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	<description>Cultural e Coletivo</description>
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		<title>Comentários &#8211; O Céu dos Suicidas, de Ricardo Lísias</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Apr 2012 22:01:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Por Fernando de F. L. Torres, Para começar, preciso deixar claro: Não confio em Ricardo Lísias. Não no autor acima retratado, mas o narrador de o Céu dos Suicidas. Reiterando o que já foi dito, não importa se a estória é autobiográfica. E exatamente por isso que não confio em Ricardo Lísias. Você confiaria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2012/04/DSC00494.jpg"><img class=" wp-image-1025 aligncenter" title="DSC00494" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2012/04/DSC00494.jpg" alt="" width="746" height="560" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Para começar, preciso deixar claro: Não confio em Ricardo Lísias. Não no autor acima retratado, mas o narrador de o Céu dos Suicidas. Reiterando o que já foi dito, não importa se a estória é autobiográfica. E exatamente por isso que não confio em Ricardo Lísias. Você confiaria em um especialista em coleções? Ou mesmo, você confiaria em um especialista em coleções que sequer tem uma coleção? Este narrador em primeira pessoa não é confiável, e não só literariamente falando.</p>
<p>Mas não me parece que Ricardo parou de fazer coleções. Ricardo desistiu da coleção de tampinhas em um rito de passagem. Ao se formar no colégio, deixa as tampinhas para colecionar pessoas. Ricardo narra que ao entrar na faculdade largou as coleções para ser uma pessoa sociável, que conversa com todos. Porém o único amigo de Ricardo que se apresenta no livro é André. Nenhum outro personagem mantém um relacionamento com Ricardo senão de coadjuvante ou mesmo cenário. Alguns personagens não são mais do que mera paisagem para a jornada autocentrada do Protagonista.</p>
<p>O narrador tampouco se mostra preocupado em estabelecer ou cuidar dos relacionamentos. As pessoas estão ali para serem colecionadas. Inclusive seu único amigo. André, ao morrer passa a ser parte da coleção. (Ou será que apenas mudou de categoria na coleção?) Ricardo passa a pesquisar sobre André, vai para o manicômio onde foi internado e passa a colecionar as pessoas do manicômio. E como o narrador fica sabendo de alguns detalhes que não poderia presenciar dessas pessoas que coleciona? De duas uma: ou inventa ou os espiona. Duas possibilidades para quem, assim como amigo, coleciona paranoia, surtos e autodestruição. Será mais uma forma de colecionar o Amigo?</p>
<p>Aliás o personagem é tão paranoico e autocentrado que vê em indícios de um mistério familiar, daqueles que toda família tem, a possibilidade de colecionar uma pessoa com uma história de terrorismo. Mas o mistério familiar, por mais claro (e ordinário) que pareça desde que ele é apresentado, é distorcido diante diante desses impulsos de autodestruição e paranoia que o protagonista apresenta.</p>
<p>A narrativa é estruturada de forma que os capítulos curtos impulsionam a leitura do próximo, sempre na expectativa de que ponto o protagonista poderá chegar. Como toda coleção, a vida do protagonista nada tem de grandiosa, mas a busca desta grandiosidade em uma tentativa patética de juntar meros espectros. O protagonista agarra à memória de seu amigo morto, como um colecionador agarra à nostalgia. Ricardo Lísias (o escritor) mostra, mais uma vez pelo humor, a tragédia burguesa. A vida é cheia de som e fúria, e nada mais, a vida retratada por Lísias ressalta que este nada mais é um enorme vazio.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Autoria</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 14:44:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Cuando descubrí que tanto las matemáticas como la hitoria, la física y todas las disciplinas del saber humano tienen autores, con nombres y apellidos, me senti estafado. De pequeño, en la escuela me enseñaron todo sin mencionarme ni un cintífico de los que trabajaron en cada campo (quizá solo Newton y Galileo, por lo de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="padding-left: 60px;">
&#8220;<em>Cuando descubrí que tanto las matemáticas como la hitoria, la física y todas las disciplinas del saber humano tienen autores, con nombres y apellidos, me senti estafado. De pequeño, en la escuela me enseñaron todo sin mencionarme ni un cintífico de los que trabajaron en cada campo (quizá solo Newton y Galileo, por lo de la manzana y lo del  juicio), de modo que entendía el saber como algo absoluto, objetivo e independiente de las personas. No se podía estar en desacuerdo o entenderlo de otra maneta; era así y punto.</em>&#8221; Daniel Cassany, <em>in</em>: La Cocina de la Escritura .</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Lançamento: O Céu dos Suicidas, de Ricardo Lísias</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Apr 2012 01:06:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Anotem, comprem, leiam. &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Anotem, comprem, leiam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2012/04/convite-céu-dos-suicidas.jpg"><img class="aligncenter  wp-image-1015" title="convite céu dos suicidas" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2012/04/convite-céu-dos-suicidas.jpg" alt="" width="603" height="415" /></a></p>
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		<title>Detalhes fazem a ideologia</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2012/03/25/detalhes-fazem-a-ideologia/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 00:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[de Fernando de F. L. Torres. Hoje um texto de Leyla Perrone-Moises publicado na Ilustríssima, caderno da Folha de S. Paulo chamou a atenção dos entusiastas literatura brasileira (leia aqui). Em suma o texto descreve o que chama de &#8220;Escritor Exigente&#8221;, sendo eles em sua maioria ligados à vida acadêmica, que obrigariam seus leitores (poucos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>de Fernando de F. L. Torres.</p>
<p>Hoje um texto de Leyla Perrone-Moises publicado na Ilustríssima, caderno da Folha de S. Paulo chamou a atenção dos entusiastas literatura brasileira (<a href="http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/03/literatura-exigente-leyla-perrone.html" target="_blank">leia aqui</a>). Em suma o texto descreve o que chama de &#8220;Escritor Exigente&#8221;, sendo eles em sua maioria ligados à vida acadêmica, que obrigariam seus leitores (poucos, na opinião do texto) a uma erudição incompatível ao entretenimento. Não importa se eu gostei ou não dos livros que ali são descritos.</p>
<p>Mas me impressionou outra coisa. Hoje, no mesmo dia, a jornalista cultural Raquel Cozer assina a reportagem que traz um perfil de Luciana Villas-Boas (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/serafina/1066576-apos-deixar-record-luciana-villas-boas-inaugura-agencia-literaria.shtml" target="_blank">leia aqui</a>), na Revista Serafina do mesmo jornal, em que a personagem declara &#8221;<em>Em geral, os estrangeiros acham a literatura feita aqui cabeça demais</em>&#8220;. Não acho que a Raquel, seja responsável pela &#8220;tendência ideológica&#8221; que eu vejo se apresentar na Folha de S. Paulo este domingo. Tampouco creio que ela concorde com estas posições. Mas seria ingenuidade minha acreditar que a jornalista não tenha percebido a mensagem ser propagada em ambos suplementos. Dentro dos interesses corporativos o jornal de hoje mostra claramente uma ideologia que está sendo construída e propagada.</p>
<p>Vamos rever alguns fatores: investimento estrangeiro nas principais editoras nacionais, entrada de selos, a proximidade da próxima Feira de Frankfurt (Brasil recebendo atenção que nunca recebera antes)&#8230;</p>
<p>Nesses pequenos detalhes se faz uma ideologia. Um artigo aqui, uma citação ali e começam a se formarem opiniões. Ninguém está inventando a roda. A tradição de erudição também é uma ideologia que foi implementada aos poucos na literatura brasileira.</p>
<p>Lembremos do primeiro parágrafo de Memórias Póstumas de Brás Cubas:</p>
<p style="padding-left: 60px;">&#8220;<em>Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.</em>&#8220;</p>
<p>Eu consigo pescar uma boa meia dúzia de referências neste parágrafo. Vejo também uma apresentação de um novo tipo de literatura. Vejo exatamente o início da literatura que agora o texto de Perrone-Moisés faz sua crítica. Não quero entrar em pormenores de que ela estaria detonando Machado, sua tradição, tal e coisa. Mas está neste primeiro parágrafo a semente daquilo que se tornou a literatura do &#8220;Autor Exigente&#8221;.</p>
<p>Graciliano Ramos também estabeleceu no início de seu romance S. Bernardo:</p>
<p style="padding-left: 60px;">&#8220;<em>Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.</em>&#8220;</p>
<p>Dois detalhes óbvios que tanto já foram discutidos. O livro se chama &#8220;S. Bernardo&#8221; e não &#8220;São Bernardo&#8221;, e a declaração que remete diretamente à ideologia marxista logo na primeira linha. São elementos de uma ideologia, são elementos de uma proposta para literatura brasileira.</p>
<p>São dois autores essenciais e que introduziram o viés ideológico por sua literatura. Um estudioso das obras fariam paralelos com outros textos publicados pelos autores em jornais e outros periódicos, com outros autores de seus tempos.</p>
<p>Não quero, porém, defender qualquer um dos &#8220;Autores Exigentes&#8221;. Mas precisamos ressaltar que eles são produtos de nosso tempo, não são uma aparição isolada na literatura brasileira, conversam com Rushdie, David Foster Wallace? Recebem a tradição de Raduan Nassar? Cada qual terá seus modelos e não estão sozinhos. Mas agora interessa vender a literatura brasileira. Precisamos transformar nossos escritores em objeto de consumo para o exterior. É isto que a Folha de São Paulo disse hoje. Não mais, não menos. E assim está sendo construída uma nova ideologia para nossa literatura.</p>
<p>Não sei qual será o resultado. Se for o pluralismo, um tanto melhor.</p>
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		<title>Entre trangressões, resistência e literatura</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/12/16/entre-transgressoes-resistencia-e-literatura/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 23:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L . Torres, Não é incomum que eu escreva neste espaço para comentar posts de outros escritores ou notícias sobre literatura. Hoje não é diferente. Escrevo para comentar o texto da Carol Bensimon &#8220;A Maior das Transgressões&#8221;, publicado no Blog da Companhia das Letras. A Carol é autora de dois livros que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L . Torres,</p>
<p>Não é incomum que eu escreva neste espaço para comentar posts de outros escritores ou notícias sobre literatura. Hoje não é diferente. Escrevo para comentar o texto da<a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/a-maior-das-transgressoes/"> Carol Bensimon &#8220;A Maior das Transgressões&#8221;, publicado no Blog da Companhia das Letras</a>.</p>
<p>A Carol é autora de dois livros que gosto muito: &#8220;Pó de Parede&#8221; (Não Editora) e &#8220;Sinuca embaixo d&#8217;água&#8221; (Cia. das Letras). São livros bem escritos e de impecável técnica literária. Fica claro que a escritora tem uma relação de amor à literatura. Encontrei-a duas vezes aqui em São Paulo, uma vez no lançamento de seu livro e outra em um evento literário. Não conversamos muito.</p>
<p>Por essas e outras acompanho o que ela escreve no Blog da editora que a publica com relativa atenção. (Nem todos autores que ali escrevem me chamam a atenção, o que é natural.) E achei esse seu último texto muito bonito. É uma declaração de amor a uma causa, embora eu não concorde inteiramente com suas premissas.</p>
<p>A Carol fala que literatura é trangressão e faz a crítica aos valores estabelecidos. Minha visão é ligeralmente diferente, para mim a literatura é resistência, pois estimula a reflexão em uma sociedade cujo valor é a alienação. Acho que isso decorre de uma premissa diversa que tenho. Ela coloca como se se nossa geração estivesse em um processo de superficialização e alienação. Não concordo. Na geração de meus pais, a maioria dos jovens não liam, não tinham posição política clara, ou mesmo, eram favoráveis ao hediondo regime militar. A maioria dos jovens da geração de meus pais não foi presa. Nem todo jovem daquela geração era hippie, poucos entendiam ou sabiam o que era contra-cultura.</p>
<p>Nós cultuamos uma ilusão. Assim como o Flaneur do romantismo, assim como qualquer tipologia de artista que podemos conceber ou lembrar é um tipo marginalizado. A Paris de Hemmingway, Picasso, Capa, Dali etc. não é necessariamente a Paris daquela época. Aliás, tomamos o registro da vida de um grupo como se fosse a vida de todos. Escrever, consciênte do papel do escritor na sociedade, é resistência pois este, em vida, é relegado ao papel marginal.</p>
<p> E olhando assim, me vejo ainda mais romântico que a própria Carol. O papel do escritor como seu próprio herói, deslocado da sociedade ou de si mesmo.  E paradoxalmente, quanto mais escrevo me afasto e me aproximo deste herói. Salvo minha vida, mas me condeno ao exílio. Por amor? Sim. Não pela literatura, mas pelo paradoxo.</p>
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		<title>Muitos Livros</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/12/08/muitos-livros/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 23:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Acabo de ler o excelente post que Talita Camargo escreveu sobre a saturação do mercado literário. Posso dizer que concordo em parte. Definitivamente não somos um país de leitores, os escritores de ficção dos mais diversos gêneros reclamam que não são lidos. Existem exceções. E têm gente, inclusive, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Acabo de ler o <a href="http://nomundoeditorial.blogspot.com/2011/12/mercado-editorial-um-grito-de-alerta.html" target="_blank">excelente post que Talita Camargo escreveu sobre a saturação do mercado literário</a>. Posso dizer que concordo em parte. Definitivamente não somos um país de leitores, os escritores de ficção dos mais diversos gêneros reclamam que não são lidos. Existem exceções. E têm gente, inclusive, que clama viver de literatura, escrevendo.</p>
<p>Reclamamos que o livro é caro, que não há divulgação, que não existe mais crítica independente, que&#8230; enfim reclamamos demais. Mas se formos em qualquer final de semana às principais livrarias da cidade de São Paulo, elas estarão lotadas e com filas nos caixas. Agora na época de natal será um verdadeiro martírio e ficaremos em dúvida se não era melhor ir à 25 de março comprar umas lembrancinhas.</p>
<p>Existem dois fatos muito interessantes envolvidos nisso. Primeiro é o mercado que se auto alimenta. Alguns poucos livros têm tiragem que ultrapassam as milhões de cópias, outros que chegam às centenas de milhares. A grande maioria dos livros não ultrapassam a marca de três mil exemplares.  Ou seja, as pessoas estão todas lendo os mesmos três ou quatro livros. Algumas editoras apostam suas fichas em encontrar esse novo recordista de vendas. Mas o mais preocupante é que algumas editoras vendem ao autor, literalmente vendem, o sonho de ser o próximo a aparecer na lista dos mais vendidos. Assim o mercado fica saturado de obras medianas e ruins.  </p>
<p>O segundo fato é que virou chique presentar os outros com livros. As vezes me parece que as pessoa compram mais livros para os outros que para si. E quem ganha o livro nem sempre os lê, por falta de interesse no título especícico ou em simplesmente em ler. Assim, o livro se tornou um artigo de decoração. O objeto livro tem uma função na sociedade que se afasta de sua concepção pelos autores (com exceções, é claro).</p>
<p>Não me preocupa a existência de uma bolha de mercado prestes a estourar. Me preocupa o sucateamento de nosso mercado literário em que o conteúdo não interessa mais. Assim bons textos estão se perdendo no mar de títulos e bons escritores talvez não cheguem a ser conhecidos. Meu temor é que estejamos perdendo a oportunidade pescar grandes talentos, pois seu livro está na baciada e não chegará aos leitores. Talvez seu lugar seja não lido em uma prateleira, se a capa for bonita.</p>
<p>Não faço previsões para o futuro da literatura brasileira. Mas sou pessimista. Identifico muitas de minha opiniões no texto de Bernardo Carvalho para a Piauí &#8220;<a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-62/questoes-de-literatura-e-propriedade/em-defesa-da-obra" target="_blank">em defesa da obra</a>&#8220;.</p>
<p>A minha esperança e medo é que as tendências de moda e decoração  mudem e os livros deixem de ter um triste destino de permanecer intocado na prateleira. A bolha vai estourar se isso acontecer? Sim. Mas o conteúdo voltará ao seu devido lugar: o destaque.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sobre o teto de uma casa</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/10/13/sobre-o-teto-de-uma-casa/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 21:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento. &#160; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De onde estou. olhando através de uma janela, não noto qualquer outro indicativo que junto àquele vaso existe qualquer resquício de área de lazer. Não há uma horta, ou uma cadeira ou qualquer indício que o vaso, no qual existe uma pequena árvore, tem qualquer função outra que apenas estar ao lado do catavento.</p>
<p>Não deve ter sido fácil colocar o vaso, com a planta, onde ele está. Não vejo saídas da casa que vão diretamente ao teto. Mas vejo apenas de um lado. Com certeza existe um platô em que o vaso está colocado, mas de onde estou não o vejo, apenas o vaso e o catavento.</p>
<p>O catavento por si me lembra um brinquedo infantil. O catavento na mão da menina que na janela do carro sente o vento no rosto e olhos fixos no frágil brinquedo girando veloz.</p>
<p>Este catavento tem duas hélices que giram em sentido alternado. Eu sei exatamente como funciona, ou em tese como deveria funcionar, o catavento que vejo pela janela e sobre o telhado da casa.</p>
<p>Tantos detalhes que passam desapercebidos aos olhos transeuntes, e, tantos detalhes que um dia deixei de escrever, de anotar como um vaso ou um catavento sobre telhados.</p>
<p>&#8212;&#8212;</p>
<p>Não esqueçam do lançamento do livro do Mundo Mundano, do qual participo. Mais detalhes <a href="http://arlequinal.com.br/2011/10/13/convite-lancamento-mm/">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Convites: Lançamento MM e Alex Castro (Atualizado)</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/10/13/convite-lancamento-mm/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 13:55:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Deste Livro eu participo. &#160; &#160; Este divulgo para um amigo: &#160;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Deste Livro eu participo.</p>
<p><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/convite-email-20H00.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-981" title="convite - email - 20H00" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/convite-email-20H00.jpg" alt="" width="600" height="666" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Este divulgo para um amigo:</p>
<p><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Alex_convite.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-988" title="Alex_convite" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/Alex_convite.jpg" alt="" width="500" height="354" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Dessa Tinta</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 20:02:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso aconteceu. Mas&#8230; a tinta faz falta?</p>
<p>Obviamente o epitáfio da tinta é metafórico. E não falo nem do livro digital. Nem mesmo repito aqueles argumentos já sonolento dos escritores que hoje ninguém mais lê no Brasil. Em nenhum momento de sua história o Brasil foi um país de leitores, as estatísticas sobre o analfabetismo estão aí para desestruturar o argumento que cada vez se lê menos.</p>
<p>Nossa relação com a palavra escrita mudou. Antes ela era de se colocar debaixo do braço. Quem podia tinha livros e jornais para carregar debaixo do braço. Os alfabetizados eram donos da palavra escrita. Depois, um dia não sei bem o porquê, tenho a noção que a palavra estava nos mimógrafos. Foi o boom do conto, foi o panfleto, e este minguou. a palavra virou pública e virou outdoor. E um dia proibiram o outdoor em São Paulo e a palavra resiste apenas sem a tinta. Piscando nas telas dos computadores.</p>
<p>Mas a tinta morreu. Você sabia? A caneta, esse objeto que já foi status, que já foi bic ou kilométrica sumiu das mãos e dos bolsos. Vou ao fórum e os estagiários fotografam os processos. Sou do tempo que anotávamos em fichas o andamento dos processos. Procure alguém rabiscando um guardanapo enquanto espera no restaurante ou quando fala no telefone.</p>
<p>Pouco à pouco não ouço mais a expressão &#8220;carregou nas tintas&#8221;, aliás, agora as pessoas &#8220;têm imagens carregadas&#8221;, a tinta deixa de ser cultura. Tinta, tinta&#8230; o que fizeram de você?</p>
<p>Mas se o disco de Vinil teve seu ressurgimento, por que não a tinta? Em algum lugar deve existir o Movimento Revolucionário Tinta na Mão, associado ao Grupo de Resistência Cheiro do Livro e com a Frente dos Espancadores de Máquina de Escrever, preparando o contragolpe.</p>
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		<title>Lançamento: Dentes Negros &#8211; André de Leones</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 00:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Na quinta-feira da próxima semana, dia 06/10,  André de Leones lança seu novo romance &#8220;Dentes negros&#8221;. O coquetel será na Livraria da Vila, na Fradique Coutinho 915, a partir das 18:30hs (e até as 21:30hs).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<div>Na quinta-feira da próxima semana, dia 06/10,  André de Leones lança seu novo romance &#8220;Dentes negros&#8221;.</div>
<div>O coquetel será na Livraria da Vila, na Fradique Coutinho 915, a partir das 18:30hs (e até as 21:30hs).</div>
<div><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/dentesconvite.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-969" title="dentesconvite" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2011/10/dentesconvite-1024x706.jpg" alt="" width="717" height="494" /></a></div>
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