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	<title>Arlequinal &#187; André Moncaio</title>
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	<description>Cultural e Coletivo</description>
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		<title>Clarisse para observar os girassóis nascerem &#8211; Da série “Girassóis sorriem dentro dela”</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 13:38:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Moncaio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[por André Moncaio Os guindastes de Maria. Bichos de sonhos. Estimados. “Queria ser um passarinho” Semeou. As melhores sementes aqueles girassóis. Escolhidas. Semeou no tempo certo. Aguardou a época propícia. A temperatura. O dia. A hora. Antes de deixar cair as últimas sementes, parou. Respirou. Olhou para as montanhas ao sul. Pensou nos vales. Rios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><!--[if gte mso 9]&gt;  Normal 0 21       MicrosoftInternetExplorer4  &lt;![endif]--> <strong><span style="font-family: Verdana;">por André Moncaio</span></strong></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;">Os guindastes de Maria.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;">Bichos de sonhos.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;">Estimados.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;">“Queria ser um passarinho”</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;">Semeou. As melhores sementes aqueles girassóis. Escolhidas. Semeou no tempo certo. Aguardou a época propícia. A temperatura. O dia. A hora. Antes de deixar cair as últimas sementes, parou. Respirou. Olhou para as montanhas ao sul. Pensou nos vales. Rios correntes. Imaginou memórias. Pensou. Pra onde ir. Por onde expressar suas simples impressões sem que a vida virasse câncer. O amor. Não havia trigo. Não havia ponte. Não havia orelha. Ouviu. O amor era um <em>all star</em> roxo. O tempo não estava em suas mãos. E o sol já despontava no horizonte. Olhou para as sementes em sua mão direita e deixou-as cair em câmera lenta. Puxou a terra. Molhou. Juntou os apetrechos e caminhou até a sombra da jabuticabeira. Sentou. Bebeu um gole da água fresca e abriu seu livro. Clarisse para esperar os girassóis nascerem.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;">Eu gosto de dia assim: branco. A chuva tá vindo. Entra, você vai se molhar. E ela via o amor nascendo e crescendo. Ali na sua cozinha. Imaginava como isso poderia ser. Vovó não via a gente. Tava cegueta de tudo. Chamava pertinho na hora de despedir. Enxergava só com o canto do olho esquerdo. Como você ta bonita! E ria. Adorava aquela risada. Não via nadinha com os olhos. Mas nos amava tanto. E um abraço gostoso de sentir. Era a parte boa de ir pra casa. Sair daquele lugar tão afetuoso. Casa de varanda. Terra de chão. Sabia tanto de tudo. E tudo de tão pouco. Sabia o cheiro das coisas. O tempo das folhas. E sentia nas mãos de linhas que podia costurar o mundo. Inventar milhares. Que as sementes floresceriam a cada dia. Que viver era aguar os sulcos. Alinhar os sonhos. Aliviar os pesos. Divergir as dores. Espantar as bruxas. Sabia tudo quando podia sentir seu corpo abraçado. Sabia vibrar com todo ele. Emanar. De olhos arregalados. De peito aberto. Enfaticamente lúcido. Que era respirar os cheiros de seu amor. E que era ainda poetar para o vento. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;">O branco fica mais branco perto do preto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;">O preto fica mais preto perto do branco</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;">O alto fica mais alto perto do baixo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;">O baixo fica mais baixo perto do alto.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;">São estes contrastes que conduzem silenciosamente a vida. As vidas. Há tantas ávidas almas. Pessoinhas. Pessoonas. Pessoazinhas. Pessoazonas. Soam como erros. Soam como sinos. Soam como o amor. Imperfeito. Incompleto. Impróprio. Para que erremos mais. Eram suas palavras naquele livro. Ela quem havia escrito. Imprimido. Levado na editora. Negociado. Publicado. E não reconhecia o formato das letras. Encostou a cabeça na parede. Balançou para os lados. Fechou os olhos cegada pela forte luz da janela. Ficou aquela luzinha no escuro, sabe? E a senhora sentiu mais o quê? Mal-estar, tontura? Mais nada. Quer dizer senti uma fraqueza nas pernas. Uma fome esquisita. Tá, muito bem, pode levantar e se vestir. Abriu os olhos de uma vez. Viu no teto o branco do teto. Porque nunca havia pintado de outra cor? Um salmão. Verde. Azul. Fúcsia. Aurora boreal. O livro estava caído no chão de tacos. Entreaberto. Abriu na página 77. Começou de novo. Releu o título. Pegou o lápis e anotou ao lado puxando uma flecha: “Eu prefiro o mar”. Um pedaço de coisa. Um copo de água de filtro de barro.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-family: Verdana;"> </span></p>
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		<title>Para não ser apenas uma mina de ouro</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 14:50:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Moncaio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>

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		<description><![CDATA[Perplexo. Amplexo Complexo. Luanda me encontrou andando, pegou meu bonde e sentou na janelinha. Para onde olhar. Luanda é inevitavelmente um lugar inusitado. Não apenas por estar na África, continente distante, terra-mãe, continente exótico, místico, original. Inusitado por sua complexa mistura pouco dissolvida da cultura tradicional com a sempre presente cultura portuguesa, que introjetada na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://arlequinal.novasvisoes.com.br/wp-content/uploads/2009/05/angola-003_paisagem-01-72dpi.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-167" title="angola-003_paisagem-01-72dpi" src="http://arlequinal.novasvisoes.com.br/wp-content/uploads/2009/05/angola-003_paisagem-01-72dpi.jpg" alt="angola-003_paisagem-01-72dpi" width="557" height="373" /></a></p>
<p>Perplexo. Amplexo Complexo. Luanda me encontrou andando, pegou meu bonde e sentou na janelinha. Para onde olhar. Luanda é inevitavelmente um lugar inusitado. Não apenas por estar na África, continente distante, terra-mãe, continente exótico, místico, original. Inusitado por sua complexa mistura pouco dissolvida da cultura tradicional com a sempre presente cultura portuguesa, que introjetada na sociedade angolana construiu o país à sua moda, e os gringos que vêm ganhar seus milhões de dólares, ficando no país por dias, semanas, ou uns três meses.</p>
<p>Angola, e mais explicitamente Luanda, ainda está sendo construída, re-construída. E além dos guindastes, dos edifícios em construção, das roupas penduradas pelas janelas, as ruínas da guerra civil e as zungueiras vendendo mandioca, banana, cana, doces, e que fizeram fluir os mercados. Mulheres guerreiras e suas crianças, nos panos, nas costas, canguruzando pelas ruas. Para não ser apenas uma mina de ouro, petróleo e diamantes. Não reproduzir os dizeres, as imagens, os costumes. Deixar de querer ser o outro.</p>
<p>Após libertar-se do domínio português &#8211; foram 400 anos de colônia, de 1575 a 1975 &#8211; Angola esteve em guerra civil por 27 anos, de 1975 a 2002. Os três principais grupos que lutaram pela independência de Angola entraram em conflito pelo controle do país: a MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), partido ligado à ex-União Soviética e à Cuba, a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), ligada aos Estados Unidos e a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), apoiada pelos Estados Unidos, o regime apartheid da África do Sul e outros países africanos.</p>
<p>Se o Brasil &#8220;libertou-se&#8221; do domínio político luso há 187 anos, expulsando aqueles brasileiros de volta à Lisboa, agora é referência para a música, as novelas, as roupas, o comportamento, os cabelos alisados das angolanas.<span> Eu, novo brasileiro</span>,<span> busco aqui saber</span><span> de onde vim</span><span style="font-weight: bold;">. </span><span>E de onde vem essa força toda de um povo que se sustenta com funge e vontade.</span><span style="font-weight: bold;"><br />
</span></p>
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