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	<title>Arlequinal</title>
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	<description>Cultural e Coletivo</description>
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		<title>Entre trangressões, resistência e literatura</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 23:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L . Torres, Não é incomum que eu escreva neste espaço para comentar posts de outros escritores ou notícias sobre literatura. Hoje não é diferente. Escrevo para comentar o texto da Carol Bensimon &#8220;A Maior das Transgressões&#8221;, publicado no Blog da Companhia das Letras. A Carol é autora de dois livros que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L . Torres,</p>
<p>Não é incomum que eu escreva neste espaço para comentar posts de outros escritores ou notícias sobre literatura. Hoje não é diferente. Escrevo para comentar o texto da<a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/a-maior-das-transgressoes/"> Carol Bensimon &#8220;A Maior das Transgressões&#8221;, publicado no Blog da Companhia das Letras</a>.</p>
<p>A Carol é autora de dois livros que gosto muito: &#8220;Pó de Parede&#8221; (Não Editora) e &#8220;Sinuca embaixo d&#8217;água&#8221; (Cia. das Letras). São livros bem escritos e de impecável técnica literária. Fica claro que a escritora tem uma relação de amor à literatura. Encontrei-a duas vezes aqui em São Paulo, uma vez no lançamento de seu livro e outra em um evento literário. Não conversamos muito.</p>
<p>Por essas e outras acompanho o que ela escreve no Blog da editora que a publica com relativa atenção. (Nem todos autores que ali escrevem me chamam a atenção, o que é natural.) E achei esse seu último texto muito bonito. É uma declaração de amor a uma causa, embora eu não concorde inteiramente com suas premissas.</p>
<p>A Carol fala que literatura é trangressão e faz a crítica aos valores estabelecidos. Minha visão é ligeralmente diferente, para mim a literatura é resistência, pois estimula a reflexão em uma sociedade cujo valor é a alienação. Acho que isso decorre de uma premissa diversa que tenho. Ela coloca como se se nossa geração estivesse em um processo de superficialização e alienação. Não concordo. Na geração de meus pais, a maioria dos jovens não liam, não tinham posição política clara, ou mesmo, eram favoráveis ao hediondo regime militar. A maioria dos jovens da geração de meus pais não foi presa. Nem todo jovem daquela geração era hippie, poucos entendiam ou sabiam o que era contra-cultura.</p>
<p>Nós cultuamos uma ilusão. Assim como o Flaneur do romantismo, assim como qualquer tipologia de artista que podemos conceber ou lembrar é um tipo marginalizado. A Paris de Hemmingway, Picasso, Capa, Dali etc. não é necessariamente a Paris daquela época. Aliás, tomamos o registro da vida de um grupo como se fosse a vida de todos. Escrever, consciênte do papel do escritor na sociedade, é resistência pois este, em vida, é relegado ao papel marginal.</p>
<p> E olhando assim, me vejo ainda mais romântico que a própria Carol. O papel do escritor como seu próprio herói, deslocado da sociedade ou de si mesmo.  E paradoxalmente, quanto mais escrevo me afasto e me aproximo deste herói. Salvo minha vida, mas me condeno ao exílio. Por amor? Sim. Não pela literatura, mas pelo paradoxo.</p>
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		<title>Muitos Livros</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 23:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Acabo de ler o excelente post que Talita Camargo escreveu sobre a saturação do mercado literário. Posso dizer que concordo em parte. Definitivamente não somos um país de leitores, os escritores de ficção dos mais diversos gêneros reclamam que não são lidos. Existem exceções. E têm gente, inclusive, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Acabo de ler o <a href="http://nomundoeditorial.blogspot.com/2011/12/mercado-editorial-um-grito-de-alerta.html" target="_blank">excelente post que Talita Camargo escreveu sobre a saturação do mercado literário</a>. Posso dizer que concordo em parte. Definitivamente não somos um país de leitores, os escritores de ficção dos mais diversos gêneros reclamam que não são lidos. Existem exceções. E têm gente, inclusive, que clama viver de literatura, escrevendo.</p>
<p>Reclamamos que o livro é caro, que não há divulgação, que não existe mais crítica independente, que&#8230; enfim reclamamos demais. Mas se formos em qualquer final de semana às principais livrarias da cidade de São Paulo, elas estarão lotadas e com filas nos caixas. Agora na época de natal será um verdadeiro martírio e ficaremos em dúvida se não era melhor ir à 25 de março comprar umas lembrancinhas.</p>
<p>Existem dois fatos muito interessantes envolvidos nisso. Primeiro é o mercado que se auto alimenta. Alguns poucos livros têm tiragem que ultrapassam as milhões de cópias, outros que chegam às centenas de milhares. A grande maioria dos livros não ultrapassam a marca de três mil exemplares.  Ou seja, as pessoas estão todas lendo os mesmos três ou quatro livros. Algumas editoras apostam suas fichas em encontrar esse novo recordista de vendas. Mas o mais preocupante é que algumas editoras vendem ao autor, literalmente vendem, o sonho de ser o próximo a aparecer na lista dos mais vendidos. Assim o mercado fica saturado de obras medianas e ruins.  </p>
<p>O segundo fato é que virou chique presentar os outros com livros. As vezes me parece que as pessoa compram mais livros para os outros que para si. E quem ganha o livro nem sempre os lê, por falta de interesse no título especícico ou em simplesmente em ler. Assim, o livro se tornou um artigo de decoração. O objeto livro tem uma função na sociedade que se afasta de sua concepção pelos autores (com exceções, é claro).</p>
<p>Não me preocupa a existência de uma bolha de mercado prestes a estourar. Me preocupa o sucateamento de nosso mercado literário em que o conteúdo não interessa mais. Assim bons textos estão se perdendo no mar de títulos e bons escritores talvez não cheguem a ser conhecidos. Meu temor é que estejamos perdendo a oportunidade pescar grandes talentos, pois seu livro está na baciada e não chegará aos leitores. Talvez seu lugar seja não lido em uma prateleira, se a capa for bonita.</p>
<p>Não faço previsões para o futuro da literatura brasileira. Mas sou pessimista. Identifico muitas de minha opiniões no texto de Bernardo Carvalho para a Piauí &#8220;<a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-62/questoes-de-literatura-e-propriedade/em-defesa-da-obra" target="_blank">em defesa da obra</a>&#8220;.</p>
<p>A minha esperança e medo é que as tendências de moda e decoração  mudem e os livros deixem de ter um triste destino de permanecer intocado na prateleira. A bolha vai estourar se isso acontecer? Sim. Mas o conteúdo voltará ao seu devido lugar: o destaque.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre o teto de uma casa</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 21:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento. &#160; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De onde estou. olhando através de uma janela, não noto qualquer outro indicativo que junto àquele vaso existe qualquer resquício de área de lazer. Não há uma horta, ou uma cadeira ou qualquer indício que o vaso, no qual existe uma pequena árvore, tem qualquer função outra que apenas estar ao lado do catavento.</p>
<p>Não deve ter sido fácil colocar o vaso, com a planta, onde ele está. Não vejo saídas da casa que vão diretamente ao teto. Mas vejo apenas de um lado. Com certeza existe um platô em que o vaso está colocado, mas de onde estou não o vejo, apenas o vaso e o catavento.</p>
<p>O catavento por si me lembra um brinquedo infantil. O catavento na mão da menina que na janela do carro sente o vento no rosto e olhos fixos no frágil brinquedo girando veloz.</p>
<p>Este catavento tem duas hélices que giram em sentido alternado. Eu sei exatamente como funciona, ou em tese como deveria funcionar, o catavento que vejo pela janela e sobre o telhado da casa.</p>
<p>Tantos detalhes que passam desapercebidos aos olhos transeuntes, e, tantos detalhes que um dia deixei de escrever, de anotar como um vaso ou um catavento sobre telhados.</p>
<p>&#8212;&#8212;</p>
<p>Não esqueçam do lançamento do livro do Mundo Mundano, do qual participo. Mais detalhes <a href="http://arlequinal.com.br/2011/10/13/convite-lancamento-mm/">aqui</a>.</p>
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		<title>Convites: Lançamento MM e Alex Castro (Atualizado)</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 13:55:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Deste Livro eu participo. &#160; &#160; Este divulgo para um amigo: &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Deste Livro eu participo.</p>
<p><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/convite-email-20H00.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-981" title="convite - email - 20H00" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/convite-email-20H00.jpg" alt="" width="600" height="666" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este divulgo para um amigo:</p>
<p><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Alex_convite.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-988" title="Alex_convite" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Alex_convite.jpg" alt="" width="500" height="354" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Dessa Tinta</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/10/11/dessa-tinta/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 20:02:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso aconteceu. Mas&#8230; a tinta faz falta?</p>
<p>Obviamente o epitáfio da tinta é metafórico. E não falo nem do livro digital. Nem mesmo repito aqueles argumentos já sonolento dos escritores que hoje ninguém mais lê no Brasil. Em nenhum momento de sua história o Brasil foi um país de leitores, as estatísticas sobre o analfabetismo estão aí para desestruturar o argumento que cada vez se lê menos.</p>
<p>Nossa relação com a palavra escrita mudou. Antes ela era de se colocar debaixo do braço. Quem podia tinha livros e jornais para carregar debaixo do braço. Os alfabetizados eram donos da palavra escrita. Depois, um dia não sei bem o porquê, tenho a noção que a palavra estava nos mimógrafos. Foi o boom do conto, foi o panfleto, e este minguou. a palavra virou pública e virou outdoor. E um dia proibiram o outdoor em São Paulo e a palavra resiste apenas sem a tinta. Piscando nas telas dos computadores.</p>
<p>Mas a tinta morreu. Você sabia? A caneta, esse objeto que já foi status, que já foi bic ou kilométrica sumiu das mãos e dos bolsos. Vou ao fórum e os estagiários fotografam os processos. Sou do tempo que anotávamos em fichas o andamento dos processos. Procure alguém rabiscando um guardanapo enquanto espera no restaurante ou quando fala no telefone.</p>
<p>Pouco à pouco não ouço mais a expressão &#8220;carregou nas tintas&#8221;, aliás, agora as pessoas &#8220;têm imagens carregadas&#8221;, a tinta deixa de ser cultura. Tinta, tinta&#8230; o que fizeram de você?</p>
<p>Mas se o disco de Vinil teve seu ressurgimento, por que não a tinta? Em algum lugar deve existir o Movimento Revolucionário Tinta na Mão, associado ao Grupo de Resistência Cheiro do Livro e com a Frente dos Espancadores de Máquina de Escrever, preparando o contragolpe.</p>
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		<title>Lançamento: Dentes Negros &#8211; André de Leones</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/10/03/lancamento-dentes-negros-andre-de-leones/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 00:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Na quinta-feira da próxima semana, dia 06/10,  André de Leones lança seu novo romance &#8220;Dentes negros&#8221;. O coquetel será na Livraria da Vila, na Fradique Coutinho 915, a partir das 18:30hs (e até as 21:30hs).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<div>Na quinta-feira da próxima semana, dia 06/10,  André de Leones lança seu novo romance &#8220;Dentes negros&#8221;.</div>
<div>O coquetel será na Livraria da Vila, na Fradique Coutinho 915, a partir das 18:30hs (e até as 21:30hs).</div>
<div><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/dentesconvite.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-969" title="dentesconvite" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/dentesconvite-1024x706.jpg" alt="" width="717" height="494" /></a></div>
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		<title>Viva João Gilberto!</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2011 13:24:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Pode parecer estranho este título. João Gilberto é um mito e, como meus (poucos) leitores desse blog sabem, exatamente o tipo de mito que eu costumo repudiar. Mais do que uma vaca sagrada, ele representa o estereótipo de gênio e de artista louco que se tornou romantizado pela cultura. Eu poderia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Pode parecer estranho este título. João Gilberto é um mito e, como meus (poucos) leitores desse blog sabem, exatamente o tipo de mito que eu costumo repudiar. Mais do que uma vaca sagrada, ele representa o estereótipo de gênio e de artista louco que se tornou romantizado pela cultura.</p>
<p>Eu poderia citar uma série de gênios-loucos como João Gilberto, mas os exemplos são fáceis e não preciso instigar você meu querido leitor. É bom na sociedade do espetáculo que o gênio seja um pária (bom, Platão já dizia isso&#8230;), um aloprado, uma maluco, um excêntrico. É mais fácil vender o louco-gênio, é instigante. Mais importante, ele é tudo que você não é nem pode ser em sua normalidade. é seguro para sociedade&#8230; imagine se todo mundo quer ser gênio&#8230;</p>
<p>Mas, apesar de ser vendido como o grande excêntrico, a música de João Gilberto sempre me pareceu coisa de um homem comum. <em>Um banquinho e um violão</em>&#8230; e a rodinha de violão entrou no Carnegie Hall. Sem orquestra, se der um Piano, sua namoradinha cantando (e que voz tinha Astrud Gilberto! E que voz tinha Miucha!), uma música de amor sem letra excessivamente melosa&#8230; O mais importante é o violão de batida delicada, sem virtuose.</p>
<p>Talvez, e eu tenho essa noção eu ache a música (maravilhosa) de João Gilberto algo tangível por minha história. Lembro de meu pai colocando o disco de vinil da coleção &#8220;História da Música Popular Brasileira&#8221; na vitrola do aparelho de som valvulado, de ver a agulha abaixando até encostar nas ranhuras brilhantes. O chiado de não mais de uma fração de segundo. &#8220;Vai minha tristeza&#8230;&#8221; Entrou em minha vida.</p>
<p>O que tento dizer é que João Gilberto é genial apesar da personalidade esquisita, mas por ser um rapaz com violão à tiracolo, com seus amigos, cantando baixinho para o pessoal bater o pé, para namoradinha cantar, e conseguir fazer disso algo realmente especial.</p>
<p>Viva João Gilberto!</p>
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		<title>Um livro para não resenhar</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/05/06/um-livro-para-nao-resenhar/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 16:56:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Tenho a mania de comparecer à lançamentos de livros, pegar minha dedicatória e esperar algum tempo para ler o livro. Geralmente, gosto de deixar o livro repousar na estante até um momento de encontro. Creio que quem lê sem muita organização se identifica com essa minha mania, os livros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p><img class="alignleft" style="margin: 2px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/linguagem-de-sinais.jpg" alt="" width="208" height="312" /></p>
<p>Tenho a mania de comparecer à lançamentos de livros, pegar minha dedicatória e esperar algum tempo para ler o livro. Geralmente, gosto de deixar o livro repousar na estante até um momento de encontro. Creio que quem lê sem muita organização se identifica com essa minha mania, os livros devem te atrair em um momento específico.</p>
<p>Ontem, peguei o livro <em>Linguagem de Sinais</em>, de Luiz Schwarcz que repousava ali depois de ter passado pelas mãos de meu pai.</p>
<p>Ao ler os contos tive uma sensação diferente. Gosto de livros que não demonstram especial pretensão por parte de seu autor. Cada vez mais raro, uma vez que a desprentesão é uma das  maiores pretensões dos escritores atuais. Gostei do livro, mas fiquei pensando que este livro tem uma forma especial de despretensão, a verdadeira.</p>
<p>Luiz escreve contos elegantes em tom confessional (não sei quanto de confissão real há neles) de histórias cotidianas e sensíveis.  Claro que impossível dissociá-los das crônicas do Editor (ora autor) da Cia. das Letras em seu<a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/category/colunistas/luiz-schwarcz/" target="_blank"> blog</a>.</p>
<p>O livro não tenta (ou pelo menos não aparenta) provar nenhum ponto, não faz nenhuma ousadia formal. É apenas um livro para se ler com calma, degustar. Não cabe à leitura maiores análises críticas e, pouco à pouco, para quem já está acostumado a &#8220;ler como escritor&#8221; (o que quer que isso queira dizer), o livro se torna um exercício de leitura por prazer puro.</p>
<p>Voltei a ler sem o rigor estético que eu lia anos atrás. Deixei de lado &#8220;o prazer de especialista&#8221; (que não sou) para ler com o prazer que eu tinha antes das minhas pretensões literárias. Lembrei do prazer que tive nos primeiros contos que escrevi, quando publicar um livro era um sonho longínquo, muito antes das Copas de Literatura e Arlequinais.</p>
<p>Engraçado que ao terminar o livro não tive vontade de dissecá-lo,  nem de escrever uma resenha, ou correr à livraria comprar todos os escritos do autor para aprender com o mestre. A vontade que tive foi de voltar à contar histórias. Quando deixei de ter vontade de contar histórias para fazer exercícios estilísticos?</p>
<p>Existe um crítico (que não mencionarei o nome para não lhe dar mais ibope) que rejeita o romanesco. Aliás o problema de todos os escritores brasileiros vivos, segundo ele, é não se afastar do romanesco. Mas que mal há nisso? O romanesco já não foi desconstruído? Essa vanguarda já está toda morta e enterrada. São mestres, mas copiá-los não seria mimetização sem intencionalidade? Escolho contar mais histórias e fazer menos exercícios.</p>
<p>O mérito do livro de Luis Schwarcz é exatamente esse, alguém que pode tudo (afinal, está à frente de uma das principais editoras do país), escolhe o ofício de contar histórias. E nada mais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Declarações de amor</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/05/04/declaracoes-de-amor/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2011 17:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Editorial. Vou te contar Os olhos já não podem ver Coisas que só o coração pode entender Fundamental é mesmo o amor É impossível ser feliz sozinho&#8230; - Tom Jobim. Sozinho é a única possibilidade da literatura. Se for preciso renunciarei a ela.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Editorial.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Vou te contar</em><br />
<em>Os olhos já não podem ver</em><br />
<em>Coisas que só o coração pode entender</em><br />
<em>Fundamental é mesmo o amor</em><br />
<em>É impossível ser feliz sozinho&#8230;</em></p>
<p style="text-align: right;">- Tom Jobim.</p>
<p style="text-align: left;">Sozinho é a única possibilidade da literatura. Se for preciso renunciarei a ela.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>12 de abril</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 03:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, &#160; Hoje faz 50 anos que o homem foi pela primeira vez ao espaço. Yuri Gagarin foi lançado além dos limites do que consideramos Terra e lá deu algumas (acho que foram 3) voltas ao redor de todos nós que aqui ficamos a observar o céu. Do céu o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje faz 50 anos que o homem foi pela primeira vez ao espaço. Yuri Gagarin foi lançado além dos limites do que consideramos Terra e lá deu algumas (acho que foram 3) voltas ao redor de todos nós que aqui ficamos a observar o céu. Do céu o cosmonauta soviético olhou para nós e disse: A Terra é Azul, e linda.</p>
<p>Hoje muitos não se lembram do feito. A conquista da Lua e a derrocada do sistema soviético fez com que nós tenhamos esquecido que alguém olhou para nós e disse algo muito mais significativo que &#8220;Um pequeno passo para um homem, um grande passo para humanidade&#8221;.</p>
<p>Primeiro por que a Terra continua sendo azul e linda, enquanto a Lua permanece desabitada.</p>
<p>Ou ainda por que da conquista da lua sobraram não mais que troféus empoeirados, enquanto a conquista de nossa órbita foi essencial para a vida como conhecemos.</p>
<p>A Terra ser azul e ser linda, era algo que não sabiamos. Gagarin teve de nos contar. E depois que nos contou, um dia pudemos ver por fotografia e acreditar no que havia nos dito.</p>
<p>Mais que isso, quando olhamos para Terra (azul e linda) estamos olhando para nós mesmos, para nossa casa. Conhece a ti mesmo, disse um filósofo. A bem da verdade, a Lua, no fim das contas, continua sendo o lar apenas dos alucinados.</p>
<p>E em 1982, enquanto em uma União Soviética pré-Glasnot e pré-Perestróika (antes, ainda, do acidente de Chernobyl) comemorava 21 anos da orbitação de uma cápsula espacial tripulada, nascia na cidade de São Paulo o escritor que vos escreve.</p>
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