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	<title>Arlequinal &#187; Fernanda Fiamoncini</title>
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	<description>Cultural e Coletivo</description>
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		<title>Novos Diálogos Curtos</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 22:39:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando Torres Dois amigos: - Apagaram minha conta de Facebook. Sou Homónimo de um jogador de Futebol. - Quem mandou ter nome igual a ele? - Ele que tem o nome igual ao meu, sou mais velho. - Mas ninguém nunca te viu chutar uma bola. - Nem ele a escrever diálogos curtos. &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando Torres</p>
<p>Dois amigos:</p>
<p>- Apagaram minha conta de Facebook. Sou Homónimo de um jogador de Futebol.</p>
<p>- Quem mandou ter nome igual a ele?</p>
<p>- Ele que tem o nome igual ao meu, sou mais velho.</p>
<p>- Mas ninguém nunca te viu chutar uma bola.</p>
<p>- Nem ele a escrever diálogos curtos.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Duas senhoras no ônibus:</p>
<p>- Me disseram que eu não tenho pobrema, mas problema.</p>
<p>- Eles não entendem. Problema é o que você resolve na escola. Pobrema é o que você tem na vida.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>- O senhor deixou cair esse papel.</p>
<p>- Não. Joguei no chão mesmo.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>- Mãe, por que você se apaixonou pelo papai?</p>
<p>- Ah&#8230; Ele era muito engraçado.</p>
<p>-  Nossa! E o que aconteceu com ele?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>- Aquele Francês falou que feijoada tem aparência de merda.</p>
<p>- Deve ter gostado, para quem só come caramujo e carne de segunda&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Exposicão S/T &#8211; Últimas Semanas</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2010/07/05/exposicao-st-ultimas-semanas/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Jul 2010 15:50:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes Plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[A Exposição Fotográfica S/T está nas últimas semanas em cartaz. Ela conta com a participação de mais de 30 trabalhos diferenciados e poderá ser visitada até dia 18 de julho na Galeria Olido, São Paulo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Exposição Fotográfica S/T está nas últimas semanas em cartaz.</p>
<p>Ela conta com a participação de mais de 30 trabalhos diferenciados e poderá ser visitada até dia 18 de julho na Galeria Olido, São Paulo.</p>
<p><a href="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC_0055.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-773" title="Exposição S/T" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2010/07/DSC_0055.jpg" alt="" width="550" height="367" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Coleção Abril &#8211; Boas Notícias</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2010/02/22/colecao-abril-boas-noticias/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 19:18:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernando Torres Essa eu pesquei no blog da Ivana Arruda Leite: Após intervalo de 32 anos, a Editora Abril volta a lançar uma primorosa coleção de literatura. Clássicos Abril Coleções reúne, em 35 volumes ricamente encadernados, as melhores traduções de 30 das mais importantes obras da literatura universal. Os livros estarão disponíveis semanalmente em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernando Torres</p>
<p>Essa eu pesquei no <a href="http://doidivana.wordpress.com/">blog da Ivana Arruda Leite</a>:</p>
<p>Após intervalo de 32 anos, a Editora Abril volta a lançar uma primorosa coleção de literatura. Clássicos Abril Coleções reúne, em 35 volumes ricamente encadernados, as melhores traduções de 30 das mais importantes obras da literatura universal. Os livros estarão disponíveis semanalmente em bancas e livrarias por apenas R$ 14,90. Na promoção de lançamento, o leitor adquire o volume 1 de Crime e castigo, de Dostoiévski, e ganha o volume 2. A coleção será lançada no dia 26 de fevereiro nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, e em maio nos demais Estados.<br />
Os títulos da coleção</p>
<p>1.	Crime e castigo – vol. I – Fiódor Dostoiévski (trad. Rosário Fusco)<br />
2.	Crime e castigo – vol. II – Fiódor Dostoiévski (trad. Rosário Fusco)<br />
3.	Madame Bovary – Gustave Flaubert (trad. Fúlvia M. L. Moretto)<br />
4.	O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde (trad. José Eduardo Moretzsohn)<br />
5.	Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis<br />
6.	A divina comédia – Inferno – Dante Alighieri (trad. Jorge Wanderley)<br />
7.	Os sofrimentos do jovem Werther – J. W. Goethe (trad. Leonardo Lack)<br />
8.	O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha – vol. I – Miguel de Cervantes (trad. José Luis Sánchez e Carlos Nougué)<br />
9.	O engenhoso fidalgo D. Quixote da Mancha – vol. II – Miguel de Cervantes (trad. José Luis Sánchez e Carlos Nougué)<br />
10.	 Hamlet, Rei Lear, Macbeth – William Shakespeare (trad. Barbara Heliodora)<br />
11.	 Ilusões perdidas – vol. I – Honoré de Balzac (trad. Leila de Aguiar Costa)<br />
12.	 Ilusões perdidas – vol. II – Honoré de Balzac (trad. Leila de Aguiar Costa)<br />
13.	 Orgulho e preconceito – Jane Austen (trad. Lúcio Cardoso)<br />
14.	 O primo Basílio – Eça de Queirós (trad. Paulo Franchetti)<br />
15.	 Moby Dick – vol. I – Herman Melville (trad. Berenice Xavier)<br />
16.	 Moby Dick – vol. II – Herman Melville (trad. Berenice Xavier)<br />
17.	 O falecido Mattia Pascal – Luigi Pirandello (trad. Rômulo Antônio Giovelli e Francisco Degani)<br />
18.	 O homem que queria ser rei e outras histórias – Rudyard Kipling (trad. Cristina Carvalho Boselli)<br />
19.	 Os lusíadas – Luís de Camões<br />
20.	 A metamorfose – Franz Kafka (trad. Lourival Holt Albuquerque)<br />
21.	 Outra volta do parafuso – Henry James (trad. Brenno Silveira)<br />
22.	 O assassinato e outras histórias – Anton Tchekhov (trad. Rubens Figueiredo)<br />
23.	 O morro dos ventos uivantes – Emily Brönte (trad. Raquel de Queiroz)<br />
24.	 Mensagem – Fernando Pessoa<br />
25.	 Coração das trevas – Joseph Conrad (trad. Celso M. Paciornik)<br />
26.	 O vermelho e o negro – Stendhal (trad. Raquel Prado)<br />
27.	 Cândido – Voltaire (trad. Marcos Bagno)<br />
28.	 Os Malavoglia – Giovanni Verga (trad. Aurora Bernardini e Homero de Andrade)<br />
29.	 Os sertões – vol. I – Euclides da Cunha<br />
30.	 Os sertões – vol. II – Euclides da Cunha<br />
31.	 Contos de amor, de loucura e de morte – Horacio Quiroga (trad. Eric Nepomuceno)<br />
32.	 Infância –Maksim Górki (trad. Rubens Figueiredo)<br />
33.	 Grandes esperanças – Charles Dickens (trad. José Eduardo Moretzsohn)<br />
34.	 No caminho de Swann – Marcel Proust (trad. Fernando Py)<br />
35.	 Odisseia – Homero (trad. Prof. Jaime Bruna)</p>
<p>Excelente Livros, devo ter alguns deles o que me impede de fazer a assinatura, mas com certeza vou acompanhar os lançamentos um a um.</p>
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		<title>Exposição Coletiva Bentevi em Salvador</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2009/11/17/exposicao-coletiva-bentevi-em-salvador/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2009 00:20:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>

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		<description><![CDATA[O site Bentevi é um projeto de caráter independente que se coloca como um espaço colaborativo. A Exposição Coletiva Bentevi conta com o incentivo de investidores anônimos e com a participação dos artistas na produção, organização, divulgação e montagem. 22.11.09 data em que a Exposição Coletiva Bentevi se realizará no bairro do Rio Vermelho em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><img class="alignnone size-full wp-image-565" title="coletiva-bentevi" src="http://arlequinal.com.br/wp-content/uploads/2009/11/coletiva-bentevi2.jpg" alt="coletiva-bentevi" width="689" height="500" /></p>
<p align="justify">O site Bentevi é um projeto de caráter independente que se coloca como um espaço colaborativo. A Exposição Coletiva Bentevi conta com o incentivo de investidores anônimos e com a participação dos artistas na produção, organização, divulgação e montagem.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>22.11.09</strong> data em que a Exposição Coletiva Bentevi se realizará no bairro do Rio Vermelho em Salvador (BA), junto ao lançamento do site Bentevi.</p>
<p align="justify"><strong>23.11.09 a 22.12.09: de 15 às 21h</strong> a Coletiva Bentevi estará aberta gratuitamente para visitação e durante este período haverá ocupação do espaço (com pautas abertas) para apresentação de projetos e portfólios, discussões, performances, vídeos, oficinas, encontros&#8230; Entre outros.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">Propomos exposição de obras e idéias!</p>
<p align="justify">Onde: O espaço expositivo principal será no Estúdio do Coletivo EPPA (Travessa Prudente de Morais, 59 – Rio Vermelho). As obras poderão circular em outros sítios como lojas, livrarias, bares, restaurantes, além de espaços públicos do Rio Vermelho.</p>
<p align="justify">Programação: Fiquem atentos ao site, no menu Bentevi, durante o período da exposição, postaremos a programação mapeando todo o circuito e os demais acontecimentos sobre a ocupação das pautas.</p>
<p align="justify">Artistas Alexandre Gomes Vilas Boas (SP) Ana Aly (SP) Ana Paula Pessoa (BA) Ana Verana (BA) Anderson (BA) Beto Guilger (SP) Caroline Paternostro (BA) Clara Domingas (BA) Coletivo 308 (SP) Coletivo EPPA (BA) Coletivo Osso (BA) Daniel Bernardinelli (SP) Ed França (MG) Ederson Baptista (BA) Eduardo Garofalo (SP) Euriclésio Sodré (BA) Erivan Morais (BA) Fábio Duarte (RJ) Fernanda Fiamoncini (SP) Fernando Lopes (BA) Gabriel Guerra (BA) Gil Bastos Vieira (BA) Heitor Dantas e Jorge Chichorro (BA) Iara Sales (BA) Isabela Lemos (BA) Iuri Casaes (RJ) Kátia Spagnol (SP) Larissa Ferreira (BA) Leandro Cardoso (SP) LuciaMonteAlegre (BA) Marcelo Moreira (BA) Marcelus Freitas (BA) Marcius Kaoru (BA) Marquinhos de Olinda (BA) Mauricio Topal (BA) Mônica Nitz e Yury Aires (ES) Naara (BA) Niltim Lopes (BA) Osmar Beneson (SP) Pastel Schaefer (SP) Pedro Fernandes (BA) Péricles Mendes (BA) Rose Boarêtto (BA) Túlio Carapiá (BA) Vânia Medeiros (SP) Vinicius S/A (BA) Willyams Martins (BA)</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Cinco Dificuldades Para Escrever a Verdade</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2009/10/18/535/</link>
		<comments>http://arlequinal.com.br/2009/10/18/535/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2009 23:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernanda Fiamoncini Estava relendo esse texto do Brecht e pensando em como ele reflete a condição de muitos que tentam &#8220;escrever&#8221; a verdade, seja como for que se escreve a verdade, com literatura, filosofia, jornalismo, cinema, teatro, fotografia, pintura, etc. Alguns mais conservadores e menos dialéticos podem achar que um texto de 1934 não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Por Fernanda Fiamoncini</p>
<p align="justify">
<p align="justify">Estava relendo esse texto do Brecht e pensando em como ele reflete a condição de muitos que tentam &#8220;escrever&#8221; a verdade, seja como for que se escreve a verdade, com literatura, filosofia, jornalismo, cinema, teatro, fotografia, pintura, etc. Alguns mais conservadores e menos dialéticos podem achar que um texto de 1934 não se aplica à atualidade, porém a &#8220;verdade&#8221; ainda parece estar coberta de uma cortina vermelha, ou quem sabe ofuscada pelos holofotes que desviam nossos olhares para outras coisas.</p>
<p align="justify">Na verdade, creio que esse texto (bastante atual) fala muito sobre o fazer a verdade, através de &#8220;N&#8221; meios os quas não me cabe listar aqui &#8211; o de Brecht era a literatura e o teatro, e espero que, postando esse texto aqui,  possa servir como ponto de apoio para outros que ainda busquem uma forma de dizer a verdade.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">
<p align="right">
<p align="right"><em><strong>&#8220;As cinco dificuldades para escrever a verdade</strong></em></p>
<p align="right"><em>Bertold Brecht</em></p>
<p align="justify">
<p align="justify"><em>Hoje, o escritor que deseje combater a mentira e a ignorância tem de lutar, pelo menos, contra cinco dificuldades. É-lhe necessária a coragem de dizer a verdade, numa altura em que por toda a parte se empenham em sufocá-la; a inteligência de a reconhecer, quando por toda a parte a ocultam; a arte de a tornar manejável como uma arma; o discernimento suficiente para escolher aqueles em cujas mãos ela se tornará eficaz; finalmente, precisa de ter habilidade para difundir entre eles. Estas dificuldades são grandes para os que escrevem sob o jugo do fascismo; aqueles que fugiram ou foram expulsos também sentem o peso delas; e até os que escrevem num regime de liberdades burguesas não estão livres da sua ação.</em></p>
<p align="justify"><em><br />
</em></p>
<p><em>1- A CORAGEM DE DIZER A VERDADE</em></p>
<p align="justify"><em>É evidente que o escritor deve dizer a verdade, não a calar nem a abafar, e nada escrever contra ela. É sua obrigação evitar rebaixar-se diante dos poderosos, não enganar os fracos, naturalmente, assim como resistir à tentação do lucro que advém de enganar os fracos. Desagradar aos que tudo possuem equivale a renunciar seja o que for. Renunciar ao salário do seu trabalho equivale por vezes a não poder trabalhar, e recusar ser célebre entre os poderosos é muitas vezes recusar qualquer espécie de celebridade. Para isso precisa-se de coragem. As épocas de extrema opressão costumam ser também aquelas em que os grandes e nobres temas estão na ordem do dia. Em tais épocas, quando o espírito de sacrifício é exaltado ruidosamente, precisa o escritor de muita coragem para tratar de temas tão mesquinhos e tão baixos como a alimentação dos trabalhadores e o seu alojamento.</em></p>
<p align="justify"><em>Quando os camponeses são cobertos de honrarias e apontados como exemplo, é corajoso o escritor que fala da maquinaria agrícola e dos pastos baratos que aliviariam o tão exaltado trabalho dos campos. Quando todos os alto-falantes espalham aos quatro ventos que o ignorante vale mais do que o instruído, é preciso coragem para perguntar: vale mais por quê? Quando se fala de raças nobres e de raças inferiores, é corajoso o que pergunta se a fome, a ignorância e a guerra não produzem odiosas deformidades. É igualmente necessária coragem para se dizer a verdade a nosso próprio respeito, sobre os vencidos que somos. Muitos perseguidos perdem a faculdade de reconhecer as suas culpas. A perseguição parece-lhes uma monstruosa injustiça. Os perseguidores são maus, dado que perseguem, e eles, os perseguidos, são perseguidos por causa da sua virtude. Mas essa virtude foi esmagada, vencida, reduzida à impotência. Bem fraca virtude ela era! Má, inconsistente e pouco segura virtude, pois não é admissível aceitar a fraqueza da virtude como se aceita a umidade da chuva. É necessária coragem para dizer que os bons não foram vencidos por causa da sua virtude, mas antes por causa da sua fraqueza. A verdade deve ser mostrada na sua luta com a mentira e nunca apresentada como algo de sublime, de ambíguo e de geral; este estilo de falar dela convém justamente à mentira. Quando se afirma que alguém disse a verdade é porque houve outros, vários, muitos ou um só, que disseram outra coisa, mentiras ou generalidades, mas aquele disse a verdade, falou em algo de prático, concreto, impossível de negar, disse a única coisa que era preciso dizer.</em></p>
<p align="justify"><em>Não se carece de muita coragem para deplorar em termos gerais a corrupção do mundo e para falar num tom ameaçador, nos lugares onde a coisa ainda é permitida, da desforra do Espírito. Muitos simulam a bravura como se os canhões estivessem apontados sobre eles; a verdade é que apenas servem de mira a binóculos de teatro. Os seus gritos atiram algumas vagas e generalizadas reivindicações, à face dum mundo onde as pessoas inofensivas são estimadas. Reclamam em termos gerais uma justiça para a qual nada contribuem, apelam pela liberdade de receber a sua parte dum espólio que sempre têm partilhado com eles. Para esses, a verdade tem de soar bem. Se nela só há aridez, números e fatos, se para a encontrar forem precisos estudos e muito esforço, então essa verdade não é para eles, não possui a seus olhos nada de exaltante. Da verdade, só lhes interessa o comportamento exterior que permite clamar por ela. A sua grande desgraça é não possuírem a mínima noção dela.</em></p>
<p align="justify"><em><br />
</em></p>
<p><em>2- A INTELIGÊNCIA DE RECONHECER A VERDADE</em></p>
<p align="justify"><em>Como é difícil dizer a verdade, já que por toda a parte a sufocam, dizê-la ou não parece à maioria uma simples questão de honestidade. Muitas pessoas pensam que quem diz a verdade só precisa de coragem. Esquecem a segunda dificuldade, a que consiste em descobri-la. Não se pode dizer que seja fácil encontrar a verdade.</em></p>
<p align="justify"><em>Em primeiro lugar, já não é fácil descobrir qual verdade merece ser dita. Hoje, por exemplo, as grandes nações civilizadas vão soçobrando uma após outra na pior das barbáries diante dos olhos pasmados do universo.</em></p>
<p align="justify"><em>Acresce ainda o fato de todos sabermos que a guerra interna, dispondo dos meios mais horríveis, pode transformar-se dum momento para o outro numa guerra exterior que só deixará um montão de escombros no sitio onde outrora havia o nosso continente. Esta é uma verdade que não admite dúvidas, mas é claro que existem outras verdades. Por exemplo: não é falso que as cadeiras sirvam para a gente se sentar e que a chuva caia de cima para baixo. Muitos poetas escrevem verdades deste gênero. Assemelham-se a pintores que esboçassem naturezas mortas a bordo dum navio em risco de naufragar. A primeira dificuldade de que falamos não existe para eles e, contudo, têm a consciência tranqüila. &#8220;Esgalham&#8221; o quadro num desprezo soberano pelos poderosos, mas também sem se deixarem impressionar pelos gritos das vítimas. O absurdo do seu comportamento engendra neles um &#8220;profundo&#8221; pessimismo que se vende bem; os outros é que têm motivos para se sentirem pessimistas ao verem o modo como esses mestres se vendem. Já nem sequer é fácil reconhecer que as suas verdades dizem respeito ao destino das cadeiras e ao sentido da chuva: essas verdades soam normalmente de outra maneira, como se estivessem relacionadas com coisas essenciais, pois o trabalho do artista consiste justamente em dar um ar de importância aos temas de que trata.</em></p>
<p align="justify"><em>Só olhando os quadros de muito perto é que podemos discernir a simplicidade do que dizem: &#8220;Uma cadeira é uma cadeira&#8221; e &#8220;Ninguém pode impedir a chuva de cair de cima para baixo&#8221;. As pessoas não encontram ali a verdade que merece a pena ser dita.</em></p>
<p align="justify"><em>Alguns se consagram verdadeiramente às tarefas mais urgentes, sem medo aos poderosos ou à pobreza, e, no entanto, não conseguem encontrar a verdade. Faltam-lhe conhecimentos. As velhas superstições não os largam, assim como os preconceitos ilustres que o passado freqüentemente revestiu de uma forma bela. Acham o mundo complicado em demasia, não conhecem os dados nem distinguem as relações. A honestidade não basta; são precisos conhecimentos que se podem adquirir e métodos que se podem aprender. Todos os que escrevem sobre as complicações desta época e sobre as transformações que nela ocorrem necessitam de conhecer a dialética materialista, a economia e a história. Estes conhecimentos podem adquirir-se nos livros e através da aprendizagem prática, por mínima que seja a vontade necessária. Muitas verdades podem ser encontradas com a ajuda de meios bastante mais simples, através de fragmentos de verdades ou dos dados que conduzem à sua descoberta. Quando se quer procurar, é conveniente ter-se um método, mas também se pode encontrar sem método e até sem procura. Contudo, através dos diversos modos como o acaso se exprime, não se pode esperar a representação da verdade que permite aos homens saber como devem agir. As pessoas que só se empenham em anotar os fatos insignificantes são incapazes de tornar manejáveis as coisas deste mundo. O objetivo da verdade é uno e indivisível. As pessoas que apenas são capazes de dizer generalidades sobre a verdade não estão à altura dessa obrigação.</em></p>
<p align="justify"><em>Se alguém está pronto a dizer a verdade e é capaz de a reconhecer, ainda tem de vencer três dificuldades.</em></p>
<p align="justify"><em><br />
</em></p>
<p><em>3-A ARTE DE TORNAR A VERDADE MANEJÁVEL COMO UMA ARMA</em></p>
<p align="justify"><em>O que torna imperiosa a necessidade de dizer a verdade são as conseqüências que isso implica no que diz respeito à conduta prática. Como exemplo de verdade inconseqüente ou de que se poderão tirar conseqüências falsas, tomemos o conceito largamente difundido, segundo o qual em certos países reina um estado de coisas nefasto, resultante da barbárie. Para esta concepção, o fascismo é uma vaga de barbárie que alagou certos países com a violência de um fenômeno natural.</em></p>
<p align="justify"><em>Os que assim pensam, entendem o fascismo como um novo movimento, uma terceira força justaposta ao capitalismo e ao socialismo (e que os domina). Para quem partilha esta opinião, não só o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam podido, se não fosse o fascismo, continuar a existir, etc. Naturalmente que se trata de uma afirmação fascista, de uma capitulação perante o fascismo. O fascismo é uma fase histórica na qual o capitalismo entrou; por conseqüência, algo de novo e ao mesmo tempo de velho. Nos países fascistas, a existência do capitalismo assume a forma do fascismo, e não é possível combater o fascismo senão enquanto capitalismo, senão enquanto forma mais nua, mais cínica, mais opressora e mais mentirosa do capitalismo.</em></p>
<p align="justify"><em>Como se poderá dizer a verdade sobre o fascismo que se recusa, se quem diz essa verdade se abstém de falar contra o capitalismo que engendra o fascismo? Qual será o alcance prático dessa verdade?</em></p>
<p align="justify"><em>Aqueles que estão contra o fascismo sem estar contra o capitalismo, que choramingam sobre a barbárie causada pela barbárie, assemelham-se a pessoas que querem receber a sua fatia de assado de vitela, mas não querem que se mate a vitela. Querem comer vitela, mas não querem ver sangue. Para ficarem contentes, basta que o magarefe lave as mãos antes de servir a carne. Não são contra as relações de propriedade que produzem a barbárie, mas são contra a barbárie.</em></p>
<p align="justify"><em>As recriminações contra as medidas bárbaras podem ter uma eficácia episódica, enquanto os auditores acreditarem que semelhantes medidas não são possíveis na sociedade onde vivem. Certos países gozam do raro privilégio de manter relações de propriedade capitalistas por processos aparentemente menos violentos. A democracia ainda lhes presta os serviços que noutras partes do mundo só podem ser prestados mediante o recurso à violência, quer dizer, aí a democracia chega para garantir a propriedade privada dos meios de produção. O monopólio das fábricas, das minas, dos latifúndios gera em toda a parte condições bárbaras; digamos que em alguns lugares a democracia torna essas condições menos visíveis. A barbárie torna-se visível logo que o monopólio já só pode encontrar proteção na violência nua.</em></p>
<p align="justify"><em>Certas nações que conseguem preservar os monopólios bárbaros sem renunciar às garantias formais do direito, nem a comodidades como a arte, a filosofia, a literatura, acolhem carinhosamente os hóspedes cujos discursos procuram desculpar o seu país natal de ter renunciado a semelhantes confortos: tudo isso lhes será útil nas guerras vindouras. É licito dizer-se que reconheceram a verdade, aqueles que reclamam a torto e a direito uma luta sem quartel contra a Alemanha, apresentada como verdadeira pátria do mal da nossa época, sucursal do inferno, caverna do Anticristo? Desses, não será exagerado pensar que não passam de impotentes e nefastos imbecis, já que a conclusão do seu blá-blá-blá aponta para a destruição desse país inteiro e de todos os seus habitantes (o gás asfixiante, quando mata, não escolhe os culpados).</em></p>
<p align="justify"><em>O homem frívolo, que não conhece a verdade, exprime-se através de generalidades, em termos nobres e imprecisos. Encanta-o perorar sobre &#8220;os&#8221; alemães ou lançar-se em grandes tiradas sobre &#8220;o&#8221; Mal, mas a verdade é que nós, aqueles a quem o homem frívolo fala, ficamos embaraçados, sem saber que fazer de semelhantes ditames. Afinal de contas, o nosso homem decidiu deixar de ser alemão? E lá por ele ser bom, o inferno vai desaparecer? São desta espécie as grandes frases sobre a barbárie. Para os seus autores, a barbárie vem da barbárie e desaparece graças à educação moral que vem da educação. Que miséria a destas generalidades, que não visam qualquer aplicação prática e, no fundo, não se dirigem a ninguém.</em></p>
<p align="justify"><em>Não nos admiremos que se digam de esquerda, &#8220;mas&#8221; democratas, os que só conseguem elevar-se a tão fracas e improfícuas verdades. A &#8220;esquerda democrática&#8221; é outra destas generalidades-álibis onde correm a acoitarem-se as pessoas inconseqüentes, isto é, os incapazes de viver até as últimas conseqüências as verdades que quer a esquerda, quer a democracia contêm. Reclamar-se alguém da &#8220;esquerda democrática&#8221; significa, em termos práticos, que pertence ao grupo dos ineptos para revolucionar ou conservar as coisas, ao clã dos generalistas da verdade.</em></p>
<p align="justify"><em>Não é a mim, fugido da Alemanha com a roupa que tinha no corpo, que me vão apresentar o fascismo como uma espécie de força motriz natural impossível de dominar. A obscuridade dessas descrições esconde as verdadeiras forças que produzem as catástrofes. Um pouco de luz, e logo se vê que são homens a causa das catástrofes. Pois é, amigos: vivemos num tempo em que o homem é o destino do homem.</em></p>
<p align="justify"><em>O fascismo não é uma calamidade natural, que se possa compreender a partir da &#8220;natureza&#8221; humana. Mas mesmo confrontados com catástrofes naturais, há um modo de descrevê-las digno do homem, um modo que apela para as suas qualidades combativas.</em></p>
<p align="justify"><em>O cronista de grandes catástrofes como o fascismo e a guerra (que não são catástrofes naturais) deve elaborar uma verdade praticável, mostrar as calamidades que os que possuem os meios de produção infligem às massas imensas dos que trabalham e não os possuem.</em></p>
<p align="justify"><em>Se se pretende dizer eficazmente a verdade sobre um mau estado de coisas, é preciso dizê-la de maneira que permita reconhecer as suas causas evitáveis. Uma vez reconhecidas as causas evitáveis, o mau estado de coisas pode ser combatido.</em></p>
<p align="justify"><em><br />
</em></p>
<p><em>4- DISCERNIMENTO SUFICIENTE PARA ESCOLHER OS QUE TORNARÃO A VERDADE EFICAZ</em></p>
<p align="justify"><em>Tirando ao escritor a preocupação pelo destino dos seus textos, as tradições seculares do comércio da coisa escrita no mercado das opiniões deram-lhe a impressão de que a sua missão terminava logo que o intermediário, cliente ou editor, se encarregava de transmitir aos outros a obra acabada. O escritor pensava: falo e ouve-me quem me quiser ouvir. Na verdade, ele falava e quem podia pagar ouvia-o. Nem todos ouviam as suas palavras, e os que as ouviam não estavam dispostos a ouvir tudo o que se lhes dizia. Tem-se falado muito desta questão, mas mesmo assim ainda não chega o que se tem dito: limitar-me-ei aqui a acentuar que &#8220;escrever a alguém&#8221; tornou-se pura e simplesmente &#8220;escrever&#8221;. Ora não se pode escrever a verdade e basta: é absolutamente necessário escrevê-la a &#8220;alguém&#8221; que possa tirar partido dela. O conhecimento da verdade é um processo comum aos que lêem e aos que escrevem. Para dizer boas coisas, é preciso ouvir bem e ouvir boas coisas. A verdade deve ser pesada por quem a diz e por quem a ouve. E para nós que escrevemos, é essencial saber a quem a dizemos e quem no-la diz.</em></p>
<p align="justify"><em>Devemos dizer a verdade sobre um mau estado de coisas àqueles que o consideram o pior estado de coisas, e é desses que devemos aprender a verdade. Devemos não só dirigir-nos às pessoas que têm uma certa opinião, mas também aos que ainda a não têm e deviam tê-la, ditada pela sua própria situação. Os nossos auditores transformam-se continuamente! Até se pode falar com os próprios carrascos quando o prêmio dos enforcamentos deixa de ser pago pontualmente ou o perigo de estar com os assassinos se torna muito grande. Os camponeses da Baviera não costumam querer nada com revoluções, mas quando as guerras duram demais e os seus filhos, no regresso, não arranjam trabalho nas quintas, tem sido possível ganhá-los para a revolução.</em></p>
<p align="justify"><em>Para quem escreve, é importante saber encontrar o tom da verdade. Um acento suave, lamentoso, de quem é incapaz de fazer mal a uma mosca, não serve. Quem, estando na miséria, ouve tais lamúrias, sente-se ainda mais miserável. Em nada o anima a cantilena dos que, não sendo seus inimigos, não são certamente seus companheiros de luta. A verdade é guerreira, não combate só a mentira, mas certos homens bem determinados que a propagam.</em></p>
<p align="justify"><em><br />
</em></p>
<p><em>5- HABILIDADE PARA DIFUNDIR A VERDADE</em></p>
<p align="justify"><em>Muitos, orgulhosos de ter a coragem de dizer a verdade, contentes por a terem encontrado, porventura fatigados com o esforço necessário para lhe dar uma forma manejável, aguardam impacientemente que aqueles cujos interesses defendem a tomem em suas mãos e consideram desnecessário o uso de manhas e estratagemas para a difundir. Freqüentemente, é assim que perdem todo o fruto do seu trabalho. Em todos os tempos, foi necessário recorrer a &#8220;truques&#8221; para espalhar a verdade, quando os poderosos se empenhavam em abafá-la e ocultá-la. Confúcio falsificou um velho calendário histórico nacional, apenas lhe alterando algumas palavras. Quando o texto dizia: &#8220;o senhor de Kun condenou à morte o filósofo Wan por ter dito frito e cozido&#8221;, Confúcio substituía &#8220;condenou à morte&#8221; por &#8220;assassinou&#8221;. Quando o texto dizia que o Imperador Fulano tinha sucumbido a um atentado, escrevia &#8220;foi executado&#8221;. Com este processo, Confúcio abriu caminho a uma nova concepção da história.</em></p>
<p align="justify"><em>Na nossa época, aquele que em vez de &#8220;povo&#8221;, diz &#8220;população&#8221;, e em lugar de terra&#8221;, fala de &#8220;latifúndio&#8221;, evita já muitas mentiras, limpando as palavras da sua magia de pacotilha. A palavra &#8220;povo&#8221; exprime uma certa unidade e sugere interesses comuns; a &#8220;população&#8221; de um território tem interesses diferentes e opostos. Da mesma forma, aquele que fala em &#8220;terra&#8221; e evoca a visão pastoral e o perfume dos campos favorece as mentiras dos poderosos, porque não fala do preço do trabalho e das sementes, nem no lucro que vai parar aos bolsos dos ricaços das cidades e não aos dos camponeses que se matam a tornar fértil o &#8220;paraíso&#8221;. &#8220;Latifúndio&#8221; é a expressão justa: torna a aldrabice menos fácil. Nos lugares onde reina a opressão, deve-se escolher, em vez de &#8220;disciplina&#8221;, a palavra &#8220;obediência&#8221;, já que mesmo sem amos e chefes a disciplina é possível, e caracteriza-se portanto por algo de mais nobre que a obediência. Do mesmo modo, &#8220;dignidade humana&#8221; vale mais do que &#8220;honra&#8221;: com a primeira expressão o indivíduo não desaparece tão facilmente do campo visual; por outro lado, conhece-se de ginjeira o gênero de canalha que costuma apresentar-se para defender a honra de um povo, e com que prodigalidade os gordos desonrados distribuem &#8220;honrarias&#8221; pelos famélicos que os engordam.</em></p>
<p align="justify"><em>Ao substituir avaliações inexatas de acontecimentos nacionais por notações exatas, o método de Confúcio ainda hoje é aplicável. Lenin, por exemplo, ameaçado pela polícia do czar, quis descrever a exploração e a opressão da ilha Sakalina pela burguesia russa. Substituiu &#8220;Rússia&#8221; por &#8220;Japão&#8221; e &#8220;Sakalina&#8221; por &#8220;Coréia&#8221;. Os métodos da burguesia japonesa faziam lembrar a todos os leitores os métodos da burguesia russa em Sakalina, mas a brochura não foi proibida, porque o Japão era inimigo da Rússia. Muitas coisas que não podem ser ditas na Alemanha a propósito da Alemanha, podem sê-lo a propósito da Áustria. Há muitas maneiras de enganar um Estado vigilante.</em></p>
<p align="justify"><em>Voltaire combateu a fé da Igreja nos milagres, escrevendo um poema libertino sobre a Donzela de Orleans, no qual são descritos os milagres que sem dúvida foram necessários para Joana d&#8217;Arc permanecer virgem no exército, na Corte e no meio dos frades.</em></p>
<p align="justify"><em>Pela elegância do seu estilo e a descrição de aventuras galantes inspiradas na vida relaxada das classes dirigentes, levou estas a sacrificar uma religião que lhes fornecia os meios de levar essa vida dissoluta. Mais e melhor deu assim às suas obras a possibilidade de atingir por vias ilegais aqueles a quem eram destinadas. Os poderosos que Voltaire contava entre os seus leitores favoreciam ou toleravam a difusão dos livros proibidos, e desse modo sacrificavam a polícia que protegia os seus prazeres. E o grande Lucrécio sublinha expressamente que, para propagar o ateísmo epicurista confiava muito na beleza dos seus versos.</em></p>
<p align="justify"><em>Não há dúvida de que um alto nível literário pode servir de salvo-conduto à expressão de uma idéia. Contudo, muitas vezes desperta suspeitas. Então, pode ser indicado baixá-lo intencionalmente. É o que acontece, por exemplo, quando sob a forma desprezada do romance policial, se introduz à socapa, em lugares discretos, a descrição dos males da sociedade. O grande Shakespeare baixou o seu nível por considerações bem mais fracas, quando tratou com uma voluntária ausência de vigor o discurso com que a mãe de Coriolano tentou travar o filho, que marchava sobre Roma: Shakespeare pretendia que Coriolano desistisse do seu projeto, não por causa de razões sólidas ou de uma emoção profunda, mas por uma certa fraqueza de caráter que o entregava aos seus velhos hábitos. Encontramos igualmente em Shakespeare um modelo de manhas na difusão da verdade: o discurso de Marco Antônio perante o corpo de César, quando repete com insistência que Brutus, assassino de César, é um homem honrado, descrevendo ao mesmo tempo o seu ato, e a descrição do ato provoca mais impressão que a do autor.</em></p>
<p align="justify"><em>Jonathan Swift propôs numa das suas obras o seguinte meio de garantir o bem-estar da Irlanda: meter em salmoura os filhos dos pobres e vendê-los como carniça no talho. Através de minuciosos cálculos, provava que se podem fazer grandes economias quando não se recua diante de nada. Swift armava voluntariamente em imbecil, defendendo uma maneira de pensar abominável e cuja ignomínia saltava aos olhos de todos. O leitor podia-se mostrar mais inteligente, ou pelo menos mais humano que Swift, sobretudo aquele que ainda não tinha pensado nas conseqüências decorrentes de certas concepções.</em></p>
<p align="justify"><em>São consideradas baixas as atividades úteis aos que são mantidos no fundo da escala: a preocupação constante pela satisfação de necessidades; o desdém pelas honrarias com que procuram engodar os que defendem o país onde morrem de fome; a falta de confiança no chefe quando o chefe nos leva a todos à catástrofe; a falta de gosto pelo trabalho quando ele não alimenta o trabalhador; o protesto contra a obrigação de ter um comportamento de idiotas; a indiferença para com a família, quando de nada serve a gente interessar-se por ela. Os esfomeados são acusados de gulodice; os que não têm nada a defender, de covardia; os que duvidam dos seus opressores, de duvidar da sua própria força; os que querem receber a justa paga pelo seu trabalho, de preguiça, etc.</em></p>
<p align="justify"><em>Numa época como a nossa, os governos que conduzem as massas humanas à miséria, têm de evitar que nessa miséria se pense no governo, e por isso estão sempre a falar em fatalidade. Quem procura as causas do mal, vai parar à prisão antes que a sua busca atinja o governo. Mas é sempre possível opormo-nos à conversa fiada sobre a fatalidade: pode-se mostrar, em todas as circunstâncias, que a fatalidade do homem é obra de outros homens. Até na descrição de uma paisagem se pode chegar a um resultado conforme à verdade, quando se incorporam à natureza as coisas criadas pelo homem.</em></p>
<p align="justify"><em><br />
</em></p>
<p><em>RECAPITULAÇÃO</em></p>
<p align="justify"><em>A grande verdade da nossa época (só seu conhecimento em nada nos faz avançar, mas sem ela não se pode alcançar nenhuma outra verdade importante) é que o nosso continente se afunda na barbárie porque nele se mantêm pela violência determinadas relações de propriedade dos meios de produção. De que serve escrever frases corajosas mostrando que é bárbaro o estado de coisas em que nos afundamos (o que é verdade), se a razão de termos caído nesse estado não se descortina com clareza? É nossa obrigação dizer que, se se tortura, é para manter as relações de propriedade. Claro que ao dizermos isso perdemos muitos amigos; aqueles que são contra a tortura porque julgam ser possível manter sem ela as relações de propriedade (o que é falso).</em></p>
<p align="justify"><em>Devemos dizer a verdade sobre as condições bárbaras que reinam no nosso país a fim de tornar possível a ação que as fará desaparecer, isto é, que transformará as relações de propriedade.</em></p>
<p align="justify"><em>Devemos dizê-la aos que mais sofrem com as relações de propriedade e estão mais interessados na sua transformação, ou seja: aos operários e aos que podemos levar a aliarem-se com eles, por não serem proprietários dos meios de produção, embora associados aos lucros e benefícios da exploração de quem produz. E, é claro, devemos proceder com astúcia.</em></p>
<p align="justify"><em>Devemos resolver em conjunto, e ao mesmo tempo, estas cinco dificuldades, já que não podemos procurar a verdade sobre condições bárbaras sem pensar nos que sofrem essas condições e estão dispostos a utilizar esse conhecimento. Além disso, temos de pensar em apresentar-lhes a verdade sob uma forma susceptível de se transformar numa arma nas suas mãos, e simultaneamente com a astúcia suficiente para que a operação não seja descoberta e impedida pelo inimigo.</em></p>
<p align="justify"><em>São estas as virtudes exigidas ao escritor empenhado em dizer a verdade.&#8221;</em></p>
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		<title>Construção</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jul 2009 12:30:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes Plásticas]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Fernanda Fiamoncini Pendurou-se. Havia trabalho a fazer. Corajoso como poucos. Morreu na contramão, disse no ouvido transeunte.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por Fernanda Fiamoncini</p>
<p>
<img border="0" align="center" src="http://www.novasvisoes.com.br/images/Fernanda_construcao.jpg" /></p>
<p align="justify">Pendurou-se. Havia trabalho a fazer. Corajoso como poucos. Morreu na contramão, disse no ouvido transeunte.</p>
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		<title>Êxodo</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 03:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes Plásticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Em memória, minhas raízes, algumas cicatrizes e um pouco de História. (eu, tentando escová-la a contra-pelo&#8230;) Fernanda Fiamoncini]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://arlequinal.novasvisoes.com.br/wp-content/uploads/2009/07/DSCF08441.JPG" alt="DSCF08441" title="DSCF08441" width="550" height="551" class="alignnone size-full wp-image-354" /></p>
<p>Em memória, minhas raízes, algumas cicatrizes e um pouco de História.<br />
(eu, tentando escová-la a contra-pelo&#8230;)</p>
<p>Fernanda Fiamoncini</p>
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		<title>Ode ao Pós-Moderno</title>
		<link>http://arlequinal.com.br/2009/06/23/ode-ao-pos-moderno/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Jun 2009 02:27:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artes Plásticas]]></category>

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		<description><![CDATA[Será que choca mesmo?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-283" title="DSCF10231" src="http://arlequinal.novasvisoes.com.br/wp-content/uploads/2009/06/DSCF10231.JPG" alt="DSCF10231" width="550" height="367" /></p>
<p>Será que choca mesmo?</p>
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		<title>Chapéu de Palha</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 03:40:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Fiamoncini</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Havia percorrido quase trezentos quilômetros desde o moderno monumento que anunciava sua partida até o antigo portão baixinho com detalhes em forma de coração, de um azul claro já desbotado e enferrujado. Bateu três palmas e como de costume, entrou sem precisar que o abrissem. Sentiu o mesmo cheiro de pão ao forno e paredes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Havia percorrido quase trezentos quilômetros desde o moderno monumento que anunciava sua partida até o antigo portão baixinho com detalhes em forma de coração, de um azul claro já desbotado e enferrujado. Bateu três palmas e como de costume, entrou sem precisar que o abrissem. Sentiu o mesmo cheiro de pão ao forno e paredes velhas que sempre sentia. Chegou cedo e os raios de sol ainda eram oblíquos e mornos. Tão logo cumprimentou aqueles que há muito não via, com certo pesar e talvez com certa satisfação, e conversaram junto à mesa posta. </p>
<p align="justify">Enquanto conversavam, mergulhava naquelas portas e paredes dentro de sua memória. Nada parecia ter mudado em dez anos. Lá estava a mesma mesa em madeira com adornos em sua volta, o piso avermelhado, o mesmo teto alto e sem forro. Algum aparelho aqui ou ali mostrava que o tempo não havia parado por completo, mas o sentimento de tudo aquilo ainda era o mesmo.</p>
<p align="justify">E foi levada até o quarto onde muitas vezes havia dormido. Estava exausta por conta da longa viagem. Fechou a porta, deixou as malas ao pé da cama e deitou-se sobre a colcha laranja feita em lã. No canto, junto à porta, uma imagem de Nossa Senhora prendia por instantes seus pensamentos até perceber o que havia sobre o armário. Levantou-se e ficou sobre a ponta dos pés, esticou o máximo que seu braço pôde.</p>
<p align="justify">Repousou a relíquia sobre a cômoda e sentou-se frente a ela, observando e atravessando-a em pensamentos perdidos sobre manhãs nas quais o sol refletia o vermelho da terra na parede alaranjada. Sobre o banco de madeira pintado de azul ele ficava sentado com suas calças batidas, nem por isso desalinhadas, fumando seu cigarro de palha, cujo aroma percorria toda a casa, revelando sua presença. Lembrou-se de como ele cuidava do grande pé de pocã e de mexerica com mãos já calejadas e marcadas do tempo; e como cantava com uma voz já rouca sobre pintassilgos, sertanejos e causos.</p>
<p align="justify">Não falava muito. Seu cabelo era ralo e liso, com um tom grisalho quase branco, tal qual seu bigode. Haviam muitas linhas, não sabia se era de alegria ou tristeza, mas era de uma vida vivida. Ela sempre recordava as pipocas e passeios pelo jardim junto à Igreja Matriz aos fins de tarde, acompanhados pelo truco, familiares e amigos, o que já era passado há muito, mas permanecia em sua mente. Também recordava a mulher que jazia nela, que tinha olhos fundos desde criança, cabelos negros ondulados e uma pele branca que vinha acompanhada de um sorriso gentil e agradável. Era a cara dela, Mesmo não a tendo conhecido, sabia. E ele também.</p>
<p align="justify">Escapou-lhe muitas lembranças num só relance, e se enchia de algo que nunca havia sentido em todos esses anos, e ainda olhava além.</p>
<p align="justify">Nos últimos anos, lágrimas caiam de seus olhos acinzentados sobre seu rosto marcado. Toda vez que se encontravam, e também quando se despediam. Mas ela não chorava, apenas sentia o pesar dos anos que lhe caíam sobre os ombros, e sabia que não o carregaria durante muito mais tempo. Ele também cantava mais e talvez ficasse mais triste com certa facilidade, mas ela mantinha as mesmas alegres lembranças em sua mente. E segurava com força sua mão até o dia que viesse encontrá-lo pela última vez.</p>
<p align="justify">Bateram na porta de seu quarto e voltou ao presente. Levantou-se sem desviar o olhar dele. Olhou pela janela para o pé de pocã e para as roseiras em flor brilhando sob o sol do meio dia. Suspirou, fitou-o novamente. Então devolveu ao seu lugar as lembranças retiradas daquele chapéu de palha esquecido sobre o velho armário.</p>
<p>[ Fernanda Fiamoncini ]</p>
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