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	<title>Arlequinal &#187; Fernando de F. L. Torres</title>
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	<description>Cultural e Coletivo</description>
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		<title>Detalhes fazem a ideologia</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 00:00:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[de Fernando de F. L. Torres. Hoje um texto de Leyla Perrone-Moises publicado na Ilustríssima, caderno da Folha de S. Paulo chamou a atenção dos entusiastas literatura brasileira (leia aqui). Em suma o texto descreve o que chama de &#8220;Escritor Exigente&#8221;, sendo eles em sua maioria ligados à vida acadêmica, que obrigariam seus leitores (poucos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>de Fernando de F. L. Torres.</p>
<p>Hoje um texto de Leyla Perrone-Moises publicado na Ilustríssima, caderno da Folha de S. Paulo chamou a atenção dos entusiastas literatura brasileira (<a href="http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/03/literatura-exigente-leyla-perrone.html" target="_blank">leia aqui</a>). Em suma o texto descreve o que chama de &#8220;Escritor Exigente&#8221;, sendo eles em sua maioria ligados à vida acadêmica, que obrigariam seus leitores (poucos, na opinião do texto) a uma erudição incompatível ao entretenimento. Não importa se eu gostei ou não dos livros que ali são descritos.</p>
<p>Mas me impressionou outra coisa. Hoje, no mesmo dia, a jornalista cultural Raquel Cozer assina a reportagem que traz um perfil de Luciana Villas-Boas (<a href="http://www1.folha.uol.com.br/serafina/1066576-apos-deixar-record-luciana-villas-boas-inaugura-agencia-literaria.shtml" target="_blank">leia aqui</a>), na Revista Serafina do mesmo jornal, em que a personagem declara &#8221;<em>Em geral, os estrangeiros acham a literatura feita aqui cabeça demais</em>&#8220;. Não acho que a Raquel, seja responsável pela &#8220;tendência ideológica&#8221; que eu vejo se apresentar na Folha de S. Paulo este domingo. Tampouco creio que ela concorde com estas posições. Mas seria ingenuidade minha acreditar que a jornalista não tenha percebido a mensagem ser propagada em ambos suplementos. Dentro dos interesses corporativos o jornal de hoje mostra claramente uma ideologia que está sendo construída e propagada.</p>
<p>Vamos rever alguns fatores: investimento estrangeiro nas principais editoras nacionais, entrada de selos, a proximidade da próxima Feira de Frankfurt (Brasil recebendo atenção que nunca recebera antes)&#8230;</p>
<p>Nesses pequenos detalhes se faz uma ideologia. Um artigo aqui, uma citação ali e começam a se formarem opiniões. Ninguém está inventando a roda. A tradição de erudição também é uma ideologia que foi implementada aos poucos na literatura brasileira.</p>
<p>Lembremos do primeiro parágrafo de Memórias Póstumas de Brás Cubas:</p>
<p style="padding-left: 60px;">&#8220;<em>Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se adotei a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre, não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas colunas máximas da opinião.</em>&#8220;</p>
<p>Eu consigo pescar uma boa meia dúzia de referências neste parágrafo. Vejo também uma apresentação de um novo tipo de literatura. Vejo exatamente o início da literatura que agora o texto de Perrone-Moisés faz sua crítica. Não quero entrar em pormenores de que ela estaria detonando Machado, sua tradição, tal e coisa. Mas está neste primeiro parágrafo a semente daquilo que se tornou a literatura do &#8220;Autor Exigente&#8221;.</p>
<p>Graciliano Ramos também estabeleceu no início de seu romance S. Bernardo:</p>
<p style="padding-left: 60px;">&#8220;<em>Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.</em>&#8220;</p>
<p>Dois detalhes óbvios que tanto já foram discutidos. O livro se chama &#8220;S. Bernardo&#8221; e não &#8220;São Bernardo&#8221;, e a declaração que remete diretamente à ideologia marxista logo na primeira linha. São elementos de uma ideologia, são elementos de uma proposta para literatura brasileira.</p>
<p>São dois autores essenciais e que introduziram o viés ideológico por sua literatura. Um estudioso das obras fariam paralelos com outros textos publicados pelos autores em jornais e outros periódicos, com outros autores de seus tempos.</p>
<p>Não quero, porém, defender qualquer um dos &#8220;Autores Exigentes&#8221;. Mas precisamos ressaltar que eles são produtos de nosso tempo, não são uma aparição isolada na literatura brasileira, conversam com Rushdie, David Foster Wallace? Recebem a tradição de Raduan Nassar? Cada qual terá seus modelos e não estão sozinhos. Mas agora interessa vender a literatura brasileira. Precisamos transformar nossos escritores em objeto de consumo para o exterior. É isto que a Folha de São Paulo disse hoje. Não mais, não menos. E assim está sendo construída uma nova ideologia para nossa literatura.</p>
<p>Não sei qual será o resultado. Se for o pluralismo, um tanto melhor.</p>
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		<title>Entre trangressões, resistência e literatura</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/12/16/entre-transgressoes-resistencia-e-literatura/</link>
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		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 23:00:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L . Torres, Não é incomum que eu escreva neste espaço para comentar posts de outros escritores ou notícias sobre literatura. Hoje não é diferente. Escrevo para comentar o texto da Carol Bensimon &#8220;A Maior das Transgressões&#8221;, publicado no Blog da Companhia das Letras. A Carol é autora de dois livros que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L . Torres,</p>
<p>Não é incomum que eu escreva neste espaço para comentar posts de outros escritores ou notícias sobre literatura. Hoje não é diferente. Escrevo para comentar o texto da<a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/12/a-maior-das-transgressoes/"> Carol Bensimon &#8220;A Maior das Transgressões&#8221;, publicado no Blog da Companhia das Letras</a>.</p>
<p>A Carol é autora de dois livros que gosto muito: &#8220;Pó de Parede&#8221; (Não Editora) e &#8220;Sinuca embaixo d&#8217;água&#8221; (Cia. das Letras). São livros bem escritos e de impecável técnica literária. Fica claro que a escritora tem uma relação de amor à literatura. Encontrei-a duas vezes aqui em São Paulo, uma vez no lançamento de seu livro e outra em um evento literário. Não conversamos muito.</p>
<p>Por essas e outras acompanho o que ela escreve no Blog da editora que a publica com relativa atenção. (Nem todos autores que ali escrevem me chamam a atenção, o que é natural.) E achei esse seu último texto muito bonito. É uma declaração de amor a uma causa, embora eu não concorde inteiramente com suas premissas.</p>
<p>A Carol fala que literatura é trangressão e faz a crítica aos valores estabelecidos. Minha visão é ligeralmente diferente, para mim a literatura é resistência, pois estimula a reflexão em uma sociedade cujo valor é a alienação. Acho que isso decorre de uma premissa diversa que tenho. Ela coloca como se se nossa geração estivesse em um processo de superficialização e alienação. Não concordo. Na geração de meus pais, a maioria dos jovens não liam, não tinham posição política clara, ou mesmo, eram favoráveis ao hediondo regime militar. A maioria dos jovens da geração de meus pais não foi presa. Nem todo jovem daquela geração era hippie, poucos entendiam ou sabiam o que era contra-cultura.</p>
<p>Nós cultuamos uma ilusão. Assim como o Flaneur do romantismo, assim como qualquer tipologia de artista que podemos conceber ou lembrar é um tipo marginalizado. A Paris de Hemmingway, Picasso, Capa, Dali etc. não é necessariamente a Paris daquela época. Aliás, tomamos o registro da vida de um grupo como se fosse a vida de todos. Escrever, consciênte do papel do escritor na sociedade, é resistência pois este, em vida, é relegado ao papel marginal.</p>
<p> E olhando assim, me vejo ainda mais romântico que a própria Carol. O papel do escritor como seu próprio herói, deslocado da sociedade ou de si mesmo.  E paradoxalmente, quanto mais escrevo me afasto e me aproximo deste herói. Salvo minha vida, mas me condeno ao exílio. Por amor? Sim. Não pela literatura, mas pelo paradoxo.</p>
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		<title>Muitos Livros</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 23:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Acabo de ler o excelente post que Talita Camargo escreveu sobre a saturação do mercado literário. Posso dizer que concordo em parte. Definitivamente não somos um país de leitores, os escritores de ficção dos mais diversos gêneros reclamam que não são lidos. Existem exceções. E têm gente, inclusive, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Acabo de ler o <a href="http://nomundoeditorial.blogspot.com/2011/12/mercado-editorial-um-grito-de-alerta.html" target="_blank">excelente post que Talita Camargo escreveu sobre a saturação do mercado literário</a>. Posso dizer que concordo em parte. Definitivamente não somos um país de leitores, os escritores de ficção dos mais diversos gêneros reclamam que não são lidos. Existem exceções. E têm gente, inclusive, que clama viver de literatura, escrevendo.</p>
<p>Reclamamos que o livro é caro, que não há divulgação, que não existe mais crítica independente, que&#8230; enfim reclamamos demais. Mas se formos em qualquer final de semana às principais livrarias da cidade de São Paulo, elas estarão lotadas e com filas nos caixas. Agora na época de natal será um verdadeiro martírio e ficaremos em dúvida se não era melhor ir à 25 de março comprar umas lembrancinhas.</p>
<p>Existem dois fatos muito interessantes envolvidos nisso. Primeiro é o mercado que se auto alimenta. Alguns poucos livros têm tiragem que ultrapassam as milhões de cópias, outros que chegam às centenas de milhares. A grande maioria dos livros não ultrapassam a marca de três mil exemplares.  Ou seja, as pessoas estão todas lendo os mesmos três ou quatro livros. Algumas editoras apostam suas fichas em encontrar esse novo recordista de vendas. Mas o mais preocupante é que algumas editoras vendem ao autor, literalmente vendem, o sonho de ser o próximo a aparecer na lista dos mais vendidos. Assim o mercado fica saturado de obras medianas e ruins.  </p>
<p>O segundo fato é que virou chique presentar os outros com livros. As vezes me parece que as pessoa compram mais livros para os outros que para si. E quem ganha o livro nem sempre os lê, por falta de interesse no título especícico ou em simplesmente em ler. Assim, o livro se tornou um artigo de decoração. O objeto livro tem uma função na sociedade que se afasta de sua concepção pelos autores (com exceções, é claro).</p>
<p>Não me preocupa a existência de uma bolha de mercado prestes a estourar. Me preocupa o sucateamento de nosso mercado literário em que o conteúdo não interessa mais. Assim bons textos estão se perdendo no mar de títulos e bons escritores talvez não cheguem a ser conhecidos. Meu temor é que estejamos perdendo a oportunidade pescar grandes talentos, pois seu livro está na baciada e não chegará aos leitores. Talvez seu lugar seja não lido em uma prateleira, se a capa for bonita.</p>
<p>Não faço previsões para o futuro da literatura brasileira. Mas sou pessimista. Identifico muitas de minha opiniões no texto de Bernardo Carvalho para a Piauí &#8220;<a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-62/questoes-de-literatura-e-propriedade/em-defesa-da-obra" target="_blank">em defesa da obra</a>&#8220;.</p>
<p>A minha esperança e medo é que as tendências de moda e decoração  mudem e os livros deixem de ter um triste destino de permanecer intocado na prateleira. A bolha vai estourar se isso acontecer? Sim. Mas o conteúdo voltará ao seu devido lugar: o destaque.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sobre o teto de uma casa</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 21:31:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento. &#160; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Sobre o teto de uma casa, inacessível aos olhos transeuntes, há um vaso e um catavento. Pequenos demais para significar um projeto de sustentabilidade. Deve existir, penso, alguém nesta casa que imaginou e executou a ideia de colocar  sobre o teto da casa um vaso e um catavento.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De onde estou. olhando através de uma janela, não noto qualquer outro indicativo que junto àquele vaso existe qualquer resquício de área de lazer. Não há uma horta, ou uma cadeira ou qualquer indício que o vaso, no qual existe uma pequena árvore, tem qualquer função outra que apenas estar ao lado do catavento.</p>
<p>Não deve ter sido fácil colocar o vaso, com a planta, onde ele está. Não vejo saídas da casa que vão diretamente ao teto. Mas vejo apenas de um lado. Com certeza existe um platô em que o vaso está colocado, mas de onde estou não o vejo, apenas o vaso e o catavento.</p>
<p>O catavento por si me lembra um brinquedo infantil. O catavento na mão da menina que na janela do carro sente o vento no rosto e olhos fixos no frágil brinquedo girando veloz.</p>
<p>Este catavento tem duas hélices que giram em sentido alternado. Eu sei exatamente como funciona, ou em tese como deveria funcionar, o catavento que vejo pela janela e sobre o telhado da casa.</p>
<p>Tantos detalhes que passam desapercebidos aos olhos transeuntes, e, tantos detalhes que um dia deixei de escrever, de anotar como um vaso ou um catavento sobre telhados.</p>
<p>&#8212;&#8212;</p>
<p>Não esqueçam do lançamento do livro do Mundo Mundano, do qual participo. Mais detalhes <a href="http://arlequinal.com.br/2011/10/13/convite-lancamento-mm/">aqui</a>.</p>
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		<title>Dessa Tinta</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Oct 2011 20:02:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>A tinta acabou! A tinta acabou antes do papel e não foi por falta de matéria prima. Quando comecei a ler jornal, lápelos nove anos de idade, minha mão ficava toda suja de tinta e eu orgulhosamente as lavava. Agora a tinta acabou e nem vimos direito como isso aconteceu. Mas&#8230; a tinta faz falta?</p>
<p>Obviamente o epitáfio da tinta é metafórico. E não falo nem do livro digital. Nem mesmo repito aqueles argumentos já sonolento dos escritores que hoje ninguém mais lê no Brasil. Em nenhum momento de sua história o Brasil foi um país de leitores, as estatísticas sobre o analfabetismo estão aí para desestruturar o argumento que cada vez se lê menos.</p>
<p>Nossa relação com a palavra escrita mudou. Antes ela era de se colocar debaixo do braço. Quem podia tinha livros e jornais para carregar debaixo do braço. Os alfabetizados eram donos da palavra escrita. Depois, um dia não sei bem o porquê, tenho a noção que a palavra estava nos mimógrafos. Foi o boom do conto, foi o panfleto, e este minguou. a palavra virou pública e virou outdoor. E um dia proibiram o outdoor em São Paulo e a palavra resiste apenas sem a tinta. Piscando nas telas dos computadores.</p>
<p>Mas a tinta morreu. Você sabia? A caneta, esse objeto que já foi status, que já foi bic ou kilométrica sumiu das mãos e dos bolsos. Vou ao fórum e os estagiários fotografam os processos. Sou do tempo que anotávamos em fichas o andamento dos processos. Procure alguém rabiscando um guardanapo enquanto espera no restaurante ou quando fala no telefone.</p>
<p>Pouco à pouco não ouço mais a expressão &#8220;carregou nas tintas&#8221;, aliás, agora as pessoas &#8220;têm imagens carregadas&#8221;, a tinta deixa de ser cultura. Tinta, tinta&#8230; o que fizeram de você?</p>
<p>Mas se o disco de Vinil teve seu ressurgimento, por que não a tinta? Em algum lugar deve existir o Movimento Revolucionário Tinta na Mão, associado ao Grupo de Resistência Cheiro do Livro e com a Frente dos Espancadores de Máquina de Escrever, preparando o contragolpe.</p>
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		<title>Um livro para não resenhar</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/05/06/um-livro-para-nao-resenhar/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 16:56:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Tenho a mania de comparecer à lançamentos de livros, pegar minha dedicatória e esperar algum tempo para ler o livro. Geralmente, gosto de deixar o livro repousar na estante até um momento de encontro. Creio que quem lê sem muita organização se identifica com essa minha mania, os livros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p><img class="alignleft" style="margin: 2px;" src="http://blog.meiapalavra.com.br/files/2010/10/linguagem-de-sinais.jpg" alt="" width="208" height="312" /></p>
<p>Tenho a mania de comparecer à lançamentos de livros, pegar minha dedicatória e esperar algum tempo para ler o livro. Geralmente, gosto de deixar o livro repousar na estante até um momento de encontro. Creio que quem lê sem muita organização se identifica com essa minha mania, os livros devem te atrair em um momento específico.</p>
<p>Ontem, peguei o livro <em>Linguagem de Sinais</em>, de Luiz Schwarcz que repousava ali depois de ter passado pelas mãos de meu pai.</p>
<p>Ao ler os contos tive uma sensação diferente. Gosto de livros que não demonstram especial pretensão por parte de seu autor. Cada vez mais raro, uma vez que a desprentesão é uma das  maiores pretensões dos escritores atuais. Gostei do livro, mas fiquei pensando que este livro tem uma forma especial de despretensão, a verdadeira.</p>
<p>Luiz escreve contos elegantes em tom confessional (não sei quanto de confissão real há neles) de histórias cotidianas e sensíveis.  Claro que impossível dissociá-los das crônicas do Editor (ora autor) da Cia. das Letras em seu<a href="http://www.blogdacompanhia.com.br/category/colunistas/luiz-schwarcz/" target="_blank"> blog</a>.</p>
<p>O livro não tenta (ou pelo menos não aparenta) provar nenhum ponto, não faz nenhuma ousadia formal. É apenas um livro para se ler com calma, degustar. Não cabe à leitura maiores análises críticas e, pouco à pouco, para quem já está acostumado a &#8220;ler como escritor&#8221; (o que quer que isso queira dizer), o livro se torna um exercício de leitura por prazer puro.</p>
<p>Voltei a ler sem o rigor estético que eu lia anos atrás. Deixei de lado &#8220;o prazer de especialista&#8221; (que não sou) para ler com o prazer que eu tinha antes das minhas pretensões literárias. Lembrei do prazer que tive nos primeiros contos que escrevi, quando publicar um livro era um sonho longínquo, muito antes das Copas de Literatura e Arlequinais.</p>
<p>Engraçado que ao terminar o livro não tive vontade de dissecá-lo,  nem de escrever uma resenha, ou correr à livraria comprar todos os escritos do autor para aprender com o mestre. A vontade que tive foi de voltar à contar histórias. Quando deixei de ter vontade de contar histórias para fazer exercícios estilísticos?</p>
<p>Existe um crítico (que não mencionarei o nome para não lhe dar mais ibope) que rejeita o romanesco. Aliás o problema de todos os escritores brasileiros vivos, segundo ele, é não se afastar do romanesco. Mas que mal há nisso? O romanesco já não foi desconstruído? Essa vanguarda já está toda morta e enterrada. São mestres, mas copiá-los não seria mimetização sem intencionalidade? Escolho contar mais histórias e fazer menos exercícios.</p>
<p>O mérito do livro de Luis Schwarcz é exatamente esse, alguém que pode tudo (afinal, está à frente de uma das principais editoras do país), escolhe o ofício de contar histórias. E nada mais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>12 de abril</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2011/04/12/12-de-abril/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 03:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, &#160; Hoje faz 50 anos que o homem foi pela primeira vez ao espaço. Yuri Gagarin foi lançado além dos limites do que consideramos Terra e lá deu algumas (acho que foram 3) voltas ao redor de todos nós que aqui ficamos a observar o céu. Do céu o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Hoje faz 50 anos que o homem foi pela primeira vez ao espaço. Yuri Gagarin foi lançado além dos limites do que consideramos Terra e lá deu algumas (acho que foram 3) voltas ao redor de todos nós que aqui ficamos a observar o céu. Do céu o cosmonauta soviético olhou para nós e disse: A Terra é Azul, e linda.</p>
<p>Hoje muitos não se lembram do feito. A conquista da Lua e a derrocada do sistema soviético fez com que nós tenhamos esquecido que alguém olhou para nós e disse algo muito mais significativo que &#8220;Um pequeno passo para um homem, um grande passo para humanidade&#8221;.</p>
<p>Primeiro por que a Terra continua sendo azul e linda, enquanto a Lua permanece desabitada.</p>
<p>Ou ainda por que da conquista da lua sobraram não mais que troféus empoeirados, enquanto a conquista de nossa órbita foi essencial para a vida como conhecemos.</p>
<p>A Terra ser azul e ser linda, era algo que não sabiamos. Gagarin teve de nos contar. E depois que nos contou, um dia pudemos ver por fotografia e acreditar no que havia nos dito.</p>
<p>Mais que isso, quando olhamos para Terra (azul e linda) estamos olhando para nós mesmos, para nossa casa. Conhece a ti mesmo, disse um filósofo. A bem da verdade, a Lua, no fim das contas, continua sendo o lar apenas dos alucinados.</p>
<p>E em 1982, enquanto em uma União Soviética pré-Glasnot e pré-Perestróika (antes, ainda, do acidente de Chernobyl) comemorava 21 anos da orbitação de uma cápsula espacial tripulada, nascia na cidade de São Paulo o escritor que vos escreve.</p>
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		<title>Um pouco mais que 140 caracteres</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Sep 2010 17:15:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Editorial]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Pensei em passar algumas notícias por aqui. Mensagens curtas, mas grande demais para o Twitter. 1) dia 21 de outubro o pessoal do Mundo Mundano lançará um livro do qual participo com um conto. O conto Chama-se &#8220;Projeto em desenvolvimento&#8221; e eu o escolhi especialmente para esse livro. Será [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Pensei em passar algumas notícias por aqui. Mensagens curtas, mas grande demais para o Twitter.</p>
<p>1) dia 21 de outubro o pessoal do<a href="http://mundomundano.com.br" target="_blank"> Mundo Mundano </a>lançará um livro do qual participo com um conto. O conto Chama-se &#8220;Projeto em desenvolvimento&#8221; e eu o escolhi especialmente para esse livro. Será uma festa com os autores, muita música e gente bonita. Valerá a pena conferir. Passo mais informações nas próximas semanas.</p>
<p>2) A homenagem para José Saramago organizada pelo Sesc, Cia. das Letras e Pilar (viúva do escritor) foi emocionante. produção de primeira linha, textos escolhidos a dedo. As leituras dos textos se intercalavam com vídeos de Saramago filmados recentemente e falando sobre seu final de vida e pela urgência de escrever enquanto podia. No final Chico Buarque leu um trecho do ano da Morte de Ricardo Reis. Sem o figurino dos outros, com seu jeito tímido. Estouraram milhares de flashes (único porém desagradável, pois atrapalhou a todos que queriam prestar atenção). As leituras como um todo foram emocionantes, principalmente os trechos de Ensaio Sobre a Cegueira.</p>
<p>3) Meu pneu furou depois da apresentação. Isso não importa para ninguém, mas sempre me sinto satisfeito depois de trocar um pneu. Na hora é um saco.</p>
<p>4) Chegaram mais alguns exemplares do meu livro &#8216;Estudos sobre  Leveza&#8217;. é provável que sejam os últimos que peço para a editora. Então a chance é única de adquirir o livro. Depois disso, demora um pouco para publicar o próximo.</p>
<p>5) A Copa de Literatura Brasileira vai voltar. Estou ajudando a organizar esse ano. Os jurados já estão todos escolhidos. Ainda precisamos fechar os livros. Novidades em breve.</p>
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		<title>Copa de Literatura 2009 &#8211; Jogo 2 &#8211; Areia nos Dentes X O Vencedor está só</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 16:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem Categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, Aproveitando que o livro Areia nos Dentes de Antônio Xerxenesky foi reeditado, agora pela editora Rocco, aproveito para requentar minha resenha da Copa de Literatura Brasileira de 2009. *** Antes de iniciar a leitura dos livros que me foram designados tentei estabelecer alguma relação entre os dois autores. Enquanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>Aproveitando que o livro Areia nos Dentes de Antônio Xerxenesky foi reeditado, agora pela editora Rocco, aproveito para requentar minha resenha da Copa de Literatura Brasileira de 2009.</p>
<p>***</p>
<p>Antes de iniciar a leitura dos livros que me foram designados tentei  estabelecer alguma relação entre os dois autores. Enquanto Paulo Coelho é  uma celebridade midiática, autor de diversos livros traduzidos em  diversas línguas, Xerxenesky é autor de primeira viagem, jovem,  estudante de letras. Mas, apesar de parecerem absolutamente diversos,  existe uma semelhança: são os dois autores mais livres da Copa de  Literatura.</p>
<p>O Mago, diante dos seus resultados pregressos, já não precisa provar  nada a ninguém: é um grande sucesso de vendas e, apesar de não ter  conquistado os críticos, já dispõe de títulos, entre eles o de imortal  da Academia Brasileira de Letras. Seu desafiante é sócio da editora que  publicou seu livro e tem a vida toda pela frente: um escorregão em sua  primeira obra será perdoado se as seguintes forem melhores, o que lhe  permite tomar certos riscos e fazer certos experimentos que outros  autores talvez não tivessem feito.</p>
<p>O resultado dessa liberdade foram excessos de ambas as partes — cada qual à sua maneira.</p>
<p>***</p>
<p><em>Areia nos dentes</em> é um faroeste com zumbis. Sabemos disso  porque, além de estar escrito na orelha do livro (assinada por Daniel  Galera, outro concorrente da Copa), o fato é pincelado ao longo da  narrativa antes das criaturas aparecerem (e elas demoram). A presença  dos zumbis nem é tão importante assim, mas é parte do espírito que rege o  livro.</p>
<p>A história, resumidamente, é a de um velho mexicano solitário e  alcoólatra que escreve a história de Mavrak, cidade do Oeste selvagem  onde viveram seus antepassados. Mavrak é dividida por uma guerra entre  duas famílias: os Marlowe e os Ramirez. Por conta do assassinato de um  dos Ramirez, é designado um xerife para a cidade antes sem lei. Outros  personagens típicos dos antigos <em>westerns</em>, como a cafetina e o dono do <em>saloon</em>, completam a história.</p>
<p>Existe uma clara diferença de estilos entre os momentos atual e  passado na narrativa. No plano de Mavrak, simula-se o digitar de um  bêbado, muda-se a fonte e cria-se um simulacro de estilo, pertencente ao  personagem que no romance escreve a narrativa de Mavrak; como  resultado, tem-se a sensação de que não é o próprio autor que redige  aquelas páginas, mas seu personagem. A história do velho em seu  apartamento é contada em prosa limpa, fluida, mais próxima da de outros  textos de Xerxenesky; arrisco dizer que é esse seu estilo natural, em  oposição àquele simulado.</p>
<p>Porém, o autor tem bom humor e senso de autocrítica suficientes para  brincar com a própria metalinguagem, o que mostra que o rapaz não se  leva a sério — qualidade que pouquíssimos escritores possuem. Isso está  expresso num trecho da página 88, derramado de ironia:</p>
<blockquote><p>“Que idéia péssima! Por que alguém escreveria sobre alguém escrevendo?”</p>
<p>“Eu também acho horrível. Teve algum crítico que resumiu exatamente o  que eu sinto. Ele disse: ‘Metalinguagem é uma doença juvenil’. Enfim.”</p>
<p>Essas abstrações intelectualoides ele deve ter aprendido na  faculdade. De algumas coisas que ele me ensinou na vida eu até gosto,  mas tudo tem limite. Para mim o último grande livro foi <em>Ulisses</em>.</p></blockquote>
<p>Por outro lado, parece que ao escrever <em>Areia nos dentes</em> o  autor teve a intenção de demonstrar tudo o que sabia sobre as técnicas e  o referencial cultural da literatura e do cinema. Como se fosse essa a  sua única oportunidade de mostrar o que sabe. No fim, por excesso de  vontade, acaba-se perdendo o impacto de uma prosa mais limpa e coerente.</p>
<p>Esse excesso é mais patente na primeira metade do romance, em que a  quantidade de referências e o tipo de humor, semelhante às piadas  internas de um grupo de amigos, revelam uma prosa imatura. A segunda  metade é mais séria, com um desenvolvimento de temas literários  clássicos como, por exemplo, o aprofundamento das questões entre pai e  filho. Os zumbis surgem, então, para revelar a complexidade dos  personagens do romance. Quanto mais nos aproximamos do desfecho, mais  vemos qualidades no autor que Antônio Xerxenesky pode se tornar em seus  próximos livros.</p>
<p>***</p>
<p>Falar dos clichês e lugares-comuns de <em>O vencedor está só</em>, de  Paulo Coelho, é uma tentação que procuro evitar enquanto escrevo esta  resenha, porque isso já foi feito à exaustão para cada livro que o autor  publicou e por críticos muito mais talentosos do que eu. Por outro  lado, esse tipo de resenha não seria mais que um exercício de  perseguição a um autor já bastante malhado. Além disso, seria injusto,  pois muitos autores de que gosto e que recomendo, como Nick Hornby,  escrevem textos cheios de clichês e lugares-comuns, sem deixar de  entreter.</p>
<p>O clichê, por si, não é algo abominável. E entretenimento não é  sinônimo de falta de qualidade. No cinema, Chaplin utilizou diversos  clichês do teatro e compôs personagens caricaturais, mas entreteve as  massas. Sua qualidade é inquestionável, sua visão crítica da sociedade  americana da primeira metade do século XX é feroz e, acima de tudo, ele é  divertidíssimo. Na literatura não é diferente.</p>
<p>Por outro lado, quero ressaltar alguns pontos sobre os quais escolhi refletir depois de ler o prefácio de <em>O vencedor está só</em>, escrito pelo próprio autor e reproduzido abaixo:</p>
<blockquote><p><strong>O retrato</strong></p>
<p>No momento em que termino de escrever estas páginas, existem vários  ditadores no poder. Um país do Oriente Médio foi invadido pela única  superpotência mundial. Os terroristas estão ganhando cada vez mais  adeptos. Os fundamentalistas cristãos são capazes de eleger presidentes.  A busca espiritual é manipulada por várias seitas que alegam deter o  “conhecimento absoluto”. Cidades inteiras são riscadas do mapa pela  fúria da natureza. O poder do mundo inteiro está concentrado nas mãos de  seis mil pessoas, segundo pesquisa de um reputado intelectual  americano.</p>
<p>Existem milhares de prisioneiros de consciência em todos os  continentes. A tortura volta a ser tolerada como um método de  interrogatório. Os países ricos fecham suas fronteiras. Os países pobres  assistem a um êxodo sem precedentes de seus habitantes em busca do  Eldorado. Os genocídios continuam em pelo menos dois países africanos. O  sistema econômico dá mostras de exaustão, e grandes fortunas começam a  ruir. O trabalho escravo infantil tornou-se uma constante. Centenas de  milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza absoluta. A  proliferação nuclear é aceita como irreversível. Surgem novas doenças.  Antigas doenças ainda não foram controladas.</p>
<p>Mas é este o retrato do mundo em que vivo?</p>
<p>Claro que não. Quando resolvi fotografar minha época, escrevi este livro.</p></blockquote>
<p>A ideia de fotografia, de instante, permeia <em>O vencedor está só</em>:  além dessa menção no fim do prefácio, fotógrafos ilustram a capa do  livro e os títulos dos capítulos se referem a horários específicos do  dia em que se passa a história. Vale lembrar que uma fotografia é a  captura da luz de um quadro num instante. Em todos os capítulos do  romance, porém, há descrições de ações e memórias dos personagens que  escapam ao horário que o capítulo pretende narrar. Fica a sensação de  que a prosa do livro nada tem de fotográfico. Outros autores trabalharam  propostas semelhantes de maneira mais coerente. (Gosto de pensar em <em>Conversa na Sicília</em>, de Elio Vittorini, como um excelente exemplo de “romance enquanto retrato”.)</p>
<p>No mesmo sentido, as digressões constantes do autor não apenas afetam  a ideia formal de retrato mas também atrapalham o fluxo de informação. E  existe um excesso de informação no texto: ficamos sabendo da trajetória  de cada personagem até o dia narrado, o que além de cansativo deixa a  sensação de sabermos demais — principalmente quando voltamos à ideia de  fotografia, pois saber menos sobre a história pregressa das personagens  poderia tornar mais atraente a imagem daquele instante. O excesso de  informação acaba tornando excessivamente didáticas as críticas (na minha  opinião rasas) acerca dos valores da sociedade de consumo representada  pelos personagens inseridos no Festival de Cannes. Muitas conclusões às  quais o leitor poderia chegar a partir da narrativa são explicitadas nas  palavras e julgamentos do narrador; e, quando o narrador não nos diz o  que pensar sobre a situação, os personagens o fazem.</p>
<p>Talvez o sucesso de Paulo Coelho esteja exatamente nesse ponto que  critico com tanta veemência: não há necessidade do leitor pensar ou  interpretar o romance, a interpretação já está dada. Mas para fazer isso  <em>O vencedor está só</em> precisa de quatrocentas páginas, quando a história poderia ser contada de forma muito mais atraente em pouco mais de cem.</p>
<p>Numa fotografia, o quadro que escolhemos  pode ser menos importante e dizer menos sobre a imagem retratada do que  o que deixamos de enquadrar. Da mesma forma, <em>O vencedor está só</em> é um retrato não da época em que vive o autor mas do mundo que o autor é  incapaz de sublimar para ver essa época. Rodeado por celebridades e  pela sua própria celebridade, o autor só enxerga o ponto de vista do  “vencedor”, do excesso. O retrato que pretende fazer, e que a princípio  parece uma crítica sobre um objeto do qual ele quer se afastar, acaba  por se tornar um reflexo do próprio autor.</p>
<p>Incomoda-me inclusive a forma como a escolha do título, <em>O vencedor está só</em>,  referindo-se aos personagens que de alguma forma “venceram” dentro da  concepção em que estão inseridos (acúmulo de fama, dinheiro ou poder),  marca a ótica burguesa do romance. Por sinal, a escolha de retratar o  seu tempo a partir da história dos vencedores remonta a uma ótica  superada sobre o entendimento da sociedade, e famosamente criticada por  Brecht:</p>
<blockquote><p>O jovem Alexandre conquistou a Índia.<br />
Conquistou sozinho?<br />
César bateu os gálicos.<br />
Não tinha ao menos um cozinheiro consigo?<br />
Felipe da Espanha chorou a perda da sua Esquadra.<br />
Só ele chorou?<br />
Frederico II ganhou a guerra dos Sete Anos.<br />
Quem mais ganhou a guerra?</p></blockquote>
<p><em>O vencedor está só</em> não é um atentado à literatura nem é pior  do que a maioria dos livros que se publica. Mas, sem ser um livro  inteiramente ruim, não atingiu as expectativas que eu tenho ao iniciar  uma leitura; assim, tampouco posso me referir a ele como um bom livro.</p>
<p>***</p>
<p>No fim das contas, <em>O vencedor está só</em> e <em>Areia nos dentes</em> têm bastante em comum. São dois livros que parecem romances de autores  iniciantes, com pretensões de demonstrar mais do que é possível ou  adequado dadas as características das histórias contadas. <em>Areia nos dentes</em>, porém, leva vantagem em dois fatores: Xerxenesky é realmente um autor iniciante, e tecnicamente seu romance é mais coerente.</p>
<h3>Vencedor</h3>
<h2>Areia nos dentes</h2>
<p><em>Post scriptum: Passado um mês de eu ter escrito essa crítica, Xerxenesky postou em seu blog <a href="http://blog.antonioxerxenesky.com/?p=120">a história de um capítulo perdido</a>.  Um capítulo meramente explicativo. Pensando bem, e relendo meu artigo, o  capitulo era essencial. Mas tão somente necessário para ser cortado. Se  foi acaso, se foi ato terrorista do Daniel Galera, se foi mancada do  diagramador… foi muito bom. Aquele capítulo, de apenas um parágrafo,  talvez igualasse </em>Areia nos dentes<em> a </em>O vencedor está só<em> na minha leitura. Esse “talvez” não existe e não sou afeito à crítica  genética, o importante é o texto que foi publicado. Enfim, o  privelegiado pelo inexplicável, quiçá chamemos de magia, foi Antônio  Xerxenesky, o vencedor do jogo 2 da Copa de Literatura Brasileira de  2009. Que se cuide seu próximo adversário, quem sabe zumbis apareçam  antes do próximo jogo.</em></p>
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		<title>Os Pequenos Deuses da Trapaça</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Sep 2010 19:07:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando de F. L. Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando de F. L. Torres, (texto originalmente publicado no Aguarrás, número 27,  edição de setembro &#38; outubro de 2010) De quando em quando recebo e-mails de escritores, que como eu, usam da internet para divulgar suas obras. Algumas vezes temos gratas surpresas, uma delas foi Manuel Carreiro, autor de “Os Pequenos Deuses da Trapaça”. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando de F. L. Torres,</p>
<p>(texto originalmente publicado no <a href="http://aguarras.com.br/2010/09/01/os-pequenos-deuses-da-trapaca/" target="_blank">Aguarrás,</a> número 27,  edição de setembro &amp; outubro de 2010)</p>
<p>De quando em quando recebo e-mails de escritores, que como eu, usam  da internet para divulgar suas obras. Algumas vezes temos gratas  surpresas, uma delas foi Manuel Carreiro, autor de “<a title="Os Pequenos Deuses da Trapaça" rel="nofollow" href="http://ospequenosdeusesdatrapaca.wordpress.com/" target="_blank">Os Pequenos Deuses da Trapaça</a>”.  O primeira coisa que notei em seu e-book, foi os pequenos detalhes, que  logo me mostraram, de um lado o humor do autor sobre o próprio ofício,  de outro a reflexão profunda sobre a forma de se publicar um livro.</p>
<p>Tive vontade, ao escrever estes breves comentários de apenas analisar  os aspectos formais da obra do autor, pois valeria à pena me ater a  eles, mas não seria justo com o autor não ressaltar o texto. De tal  forma, gostaria de de ressaltar a primeira ironia do livro. Quem já  comprou algum livro editado na América do Norte, deve ter notado que nas  primeiras páginas, derramam-se elogios ao autor, sempre feitos por  personalidades de respeito, para Manuel Carneiro quem o recomenda é  somente aqueles que jamais poderiam ter lido o livro. Defuntos elogios  ou elogios defuntos, os vermes que primeiro roeram as carnes de Brás  Cubas, agora homenageiam Manuel Carreiro.</p>
<p>Tenho certa afeição à fábulas. O conto, em sua origem, tem a tradição  fabular, e seus fiapos costumam ficar aparentes nos dentes dos  escritores com formação filosófica. Desde o título “Pequenos deuses da  trapaça” quanto na escolha da narrativa curta e direta, impregnada de  metáforas e palavras cuidadosamente escolhidas por seus significados  simbólicos a obra me remete à fábula. Talvez pela influência da obra  crítica de Italo Calvino, procuro os elementos fabulares que ele  escolheu para a literatura que ele esperava (v. Seis Propostas para o  próximo milênio – Ed. Cia das Letras). O texto de Manuel Carreiro  apresenta todas: 1) leveza, 2) rapidez, 3) exatidão, 4) visibilidade e  5) multiplicidade. Vale lembrar que a sexta, e última (Consistência),  nunca foi escrita pelo italiano que faleceu antes de escrever para o  ciclo de palestras que faria em Harvard.</p>
<p>Assim, o conjunto de contos do autor (aqui referidos como contos por  apresentarem a forma breve e sem entrar na classificação das formas, que  para mim é apenas ilustrativa e acadêmica), formam um pequeno universo  de fábulas de nosso tempo. Está lá sua reflexão do (anti) herói moderno,  em constante crise com seu mundo. Não vejo como é possível fazer  literatura de relevância sem explorar cada aspecto dessa ruptura  definitiva.</p>
<p>Não há como ler um dos contos de “Os Pequenos Deuses da Trapaça” sem  ao final ter mais dúvidas que certezas. A primeira, talvez única,  certeza é que estamos diante de um texto em que nenhuma palavra está  fora do lugar, como se cada uma delas fosse resultado de reflexão. Esta é  a reflexão que nos gera a exata dúvida que nos leva de volta ao início  do conto. A angustia que encontramos no texto está na imagem refletida  do leitor sobre o texto buscando não se identificar com cada linha que  parece envolvê-lo. Não queremos estar no texto de Carreiro, mas somos  levados à releitura exatamente pela dialética Hegeliana dessa busca  cíclica.</p>
<p>O impulso cíclico (e reflexivo), não é vicioso, como pode esperar o  leitor rasteiro, mas virtuoso. Nas palavras do autor é um livro de  resistência e hermético na forma. A leitura fácil das redes sociais é  negada. Por certo, ao pensar “que merda é essa?” (como deseja o autor) o  leitor  precisa abrir mão das facilidades do conteúdo vazio e rasteiro  da era da informação e encarar a reflexão com o sabor amargo dos  remédios.</p>
<p>Sem entrar na descrição de cada um dos contos, vale ressaltar  especialmente o conto “Quero ser outro”. Nesta pequena estória, o autor  trabalha com  a dualidade do ser humano, sobre aqueles impulsos de  admiração e inveja que nos faz querer ter/ser algo que não temos/somos. O  conto encerra ao mesmo tempo com uma frase reflexiva mas que dá o ar de  “causo à moda antiga”.</p>
<p>Creio que vale a pena, para quem for ler a “Os Pequenos deuses da  Trapaça” degustá-lo lenta e pacientemente, pensando a cada conto sobre o  que leram e preparados para voltar ao seu início. Como uma boa piada,  voltando ao tema do humor, cada sorriso que a obra nos proporciona,  mostra nossa capacidade de rirmos de nós mesmos.</p>
<p>Segue abaixo, pequena entrevista que realizei com o autor Manuel Carreiro:</p>
<p><strong>1. Eu notei bastante humor em pequenos detalhes do seu livro.  Entre eles os trechos de resenha de autores já falecidos, que não  poderiam ter lido seu livro. Qual é a importância do humor em sua prosa? </strong></p>
<p>O humor é importante para abrir caminho  pra ironia. Aquela página das resenhas dos autores falecidos é apenas um  dos diversos aspectos do livro que visam fazer chacota da indústria  cultural e do mercado editorial. Aliás, eu procurei fazer um livro  sutil, mas altamente subversivo na sua sutileza. O título desta página  das resenhas (International praise for “Os pequenos deuses da trapaça”,  by Manuel Carreiro) está em inglês justamente para parecer pomposo e  para fazer troça destas páginas ridículas muito comuns aqui na América  do Norte, onde os resenhistas dos jornais fazem comparações esdrúxulas  como “o novo Elvis da crítica cultural”, “um verdadeiro pop star das  letras”, “top da lista do new york times review do caralho a quatro”,  apenas para alavancar as vendas de um livro que é, geralmente, muito  ruim. Coloquei os comentários na língua original do autor (inglês,  português e alemão tosco, porque não sei nada de alemão) no intuito de  apontar para a grande bobagem que essas páginas são. E também pra forçar  a curiosidade de um leitor atento. O leitor curioso de verdade vai ao  dicionário conferir o que tá escrito ali… A citação do Gutemberg, por  exemplo, é extremamente irônica e cortante em tempos de e-books e de  aparelhos de leitura – mas me pergunto se alguém foi pelo menos ao  Google translator pra conferir o que tá escrito ali! Há outras coisas  que considero engraçadas no livro. O conto sobre Adão e Eva é na verdade  uma piada. O comportamento do personagem número um do conto  “Quinta-feira” é patético e triste. Os meninos de “Quero ser outro” são  ridículos como nós, querendo sempre ser outra coisa que não nós mesmos.  Acho que meu livro possui um humor meio amargo, mas também necessário.  Mas é um livro que ri principalmente do autor.</p>
<p><strong>2. Por que a preferência pela forma curta?</strong></p>
<p>Fernando, em determinada altura da minha  vida, resolvi assumir a minha incompetência. Eu já havia decidido há  alguns anos atrás que eu jamais seria capaz de escrever um romance  relevante. Sinceramente acho os meus contos relevantes. Não digo que  sejam melhores nem piores do que os de ninguém, mas são relevantes  porque são instigantes e abertos. Convidam o leitor atento a pensar um  pouco. Claro que escrevo em busca de um leitor ideal. E o meu leitor  ideal é lento, preguiçoso, vagaroso. Gosta de ler bem devagar, reler um  trecho. Coçar o queixo. Pensar um pouco. Sublinhar. Dobrar a página e  maltratar o livro. Desdobrar a página. Retomar a leitura. O livro do meu  leitor ideal tem manchas de café e farelo de pão dentro dele, porque  ele carrega o livro consigo. Ele não sacraliza o objeto. Ele gosta do  que vai lá escrito. E aquilo o influencia. Ele sente o que lê. E a única  maneira que encontrei para me expressar foi assim – escrevendo contos.  Por ora, não vou mais escrever ficção. Pode ser que daqui a 10, 15 anos,  se me for dada a graça de estar vivo, apareça algo. Mas por ora, fico 4  anos escrevendo a minha tese-manifesto de doutorado sobre a crise da  educação contemporânea e rascunhando um roteiro de filme.<strong> </strong></p>
<p><strong>3. Este é um livro de estórias. como você diferencia Estória e História e porque essa escolha para seu livro?</strong><strong> </strong></p>
<p>Na verdade não faço distinção entre  Estória e História. Até mesmo porque a História também é uma arte  narrativa. Ela é uma Estória. Coloquei “Estória” lá por duas razões: uma  é fazer uma espécie de homenagem ao João Guimarães Rosa. A outra é  resgatar uma palavra tão bonita que caiu em desuso. Resgatar a palavra  também é afrontar o desuso.</p>
<p><strong>4. No livro existe, de maneira recorrente, a decomposição de  palavras. em que aspecto foi importante a reflexão sobre a forma na  expressão do conteúdo na composição do livro?</strong></p>
<p>Decompus e fundi palavras para dar ritmo à  narrativa, para inserir pistas sobre os paradoxos e enigmas presentes  no texto. Pensei bastante sobre a forma. Houve um momento em que achei  que a decomposição, a fusão, a inversão de palavras, enfim, tudo aquilo  estava errado. Daí limpei todo o texto. O livro inteiro. O texto ficou  fácil, gostoso, compreensível, amigo do leitor. Daí me senti desonesto.  Achei que a melhor forma de ser legal com o leitor é não sendo amigo  dele. É fazer algo que perturbe a sua alma sossegada. Daí procurei sujar  o texto mais com esses elementos todos. Achei que era mais honesto  escrever pra mim. O conto “Onde a mulher teve um amor feliz é a sua  terra natal”, por exemplo, me tomou 3 anos ininterruptos de trabalho.  Jamais o abandonei por 3 anos. Reescrevi, tornei-o mais acessível,  compliquei novamente, cortei, reescrevi à mão. Achei que era necessário o  livro ser formalmente quase hermético assim para manter o seu caráter  subversivo. Quando digo que ele é subversivo, quero dizer que ele força o  leitor a pensar e a refletir. (Por isso espalhei espelhos pelo texto).  Até por isso, sei que pouca gente irá lê-lo. Ele é um livro  anti-twitter, anti-mensagem ao celular, anti-falar ao telefone e  dirigir, anti-MSN, anti-redes sociais. Gosto de imaginar um leitor  imprimindo o e-book em casa, encadernando o livro e levando ele para uma  floresta. Ele dá uma banana pra civilização, e fica horas, com um lápis  à mão lendo e pensando – “que merda é essa?”</p>
<p>E essa inquietude muda sua vida pra sempre.</p>
<p>&#8212;</p>
<p><em>Vale Lembrar que o Livro “Os pequenos Deuses da Trapaça” está disponível para download no site do Autor: <a title="http://ospequenosdeusesdatrapaca.wordpress.com/" rel="nofollow" href="http://ospequenosdeusesdatrapaca.wordpress.com/" target="_blank">http://ospequenosdeusesdatrapaca.wordpress.com/</a></em></p>
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