Sobre Zidane – quatro anos depois

Tuesday, June 22nd, 2010

Por Fernando Torres

Já manifestei aqui algumas vezes que gosto de futebol. Agora com a Seleção Francesa eliminada me deu vontade de escrever um texto que quero escrever desde a final da copa do mundo de 2006.

Não é incomum os comentaristas, narradores e outros profissionais ligados ao esporte lembrarem da famigerada cabeçada de Zinedine Zidane em Materazzi. A lembrança do fato é acompanhada com a expressão “mancha na carreira”. Eu discordo da expressão.

Antes de mais nada, digo que Zidane foi o melhor jogador de futebol que já vi jogar. Como nasci em 1982, não vi Pelé jogar e o considero o melhor de todos os tempos. Zidane foi melhor que Maradona, Ronaldo, Ronaldinho, entre tantos outros, pelo na minha concepção, ele foi melhor que todos esses, embora que por centímetros nesta comparação entre gigantes.

Francês, filho de argelinos, teve uma infância marcada pelo preconceito. Como jogador de Futebol, recebeu a aceitação do povo francês e se tornou ídolo. Mas nunca deixaram de lembrar que ele não era verdadeiramente patrício dos francos. Zinedine nunca se envergonhou de sua origem, mostrando sempre orgulho de sua origem. Mas foi no futebol Italiano e Espanhol que pode mostrar o melhor de seu jogo.

Quando Zidane virou-se para revidar as ofensas do italiano, sabia que estava marcando a última jogada de sua carreira com um ato político. Mostrou para o mundo que até o último momento de sua carreira a intolerância xenófoba estava presente. Naquele momento ele mostrou para o mundo que tais atitudes mereciam uma resposta. Não haveria de ser no fechar das cortinas que ele ouviria calado impropérios contra sua origem. Naquele momento mostrou que não era apenas um jogador de futebol, mas um grande homem, capaz de fazer a maior declaração de sua vida para dizer chega ao preconceito sobre qualquer forma. Espero que um dia os comentaristas, cheios de falsas verdades, entendam que às vezes fazer uma declaração dessas pode ser mais importante que um título mundial de futebol, Zinedine Zidane entendeu. Talvez, a forma que ele fez isso seja contrária às regras do jogo, mas ficou marcado à todos seu ato, mais que qualquer palavra sobre o assunto.

Encontro Cia. das Letras com Blogueiros

Wednesday, June 16th, 2010

Por Fernando Torres,

Todos sabem minha admiração pela Cia. das Letras. Estou ainda mais admirado agora que no Blog da Cia. escreve o Luiz Schwacz. Bom, vale a pena conferir:

Só Deus Ex Machina Salva

Tuesday, May 25th, 2010

Por Fernando Torres,

Semana passada, minha amiga e escritora Olivia Maia perguntou no twitter como fazer para resolver um problema em seu romance sem forçar a revelação por “Deus ex Machina”.

Segundo a Wikipédia (que cito tão somente por preguiça de procurar fonte melhor)  “Sua origem encontra-se no teatro grego e refere-se a uma inesperada, artificial ou improvável personagem, artefato ou evento introduzido repentinamente em um trabalho de ficção ou drama para resolver uma situação ou desemaranhar uma trama. Em termos modernos, Deus ex machina também pode descrever uma pessoa ou uma coisa que de repente aparece e resolve uma dificuldade aparentemente insolúvel. Enquanto que em uma narrativa isso pode parecer insatisfatório, na vida real este tipo de figura pode ser bem-vindo e heróico“.

No filme Adaptação, o roteirista Charlie Kaulfmann, em um filme cheio de metalinguagem, brinca com o princípio de “nunca apele para ‘Deus ex machina’”. É provável que esse seja o melhor roteiro de Charlie Kaulfmann.

Mas esse final de semana fiquei pensando sobre o recurso enquanto eu brincava com os filhos pequenos de minha tia e achei que eu poderia contar uma história para ilustrar como, às vezes, o fenômeno acontece na vida real.

Alexsandra, para obter bolsa no cursinho preparatório para o vestibular em que trabalhava como monitora de sala. Assistia as aulas pela manhã, passava a tarde estudando e de noite cumpria sua função. Bastante magra e bonita, também era tímida, e evitava a sala 54 tarde, desde que uma vez no final da tarde, quando foi contar o numero de alunos na sala causou uma agitação púbere de assobios e gritos.

Porém, naquele dia era aniversário de um de seus colegas de trabalho, e justamente no dia que seriam trocados os adesivos de acesso nas carteiras de acesso ao prédio do cursinho. Logo, todos os monitores se reuniram para ajudar na tarefa. Alexsandra chegou mais cedo para ajudar.

Meus avós se separaram no final da década de 60, sendo que meu avô manteve contato bastante limitado com a família durante muitos anos. Ele era uma figura misteriosa que eu encontrava uma ou duas vezes por ano, quase sempre no aniversário de minha mãe.

Neste mesmo dia, eu que era aluno da sala 54 tarde fui chamado entre uma uma aula e outra pelo monitor responsável pela minha sala. Achei muito estranho, era improvável que meu pai, o homem mais organizado que conheço, tivesse deixado de pagar a mensalidade. Assim acreditei que algo devia ter acontecido de errado.

O monitor que me pediu que eu deixasse a sala apontou para Alexsandra, com quem eu devia conversar. Ela estava com minha carteira na mão e me perguntou séria “você sabe quem eu sou?”, e responder que ela a monitora da noite era redundante. Fiquei esperando a resposta da pergunta que me parecia ser retórica.

Quando Alexsandra começou a organizar as carteiras de acesso, logo dividiu com um dos colegas as cartelas de adesivo. Um colega ficou com a cartela do Aaron até uma Fernanda, ela do Fernando ao até Maria e um terceiro de Maria até o final. A primeira carteira que ela adesivou tinha a foto de um rapaz de cabelos longos com o mesmo sobrenome que ela. Alexsandra que era filha do segundo casamento de seu pai, sempre soubera que tinha uma família que não conhecia, e lá estava a minha carteira de acesso ao cursinho. Toda a família que ela não conhecia estava diante dela.

Eu não percebi, mas uma das monitoras me contou que quando ela viu meu nome escrito na carteira ela começou a tremer. Ficou apavorada, o sobrinho que durante toda infância ela imaginou conhecer estava atrás da porta. E ela simplesmente não sabia o que fazer.

Se não fosse aniversário do colega naquele dia, se naquele dia não fosse o dia de trocar os adesivos, se ela não tivesse começado a trabalhar mais cedo, se tantas coisas não tivessem conspirado para que aquele encontro acontecesse, ela não teria me conhecido nem teria conhecido toda a família que meu avô manteve longe dela.

Se uma situação tão pouco verossímil não tivesse ocorrido, eu não teria brincado com meus primos pequenos no final de semana, nem teria escrito esse post. As vezes, só Deus Ex Machina salva.

Convite: Disco Dois

Wednesday, May 12th, 2010

Por Fernando Torres,

Apesar da ausência neste espaço continuo na ativa, trabalhando com novos projetos e em breve devo postar aqui uma resenha de um livro junto da entrevista que fiz com um autor.

Continuo divulgando iniciativa de amigos que estão fazendo trabalhos bastante relevantes em arte. No Post anterior eu divulguei aqui as apresentações do Grupo Glacê, e ainda dá tempo de assistir as apresentações deles em Guarulhos.

Ainda, tenho o prazer de convidar a todos a conhecer a banda de meus amigos Lara Lopes e Murilo: Disco Dois, Para conhecer o trabalho da banda, entre no site deles do Myspace.

E convido todos compareceram ao show que realizar-se-á nesta Sexta Feira.

Divulgação Grupo Glacê

Thursday, April 15th, 2010

Choque de Realidade IV – Resenha: “Paroxetina” de Bruno M. de Oliveira – Nem tudo é como queremos

Monday, March 29th, 2010

Por Fernando Torres,

Existe um choque entre o ser e o dever ser. A égide da literatura moderna está neste rompimento. Dom Quixote de La Mancha é uma vítima deste rompimento, MM. Bovary não atinge nem isso, a ruptura já está inalcançável.

O mais interessante é que “Paroxetina, ou crônicas de um ansioso crônico” de Bruno M. Oliveira, infelizmente, o livro com méritos no Prêmio SESC de Literatura, mas não vencedor, é ainda apenas um original, fazendo de sua metaficção mais chocante.

A história de Marcel, é supostamente a história do do autor, Bruno. Em 300 páginas digitadas, o livro se separa em 3 partes: a infância entre o idílio e e os primeiros entendimentos da realidade, a adolescência em choque com simesmo, e o começo da vida adulta em absoluta crise de ansiedade.

A escrita é daquelas que não merece qualquer retoque. Com habilidade, sua escrita é ansiosa, nervosa e verborrágica, nada escapa, repetidas vezes ele narra  histórias semelhantes, rotinas nervosas que levam o narrador para sua crise. Em pequenos detalhes, revela os sentimentos mais íntimos do narrador, se aproxima ou se afasta dos pais sentimentalmente durante a narrativa, o que fica claro quando passa a se referir aos pais por seus nomes.

Ainda, vale dizer que Bruno mostra coragem no livro. Além de expor sua suposta crise de ansiedade, seu narrador, Marcel, é vergonhosamente real. Não há nele vislumbre de vitória, não podendo chegar a ser um antiheroi. ainda, narra, no momento máximo de realização sexual, uma experiência homoerótica púbere . Após a isso o narrador passa a repelir a possibilidade de se realizar sexualmente mais uma vez.

O livro, que mostra tão claramente que a realidade nem sempre é o que deve ser, acaba fundindo a realidade com a ficção, se Bruno e Marcel são a mesma pessoa, o livro permanecer inédito é um destino metaliterário, previsto nas próprias páginas do livro. Porém, está na hora de quebrar com a lógica, é o momento de se conhecer e reconhecer a Excelente prosa de Bruno M. Oliveira, que esta à espera de uma editora.

Choque de Realidade III – Algumas considerações adicionais

Tuesday, March 23rd, 2010

Por Fernando Torres,

Quando comecei esta série sobre a “Literatura de Realidade”, sinceramente achei que receberia críticas duras. Muitos amigos meus estão envolvidos com a “Literatura de Fantasia” e esperava receber críticas duras. Porém, pessoas como Alexandre Herédia e Roberta Nunes elogiaram meu post. Fico feliz, pois pessoas como eles sabem que minhas críticas não são pessoais, mas que estes são exercícios de reflexão sobre a Literatura.

Por outro lado, um ponto incomodou Antonio Xerxenesky. O autor de “Areia nos Dentes” é alguém com quem mantenho uma relação cordial desde que fui incumbido de resenhar seu livro na Copa de Literatura.

O que incomodou Xerxenesky foi a minha distinção entre forma e conteúdo. Acredito que isso se deu por uma falha minha ao escrever de forma rasteira sobre o tema. O que tento corrigir neste artigo.

nos idos de 1995, quando eu era um púbere rapaz de 13 anos, sem qualquer pretensão literária, nas minhas aulas de ciências ministradas pela Teruko, figura ícone da Escola Experimental Vera Cruz, aprendi um conceito que passei a levar para a vida: A relação entre Forma e Função.

Passei a entender que existe uma relação íntima entre a forma e seus efeitos. Ou seja, na literatura não existem palavras inúteis, metáforas jogadas no texto sem fazer parte de todo o sistema. Um professor meu dizia que se alguém tosse na página 50, ele deve morrer de tuberculose na página 200 (creio que ele citava algum autor).

Lembro-me de um filme em que um escritor se isolava na casa da mãe para tentar vencer o bloqueio criativo e, em uma determinada parte do filme, a mãe dizia que jamais havia entendido porque um determinado extraterrestre de seus era descrito com uma cabeça enorme e ao mesmo tempo era tão burro. A relação entre a execução formal do texto tem que cumprir uma função, caso contrário rompe com a relação necessária com o conteúdo.

O que me incomoda é exatamente isso. Vejo uma tendência em se reduzir a literatura em seus clichês formais, principalmente quando estamos falando sobre Literatura Fantástica. Vejo como solução para isso uma resignificação dos clichês literários, por meio da experimentação tão propícia na “Literatura de Realidade”.

Ouso dizer que o próprio Livro de Xerxenesky não é um livro de Literatura Fantástica, mas exatamente a evidência crítica daquilo que reconheço como como a literatura voltada apenas sobre a forma. “Areia nos Dentes” não é um livro sobre zumbis (não se deixem enganar pela orelha), mas um livro sobre alguém escrevendo sobre zumbis. A brincadeira metaliterária atinge uma série de maneirismos de nossa geração, tais como o excesso de cinematografia.

Repito, ao final, que a forma e o conteúdo são indissociáveis, mas que a forma é o tempero que dá sabor à matéria prima do prato principal. O tempero jamais pode se sobrepor ao alimento temperado, assim como os elementos formais não devem sobrepor ao espírito da história que queremos contar.

Choque de Realidade – Parte II – Resenha: Alameda Santos, de Ivana Arruda Leite

Tuesday, March 16th, 2010

Por Fernando Torres

Já faz algum tempo que dou preferência em comprar livros de autores que posso ter uma dedicatória. Nesse meio tempo Ivana Arruda Leite (veja o blog da autora aqui) lançou dois livros. Comprei os dois. Ano passado ela publicou Hotel Novo Mundo (ed. 34) sobre o qual escrevi resenha. Semana passada foi a vez de Alameda Santos (Ed. Iluminuras).

Embora eu a conheça de longe, seja pelo seu blog ou pelo twitter (@doidivana), tudo que sei sobre ela me faz gostar da pessoa.

Seu novo livro brinca com as fronteiras da realidade e da ficção. Cada capítulo é uma retrospectiva da vida narradora do ano que estava se encerrando, fazendo também uma retrospectiva da sociedade e do brasil durante os anos 80 e começo dos 90. A narradora sem nome conta suas decepções amorosas, suas escolhas muitas vezes equivocadas e a estupefação com os acontecimentos ao seu redor. Em cada linha você se questiona se aquela é ou não a história de Ivana.

Ainda é notável, que a autora mantem   a oralidade do texto, como se fosse mera transcrição das fitas. A narradora nem sempre fala coisa com coisa, muitas vezes está bebada, chegando a trocar Barcelona por Madrid quando se refere à olimpíada de 92.

Como muitas personagens da literatura, a narradora participa como observadora de fatos que ela mesma não entende muito bem, herança de “O Vermelho e o Negro” de Stendhal, talvez. É importante ter o relato justo do observador comum, pois nem sempre o relato dos historiadores está onde estão as pessoas. A história de um povo também acontece longe dos centros de poder, e afetados em maior ou menos intensidade por este.

A estória de “Alameda Santos” é  verossimilhante com a realidade de nós mesmos, a ponto de dar credibilidade a toda sua obra, não só com a realidade interna do romance, habilidade semelhante a Flaubert em “Madame Bovary”.

Ao final do romance, vislumbramos criticamente a todos pelas palavras da narradora: a esquerda, a direita, a hipocrisia burguesa paulistana entre tantos outros. Excelente romance, e sem ressalvas.

Choque de Realidade – Parte I: Não só de fantasia é feita a nova geração de escritores

Monday, March 15th, 2010

por Fernando Torres,

Este era um post que queria escrever faz algum tempo e que fui emendando o rascunho tantas vezes que acho que série de posts. Esse primeiro serve de introdução e os que se seguem serão algumas considerações sobre alguns livros interessantes que li recentemente.

Antes de mais nada, gostaria de ressaltar que não tenho nada contra a literatura de fantasia (ou literatura fantástica, como algumas pessoas preferem), mas que eu preciso fazer um contraponto nesse momento em defesa da literatura “da realidade”, exercício dialético que sempre me proponho nesse espaço.

Quem presta atenção na literatura sendo produzida por escritores jovens já notou, houve um “boom” de escritores que escrevem ou flertam com a literatura fantástica.

Embora a tradição literária brasileira tenha quase que ignorado a literatura fantástica, principalmente durante o século XX (salvo exceções como Murilo Rubião e Aníbal Machado), existe hoje um movimento forte trabalhando esse tipo de literatura.

O que me chama atenção é uma tendência “separatista”, principalmente vindo dos escritores e editoras da chamada literatura fantástica. Como não gosto de rótulos fico sempre desconfiado com esse negócio de “nós e eles”. Nem sempre acho que nomes como “literatura realista” ou “mainstream” são justos ou exatos para indicar todo o universo da literatura “não-fantástica”. A palavra “Mainstream” , principalmente, soa pejorativa aos meus ouvidos, como se aquilo que não fosse a “Literatura Fantástica” fosse uma literatura entregue à cultura de massas, comercial, ou seja de um valor criativo menor. Prefiro nem entrar nessa discussão, mas reafirmo minha posição que a epistemologia da arte deve nos ajudar a compreendê-la como um todo e não isolar movimentos em quartos escuros.

Acho muito engraçado quando me deparo com pessoas que citam o mais do que clássico “1984″ de George Orwell como um clássico da literatura fantástica, em específico da ficção científica. Acho especialmente engraçado por que nunca pensei nesta obra desta maneira. Para mim nunca houve (principalmente depois de ler outras obras do autor) qualquer vislumbre de ficção científica na obra, o exercício do autor era o estudo meramente político de forçar correntes ideológicas e políticas em que ele estava profundamente inserido ao seu radicalismo. Os aparatos “tecnológicos” que Orwell apresenta não são mais do que adaptações de recursos existentes na época. A obra é uma alegoria dobre a opressão, do autoritarismo e dos regimes que se firmavam na época que o livro foi escrito. Como obra de ficção científica, se compararmos com outros autores da época, “1984″ deixa muito a desejar. Seria o mesmo que considerar “Ensaio sobre a Cegueira” uma obra de ficção científica.

Muito embora eu rejeite a idéia que literatura fantástica seja “escapismo”, creio que esta muitas vezes não atinge o ponto da que a literatura que pretensamente lida com a realidade busca: lidar de com o que temos entre as quatro paredes de nossas casas, e com a dificuldade que temos com o que está fora delas. Muitas vezes fico com a impressão de Cervantes sobre Quixote, que seu personagem, de tanto ler as novelas de cavalaria, havia fritado o próprio cérebro.

Por outro lado a literatura nunca é capaz de reproduzir a realidade (bem como qualquer outra forma de arte), mas sim de trabalhar sobre ela. Criar pressuposições, metáforas e alegorias. De forma que posso afirmar que a boa literatura (como escreveu meu amigo Eric Novello na orelha de meu livro) não suporta rótulos.

Então, por que fazemos uma opção pela “realidade” ou pelo “fantástico”? Simples, escolhemos o uso da ferramenta mais adequada para contar a história.

A questão é que vejo no atual movimento da literatura fantástica (cabendo tantas exceções que podem e vão desmontar meu argumento) o esvaziamento do uso desta ferramenta. Ou seja, uma literatura alienada, com o exercício da forma (e de seus necessários clichês) apenas em função da forma, em que o conteúdo se dissolve em meras sensações.

A jornada do herói é explorada por todas as literaturas, porém, seu exercício repetitivo tem afastado sua função principal, que é o relato do crescimento e aprendizagem verdadeiros. Aprender o óbvio não prescinde jornadas, a ruptura verdadeiramente rebelde que a jornada do herói representa me parece esvaziada. Da mesma forma que já esvaziaram a figura do anti-herói.

Mais uma vez questiono, então por que escolher a “Realidade”? Na minha opinião, porque a fantasia nos ofuscou. O que muitos anos atrás era “realidade” se tornou estilo e hoje é fantasia. Alguns anti-heróis que viviam a contra-cultura, o submundo, frequentavam as bocas-do-lixo mundo afora, estão em um universo tão fantasioso hoje quanto o universo cyberpunk e o medieval fantástico, em que a verossimilhança apenas funciona naquele universo particular.

Pouca gente está lidando com a “Realidade”, pouca gente está falando efetivamente de nós mesmos e a literatura brasileira está fadada a simulacros de estilos. Meu protesto é a libertação da literatura apenas enquanto forma e o caminho que pretendo seguir e valorizar nesta série de posts é da importância do conteúdo sobre a forma.

Dia da mulher. Homenagem.

Monday, March 8th, 2010

Por Fernando Torres.

Ofereço este vídeo a todas as mulheres. Duas em especial, minha mãe (que me apresentou essa música) e à minha companheira e em breve esposa Fernanda Fiamoncini.

E Lennon explica a canção: