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	<title>Arlequinal &#187; Crônica</title>
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	<description>Cultural e Coletivo</description>
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		<title>Sobre o teto de uma casa</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 21:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento. &#160; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De onde estou. olhando através de uma janela, não noto qualquer outro indicativo que junto àquele vaso existe qualquer resquício de área de lazer. Não há uma horta, ou uma cadeira ou qualquer indício que o vaso, no qual existe uma pequena árvore, tem qualquer função outra que apenas estar ao lado do catavento.</p>
<p>Não deve ter sido fácil colocar o vaso, com a planta, onde ele está. Não vejo saídas da casa que vão diretamente ao teto. Mas vejo apenas de um lado. Com certeza existe um platô em que o vaso está colocado, mas de onde estou não o vejo, apenas o vaso e o catavento.</p>
<p>O catavento por si me lembra um brinquedo infantil. O catavento na mão da menina que na janela do carro sente o vento no rosto e olhos fixos no frágil brinquedo girando veloz.</p>
<p>Este catavento tem duas hélices que giram em sentido alternado. Eu sei exatamente como funciona, ou em tese como deveria funcionar, o catavento que vejo pela janela e sobre o telhado da casa.</p>
<p>Tantos detalhes que passam desapercebidos aos olhos transeuntes, e, tantos detalhes que um dia deixei de escrever, de anotar como um vaso ou um catavento sobre telhados.</p>
<p>&#8212;&#8212;</p>
<p>Não esqueçam do lançamento do livro do Mundo Mundano, do qual participo. Mais detalhes <a href="http://arlequinal.com.br/2011/10/13/convite-lancamento-mm/">aqui</a>.</p>
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		<title>Dessa Tinta</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 20:02:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso aconteceu. Mas&#8230; a tinta faz falta?</p>
<p>Obviamente o epitáfio da tinta é metafórico. E não falo nem do livro digital. Nem mesmo repito aqueles argumentos já sonolento dos escritores que hoje ninguém mais lê no Brasil. Em nenhum momento de sua história o Brasil foi um país de leitores, as estatísticas sobre o analfabetismo estão aí para desestruturar o argumento que cada vez se lê menos.</p>
<p>Nossa relação com a palavra escrita mudou. Antes ela era de se colocar debaixo do braço. Quem podia tinha livros e jornais para carregar debaixo do braço. Os alfabetizados eram donos da palavra escrita. Depois, um dia não sei bem o porquê, tenho a noção que a palavra estava nos mimógrafos. Foi o boom do conto, foi o panfleto, e este minguou. a palavra virou pública e virou outdoor. E um dia proibiram o outdoor em São Paulo e a palavra resiste apenas sem a tinta. Piscando nas telas dos computadores.</p>
<p>Mas a tinta morreu. Você sabia? A caneta, esse objeto que já foi status, que já foi bic ou kilométrica sumiu das mãos e dos bolsos. Vou ao fórum e os estagiários fotografam os processos. Sou do tempo que anotávamos em fichas o andamento dos processos. Procure alguém rabiscando um guardanapo enquanto espera no restaurante ou quando fala no telefone.</p>
<p>Pouco à pouco não ouço mais a expressão &#8220;carregou nas tintas&#8221;, aliás, agora as pessoas &#8220;têm imagens carregadas&#8221;, a tinta deixa de ser cultura. Tinta, tinta&#8230; o que fizeram de você?</p>
<p>Mas se o disco de Vinil teve seu ressurgimento, por que não a tinta? Em algum lugar deve existir o Movimento Revolucionário Tinta na Mão, associado ao Grupo de Resistência Cheiro do Livro e com a Frente dos Espancadores de Máquina de Escrever, preparando o contragolpe.</p>
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		<title>12 de abril</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 03:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, &#160; Hoje faz 50 anos que o homem foi pela primeira vez ao espaço. Yuri Gagarin foi lançado além dos limites do que consideramos Terra e lá deu algumas (acho que foram 3) voltas ao redor de todos nós que aqui ficamos a observar o céu. Do céu o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje faz 50 anos que o homem foi pela primeira vez ao espaço. Yuri Gagarin foi lançado além dos limites do que consideramos Terra e lá deu algumas (acho que foram 3) voltas ao redor de todos nós que aqui ficamos a observar o céu. Do céu o cosmonauta soviético olhou para nós e disse: A Terra é Azul, e linda.</p>
<p>Hoje muitos não se lembram do feito. A conquista da Lua e a derrocada do sistema soviético fez com que nós tenhamos esquecido que alguém olhou para nós e disse algo muito mais significativo que &#8220;Um pequeno passo para um homem, um grande passo para humanidade&#8221;.</p>
<p>Primeiro por que a Terra continua sendo azul e linda, enquanto a Lua permanece desabitada.</p>
<p>Ou ainda por que da conquista da lua sobraram não mais que troféus empoeirados, enquanto a conquista de nossa órbita foi essencial para a vida como conhecemos.</p>
<p>A Terra ser azul e ser linda, era algo que não sabiamos. Gagarin teve de nos contar. E depois que nos contou, um dia pudemos ver por fotografia e acreditar no que havia nos dito.</p>
<p>Mais que isso, quando olhamos para Terra (azul e linda) estamos olhando para nós mesmos, para nossa casa. Conhece a ti mesmo, disse um filósofo. A bem da verdade, a Lua, no fim das contas, continua sendo o lar apenas dos alucinados.</p>
<p>E em 1982, enquanto em uma União Soviética pré-Glasnot e pré-Perestróika (antes, ainda, do acidente de Chernobyl) comemorava 21 anos da orbitação de uma cápsula espacial tripulada, nascia na cidade de São Paulo o escritor que vos escreve.</p>
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		<title>Já que você não está fazendo nada</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2010/12/16/ja-que-voce-nao-esta-fazendo-nada/</link>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 23:50:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Tenho quase certeza que você já enfrentou essa situação: acordou um sábado de manhã, ainda de pijama resolveu ler aquele livro que está na sua mesa de cabeceira, quando sua/seu (namorada/o, esposa/marido, noiva/noivo, mãe, pai, cachorro, gato, galinha) olha para você e diz “Já que você não está fazendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Tenho quase certeza que você já enfrentou essa situação: acordou um sábado de manhã, ainda de pijama resolveu ler aquele livro que está na sua mesa de cabeceira, quando sua/seu (namorada/o, esposa/marido, noiva/noivo, mãe, pai, cachorro, gato, galinha) olha para você e diz “Já que você não está fazendo nada&#8230;” e te pede para realizar uma tarefa.</p>
<p>Para começo de conversa, a pessoa inicia o pedido com uma premissa errada, você está fazendo alguma coisa, você está lendo. Se você tivesse alugado um filme e colocado o disco no seu DVD, a pessoa não pediria para você realizar aquela tarefa, se você ligasse o computador e ficasse se distraindo com as famosa mídias sociais, não haveria pedido. Mas não, você está lendo.</p>
<p>Meu caso se agrava, alguns anos atrás decidi ser escritor profissional. Porém nunca abandonei a ideia de ser advogado (nem abandonarei). Por consequência, tento aproveitar o tempo livre para colocar a leitura em dia. De tal forma, quando estou lendo em um sábado de manhã, estou trabalhando. E sim, considero absolutamente válido trabalhar de pijama, aliás, todo mundo deveria trabalhar de pijama de vez em quando para ver como é bom.</p>
<p>Quando percebi que situação era reiterada, resolvi mudar de tática aos sábados pela manhã. Passei a acordar, preparar o café-da-manhã, arrumar a cozinha, tomar banho, vestir uma roupa, vistoriar a casa por possíveis tarefas, perguntar se alguém precisa de ajuda e então sentar ao meu sofá com um livro. Mas ali no segundo parágrafo a/o (namorada/o, esposa/marido, noiva/noivo, mãe, pai, cachorro, gato, galinha) e quer conversar. Afinal, você não está fazendo nada e é um ótimo horário para conversar sobre a semana, fofocas da família, aquele texto que a Camila publicou no Mundo Mundano&#8230;</p>
<p>Acredite, tenho o maior prazer de conversar com as pessoas. Sou capaz de perder a hora quando estou ao redor de uma mesa. Adoro quando o o almoço vai até o sol se por numa boa conversa, ou o jantar entra na madrugada acompanhado de pessoas queridas. Quando vou para casa do meu avô passo horas com ele entre chistes e bromas, sentado na mesa tomando um Mate-Couro (refrigerante típico de Minas Gerais) ou um café e pão com manteiga. Ou seja, não enfio meu nariz no livro para fugir de pequenas tarefas domésticas ou interação com as pessoas, mas por que ler é um objetivo em si mesmo.</p>
<p>Mesmo que eu quisesse aproveitar um tempo sem fazer nada, em meus pensamentos, sem o barulho da televisão ou do rádio. Organizar umas ideias ou descansar a cabeça daquelas trinta e cinco mil atividades que você teve durante a semana. Isso não é válido? Ficar um pouco em silêncio? Ficar quieto? Ficar sem fazer nada? Por favor&#8230;. só um pouquinho!</p>
<p>Mas agora estou com uma nova tática. Leio meus livros na frente do computador ligado. Por enquanto está funcionando.</p>
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		<title>Não confie em um escritor</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2010/12/13/nao-confie-em-um-escritor/</link>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 12:37:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Entre tantos conselhos que darei à minha pequena Madá (filha que ainda não tenho, mas que está nos meus planos para esta década), tais como não falar com estranhos e sempre ter um cartão telefônico para emergências (na minha adolescência eu sempre tinha fichas), estará o de não receber [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Entre tantos conselhos que darei à minha pequena Madá (filha que ainda não tenho, mas que está nos meus planos para esta década), tais como não falar com estranhos e sempre ter um cartão telefônico para emergências (na minha adolescência eu sempre tinha fichas), estará o de não receber homenagens daqueles que se dizem escritores.</p>
<p>Eu me disfarço bem no dia a dia. Se alguém me pergunta eu logo digo: Sou advogado. Gosto de ler e escrevi um livro, mas bom escritor não se diz escritor. É jornalista, Advogado, Vagabundo ou qualquer outra coisa menos escritor.</p>
<p>Mas acontece que, ao final de um longo dia de aula, em que alunos de diferentes turmas de pós graduação em direito (Trabalhista, Contratos, Tributário, Educacional etc) tiveram aula no mesmo auditório para o encerramento do ano letivo, uma das assistentes de uma das turmas com quem por vezes converso me aborda e diz com brilho nos olhos: &#8220;Ganhei uma crônica!&#8221;</p>
<p>Atônito, penso logo em doença. Crônica? penso eu &#8211; Apendicite? Será? Mas minha querida amiga, complementa: &#8220;Aquele aluno é escritor, disse que vai escrever uma crônica sobre mim.&#8221; Eita! Penso eu.</p>
<p>Aquelas palavras, ditas com tanto gosto. Ele. É. Escritor. Será que revelo, que por trás desse advogado com barba por fazer, que passa os sábados em curso de Pós Graduação, existe um escritor? Que publiquei meu primeiro livro este ano? Que recebi um certo retorno crítico positivo? Que&#8230; nada mais.</p>
<p>Não. Não posso. Não devo.</p>
<p>Pensei em questioná-la: Escritor do que? Onde? Que livros publicou? Mas hoje qualquer um é escritor, basta um blog e alguma disposição. Mas, quantas crônicas será que escreveu o personagem da nossa conversa para as jovens mulheres? Você vai verificar se a obra é original? E a qualidade literária dela, importa?</p>
<p>Mas não fiz nada disso. Com a certeza de que todo escritor deveria querer queimar cada um dos seus originais (como foi Kafka) ou roubar exemplares de seus livros da casa de amigos (como Dalton Trevisan) ou se esconder da fama (J. D. Salinger e Raduan Nassar). Desprezo o rapaz.</p>
<p>Que coisa feia! Usando o nobre nome da literatura indevidamente? Mas a Literatura não tem nada de nobre. Nem sei para que ela serve, nesse mundo em que tudo deve ter uma serventia. Mas para isso eu acho que não é. Ou é?</p>
<p>Já sei!</p>
<p>Entendi!</p>
<p>A literatura (pelo menos a boa) é essencialmente uma mentira. Uma mentira cuja verosimilhança lhe dá ares de verdade. É, portanto, como qualquer mentira bem contada, perigosíssima. Nas mãos erradas pode causar danos catastróficos.</p>
<p>Cuidado menina! Se um escritor lhe oferece uma literatura-flerte, saiba que ele está lhe oferecendo uma mentira-flerte. Vinicius de Morais até tem seu charme canalha (&#8220;que seja eterno enquanto dure&#8221;), mas nem todos são o poetinha.</p>
<p>Como não pude dar o conselho a tempo para minha amiga, guardo para minha filha: Não confie em escritores, a mentira é sua matéria prima.</p>
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		<title>Novos Diálogos Curtos</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2010/08/18/novos-dialogos-curtos/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 22:39:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando Torres Dois amigos: - Apagaram minha conta de Facebook. Sou Homónimo de um jogador de Futebol. - Quem mandou ter nome igual a ele? - Ele que tem o nome igual ao meu, sou mais velho. - Mas ninguém nunca te viu chutar uma bola. - Nem ele a escrever diálogos curtos. &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando Torres</p>
<p>Dois amigos:</p>
<p>- Apagaram minha conta de Facebook. Sou Homónimo de um jogador de Futebol.</p>
<p>- Quem mandou ter nome igual a ele?</p>
<p>- Ele que tem o nome igual ao meu, sou mais velho.</p>
<p>- Mas ninguém nunca te viu chutar uma bola.</p>
<p>- Nem ele a escrever diálogos curtos.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Duas senhoras no ônibus:</p>
<p>- Me disseram que eu não tenho pobrema, mas problema.</p>
<p>- Eles não entendem. Problema é o que você resolve na escola. Pobrema é o que você tem na vida.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>- O senhor deixou cair esse papel.</p>
<p>- Não. Joguei no chão mesmo.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>- Mãe, por que você se apaixonou pelo papai?</p>
<p>- Ah&#8230; Ele era muito engraçado.</p>
<p>-  Nossa! E o que aconteceu com ele?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>- Aquele Francês falou que feijoada tem aparência de merda.</p>
<p>- Deve ter gostado, para quem só come caramujo e carne de segunda&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Diálogos curtos</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2010/08/14/dialogos-curtos/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 14:04:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Editorial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L.  Torres. &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- Três professores universitários entram em um elevador: - Quando eu era pequeno eu  pequeno eu queria me chamar Roberto &#8211; disse o professor de sociologia. - Engraçado, eu queria é ser astronauta &#8211; respondeu o professor de direito. - Eu queria ser Girafa &#8211; complementou o professor de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L.  Torres.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Três professores universitários entram em um elevador:</p>
<p>- Quando eu era pequeno eu  pequeno eu queria me chamar Roberto &#8211; disse o professor de sociologia.</p>
<p>- Engraçado, eu queria é ser astronauta &#8211; respondeu o professor de direito.</p>
<p>- Eu queria ser Girafa &#8211; complementou o professor de filosofia.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Dois senhores no banco preferencial no vagão do metrô:</p>
<p>- O senhor é idoso? &#8211; perguntou o decano.</p>
<p>- Tenho 59 anos &#8211; respondeu o outro.</p>
<p>- Cristão?</p>
<p>- Sim</p>
<p>- Machista?</p>
<p>- Também.</p>
<p>- Tem cara.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Dois colegas de trabalho:</p>
<p>- Você viu a última Playboy?</p>
<p>- Não vi, mas me disseram que a moça está&#8230;</p>
<p>- Deslumbrante.</p>
<p>- Isso, foi bem isso que me disseram.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>- Seu pai se animou a casar comigo.</p>
<p>- Hum.</p>
<p>- Acho que foi a nova lei do divórcio. Você não quer falar com sua mãe para resolver isso?</p>
<p>- Não.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Só Deus Ex Machina Salva</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2010/05/25/so-deus-ex-machina-salva/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 18:54:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando Torres, Semana passada, minha amiga e escritora Olivia Maia perguntou no twitter como fazer para resolver um problema em seu romance sem forçar a revelação por &#8220;Deus ex Machina&#8221;. Segundo a Wikipédia (que cito tão somente por preguiça de procurar fonte melhor)  &#8220;Sua origem encontra-se no teatro grego e refere-se a uma inesperada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando Torres,</p>
<p>Semana passada, minha amiga e escritora Olivia Maia perguntou no twitter como fazer para resolver um problema em seu romance sem forçar a revelação por &#8220;Deus ex Machina&#8221;.</p>
<p>Segundo a Wikipédia (que cito tão somente por preguiça de procurar fonte melhor)  <em>&#8220;Sua origem encontra-se no teatro grego e refere-se a uma inesperada, artificial ou improvável personagem, artefato ou evento introduzido repentinamente em um trabalho de ficção ou drama para resolver uma situação ou desemaranhar uma trama. Em termos modernos, </em><em>Deus ex machina </em><em>também pode descrever uma pessoa ou uma coisa que de repente aparece e resolve uma dificuldade aparentemente insolúvel. Enquanto que em uma narrativa isso pode parecer insatisfatório, na vida real este tipo de figura pode ser bem-vindo e heróico</em>&#8220;.</p>
<p>No filme Adaptação, o roteirista Charlie Kaulfmann, em um filme cheio de metalinguagem, brinca com o princípio de &#8220;nunca apele para &#8216;Deus ex machina&#8217;&#8221;. É provável que esse seja o melhor roteiro de Charlie Kaulfmann.</p>
<p>Mas esse final de semana fiquei pensando sobre o recurso enquanto eu brincava com os filhos pequenos de minha tia e achei que eu poderia contar uma história para ilustrar como, às vezes, o fenômeno acontece na vida real.</p>
<p>Alexsandra, para obter bolsa no cursinho preparatório para o vestibular em que trabalhava como monitora de sala. Assistia as aulas pela manhã, passava a tarde estudando e de noite cumpria sua função. Bastante magra e bonita, também era tímida, e evitava a sala 54 tarde, desde que uma vez no final da tarde, quando foi contar o numero de alunos na sala causou uma agitação púbere de assobios e gritos.</p>
<p>Porém, naquele dia era aniversário de um de seus colegas de trabalho, e justamente no dia que seriam trocados os adesivos de acesso nas carteiras de acesso ao prédio do cursinho. Logo, todos os monitores se reuniram para ajudar na tarefa. Alexsandra chegou mais cedo para ajudar.</p>
<p>Meus avós se separaram no final da década de 60, sendo que meu avô manteve contato bastante limitado com a família durante muitos anos. Ele era uma figura misteriosa que eu encontrava uma ou duas vezes por ano, quase sempre no aniversário de minha mãe.</p>
<p>Neste mesmo dia, eu que era aluno da sala 54 tarde fui chamado entre uma uma aula e outra pelo monitor responsável pela minha sala. Achei muito estranho, era improvável que meu pai, o homem mais organizado que conheço, tivesse deixado de pagar a mensalidade. Assim acreditei que algo devia ter acontecido de errado.</p>
<p>O monitor que me pediu que eu deixasse a sala apontou para Alexsandra, com quem eu devia conversar. Ela estava com minha carteira na mão e me perguntou séria &#8220;você sabe quem eu sou?&#8221;, e responder que ela a monitora da noite era redundante. Fiquei esperando a resposta da pergunta que me parecia ser retórica.</p>
<p>Quando Alexsandra começou a organizar as carteiras de acesso, logo dividiu com um dos colegas as cartelas de adesivo. Um colega ficou com a cartela do Aaron até uma Fernanda, ela do Fernando ao até Maria e um terceiro de Maria até o final. A primeira carteira que ela adesivou tinha a foto de um rapaz de cabelos longos com o mesmo sobrenome que ela. Alexsandra que era filha do segundo casamento de seu pai, sempre soubera que tinha uma família que não conhecia, e lá estava a minha carteira de acesso ao cursinho. Toda a família que ela não conhecia estava diante dela.</p>
<p>Eu não percebi, mas uma das monitoras me contou que quando ela viu meu nome escrito na carteira ela começou a tremer. Ficou apavorada, o sobrinho que durante toda infância ela imaginou conhecer estava atrás da porta. E ela simplesmente não sabia o que fazer.</p>
<p>Se não fosse aniversário do colega naquele dia, se naquele dia não fosse o dia de trocar os adesivos, se ela não tivesse começado a trabalhar mais cedo, se tantas coisas não tivessem conspirado para que aquele encontro acontecesse, ela não teria me conhecido nem teria conhecido toda a família que meu avô manteve longe dela.</p>
<p>Se uma situação tão pouco verossímil não tivesse ocorrido, eu não teria brincado com meus primos pequenos no final de semana, nem teria escrito esse post. As vezes, só Deus Ex Machina salva.</p>
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		<title>Futebol e arte (ou futebol arte)</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 15:05:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Fernando Torres (tema sugerido por minha amiga Olívia Maia) Eu já escrevi um conto sobre futebol. O Esporte me encanta, assim como a milhões de pessoas. A Copa do mundo está chegando e podemos esperar uma invasão de livros relacionados ao tema nas livrarias no primeiro semestre. Veremos os gols de Pelé em 58 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando Torres</p>
<p><em>(tema sugerido por minha amiga Olívia Maia)</em></p>
<p><img src="file:///C:/Users/Fernando/AppData/Local/Temp/moz-screenshot-11.jpg" alt="" /><img src="file:///C:/Users/Fernando/AppData/Local/Temp/moz-screenshot-12.jpg" alt="" /><img class="alignleft" style="margin: 1px 3px;" title="Garrincha" src="http://www1.folha.uol.com.br/folha/galeria/album/images/20030902-garrincha-01.jpg" alt="" width="206" height="304" />Eu já escrevi um conto sobre futebol. O Esporte me encanta, assim como a milhões de pessoas. A Copa do mundo está chegando e podemos esperar uma invasão de livros relacionados ao tema nas livrarias no primeiro semestre. Veremos os gols de Pelé em 58 e 70 repetidamente nas telas da televisão e quiçá do cinema. Em agosto estaremos exaustos.</p>
<p>Em breve você ouvirá qualquer pessoa com mais de 40 anos exaltando o futebol arte (58, 62, 70, 82 e 86 seão seus exemplos), referincia necessária à Pelé e Garrincha, Sócrates, Tostão, Rivelino, Gérson, Zico entre tantos talentos. Logo vão dizer que os jogadores brasileiros se venderam, que só ligam para dinheiro. E nós que temos vagas lembranças de 1986 e alguma memória de 1990 seremos obrigados a concordar.</p>
<p>Fico tentando lembrar como o futebol marca nossas artes e chego a um ponto que mal me lembro de algum livro que o mencione. Lembro de alguns livros Ingleses como &#8220;Febre de Bola&#8221; do Nick Hornby. Mas brasileiro? Não, não lembro. Nossa intelectualidade não gosta de futebol (à exceção de uns poucos como Nelson Rodrigues, que é o maior cronista esportivo que esse país já teve, l<a href="http://www.eloizanetti.com.br/lernoticia.asp?cod=138">eia aqui uma de suas crônicas</a>). Acho incrível como consigo lembrar de fotografias e quadros. O nosso cinema (ficção e documental) adora futebol. A Música nem se fala. Chico fala em uma porção de músicas, Jorge Ben também é um entusiasta. Minha preferida é &#8220;Flecha Funiô&#8221; de Antônio Nóbrega, em homenagem à Garrincha.</p>
<p>Agora, lembro até de uma poesia de Carlos Drummond. Mas e nossa Prosa? Alguem pode me ajudar? Até por que o <a href="http://colunistas.ig.com.br/sergiorodrigues/2006/05/08/esportes-coletivos-no-do-liga/">Sérgio Rodrigues não lembrou de nada relevante</a>.</p>
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		<title>A vida não se resume em festivais</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 14:30:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando Torres Nas últimas semanas aconteceram uma série de lançamentos e mesas literárias em São Paulo. Imagino que, com a aproximação do natal, os autores devam apressar suas editoras para realizar o lançamento de seus livros. Assim, tomando muito vinho branco nacional (de melhor ou pior qualidade, dependendo da livraria), às vezes comendo alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando Torres</p>
<p>Nas últimas semanas aconteceram uma série de lançamentos e mesas literárias em São Paulo. Imagino que, com a aproximação do natal, os autores devam apressar suas editoras para realizar o lançamento de seus livros. Assim, tomando muito vinho branco nacional (de melhor ou pior qualidade, dependendo da livraria), às vezes comendo alguns canapés e ouvindo as mesmas  conversas. A literatura marginal, o cânone, os autores fantásticos, ou seja, todos praticam o esporte preferido, bater nos vampiros mórmons do Crepusculo, Lua Nova e livros afins (sobre os quais desconheço uma sílaba escrita).</p>
<p>Ultimamente eu chego em casa e tento diminuir a famosa fila de livros e estou me perguntando: quantas pessoas estão fazendo o mesmo? A minha impressão é que desses lançamentos, mesas literárias encontro de autores sai muito pouco. Os autores leem os autores, alguns arroz de festa compram os livros e nem todos leem o que compram, os parentes colocam em local de destaque sem sequer romper uma vez a lombada.</p>
<p>Resta o fetiche do livro e o culto da personalidade do autor. A Catedral está ali na avenida paulista, em um antigo cinema, como atesta José Saramago. O livro voltou a ser objeto de ostentação e status. Alguém me disse que o escritor é o novo rockstar. Nunca se vendeu tanto livro no Brasil, mas se lê mais que há dez anos? Os mesmos livros estão nas mesmas posições de mais vendidos desde&#8230; nossa nem me lembro mais. Ninguem empresta mais um livro para um amigo? E cada vez menos vejo esses fenômenos literários em sebos (quem já está aproximando dos 30 como eu, ou é mais velho, lembra da invasão de exemplares de Cavalo de Troia e Brumas de Avalon nos sebos na década de 90).</p>
<p>Eu começo a ficar desconfiado que alguma coisa está muito errada. Pouco a pouco vejo com bons olhos o advento do livro eletrônico. Quando houver um aparelho acessível ao consumidor geral, que custe o mesmo que um mp3player ou um celular, o custo benefício pode ajudar a literatura. Penso que as pessoas comprarão livros que realmente pretendem ler e que não fiquem apenas &#8220;bonitos na estante&#8221;.  Com isso, talvez o escritor vá a eventos para falar de literatura e não cultuar sua personalidade.</p>
<p>Lembro-me de assistir o video de Geraldo Vandré, tentando cantar sua &#8220;Para não dizer que não falei das flores&#8221; ao final de um festival. Diante da derrota para &#8220;Sabiá&#8221; de Tom Jobim e Chico Buarque, a massa entrou em um surto coletivo e gritava &#8220;marmelada, marmelada&#8221;. Vandré, antes de cantar, grita ao microfone: a vida não se resume em festivais! A música dizia de algo mais importante que acontecia fora das paredes daquele ginásio: a vida. Está na hora do conteúdo dos livros ser mais importante que seus lançamentos, colunas sociais, vinhos nacionais e estantes da sala.</p>
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