução para Chantal foi distribuir seus livros para divulgar sua obra e sua causa. A causa ficou maior que seu livro. Ela é contra a incineração de milhares de livros anualmente pelas editoras, ela está usando todas as armas para divulgar essa causa, o apelo erótico de seu livro ajuda, suas roupas provocantes e, principalmente, sua inteligência. Mas ela já deixou claro: ela gosta de dar, e vai continuar dando até o limite. Do seu estoque.

Lançamento: Segunda Mão, por Olívia Maia

Wednesday, November 3rd, 2010

Convite: lançamento do SEGUNDA MÃO

Festa e Lançamento do Livro: Mundo Mundano e os Quatro Cantos do Mundo

Wednesday, October 6th, 2010

Por Fernando de F. L. Torres,

Mantenho esse blog, algumas pessoas estão acostumadas a ler-me aqui. Porém sou colunista eventual das Revistas Virtuais Mundo Mundano e Aguarrás.

Minha relação com o Mundo Mundano é quase familiar. Camila Briganti é amiga de longa data de meu irmão Fábio. Tenho carinho especial pela revista e por sua fundadora, embora eu seja pouco presente para a ambas.

Quando a Camila me pediu textos para o lançamento do livro Mundo Mundano e os Quatro Cantos do Mundo, prontamente revisei alguns textos publicados na revista e e meus blog. Por fim acabou por ser escolhido um conto meu que acabei deixando de fora do “Estudos sobre a Leveza”, de nome “Projeto em desenvolvimento”.

Segue então o convite:

Bota-Fora Estudos sobre a Leveza

Wednesday, September 29th, 2010

Por Fernando de F. L. Torres,

No começo deste ano lancei o livro “Estudos sobre a Leveza”. Desde então recebi um retorno incrível e fiz amizades fantásticas. Porém estou entrando em uma nova fase como escritor e preciso parar de pensar nesse  livro, parar de falar sobre ele, parar de revivê-lo.

Então, como as pequenas tiragens são realizadas por demanda, decidi não realizar mais tiragens. Com isso, decidi comemorar o encerramento dessa fase e fazer um bota-fora do meu livro para vender os últimos 20 exemplares que ainda tenho comigo.

Então Anotem:

Bota-Fora Estudos sobre a Leveza
Local: Mercearia São Pedro – Rua Rodésia, 34 (prox. ao Metrô Vila Madalena)
Quando: Sábado, 2 de Outubro de 2010, das 18h às 23:30 (O bar fechará mais cedo por conta das eleições)