Raiva nos Raios de Sol, Fernando Mantelli – Uma Resenha

Monday, December 7th, 2009

Por Fernando Torres

Escrevo sem o livro nas mãos. Talvez seja um erro.

Mas preciso responder a uma resenha que li escrita pelo Tibor. Preciso escrever por que discordo dela e creio que o livro merece uma “segunda opinião” imediata.

Eu entendo e respeito a opinião emitida em tal resenha, mas existem alguns pontos que devem ser ressaltados e problematizados para gerar uma discussão.

“Raiva nos Raios de Sol” (Não editora) é um livro violento. Próximo ao grotesco. Desde o romantismo o grotesco na arte tem por objetivo nos humanizar a partir de um instrumento dialético descrito por Hegel em sua obra estética. Recomendo fortemente a leitura da obra de Hegel acerca da Estética, bem como do ensaio “Do Grotesco e do Sublime” de Vitor Hugo.

O Livro de Matelli me remeteu à um de meus livros favoritos: “A Boca do Inferno” de Otto Lara Resende. Um livro de sete contos marcados pela violência dentro do universo infantil. Assim como a atração do abismo nos dá a dimensão da vida, tais livros nos mostra quanto temos de humano. A Violência nos pertence, nos identificamos no sadismo e no sofrimento de seus personagens.

Assim, posso afirmar que somos atraidos pelo grotesco de Matelli como somos atraidos pelo abismo. Em busca da dimensão do sublime nos humanizamos, pois todas aquelas histórias nos pertencem, talvez em nossos desejos mais íntimos ou traumas mais profundos, mas sim, pertencem. Nos tornamos mais humanos pois as histórias não são apenas nossas, são do autor e de todos outros leitores.

O autor tem pleno domínio das palavras, e isso fica claro conto à conto. A vontade é de voltar ao livro, como o criminoso que volta à cena do crime, ou mesmo repetir a trasgressão em busca da euforia que causa. Minha crítica (e apenas essa) é que o livro apesar de curto, poderia ser mais curto, pois ao final estamos anestesiados.

Raiva nos raios de sol (Fernando Mantelli)
Não Editora
* Páginas: 96
* ISBN: 9788561249076
* Preço: R$ 25,00

5 Responses to “Raiva nos Raios de Sol, Fernando Mantelli – Uma Resenha”

  1. Bem, sei que já virou clichê, mas sabe o que dizem sobre olhar para o abismo… rs.

    Fer, a sua culltura em crítica literária é invejável e a sua resenha gera interesse, mas falha precisamente em resenhar o livro, pois dele só diz que é violento, sem nada mencionar quanto à trama, personagens etc. Está mais pra uma análise da função do grotesco na literatura. Ou para uma propaganda do blog do Tibor, pois agora eu vou ter que passar lá para saber sobre que é o livro. ;-)

    Beijão!

  2. Camila, o clichê não mais nada que uma metáfora desgastada pelo uso. Porém quando falamos de arte romântica, tal clichê é a metáfora correta. Por sinal a grande maioria das metáforas do romantismo se tornou formulas, e então clichês. Ainda, não podemos esquecer que só se desgasta pelo uso aquilo que funciona.

    Por outro lado, minha pequena resenha não tinha por objetivo contar detalhes específicos do livro, como sublinhei, não o tinha à mão, mas fazer uma reflexão sobre o ponto específico do tema central de cada um de seus contos, a violência. No próprio post indico a leitura da resenha do Tibor, pois a minha é complementar. Não é “propaganda”que faço, não me presto a isso, é reflexão, movimento mais do que necessário na literatura.

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  4. [...] A virgem que não conhecia Picasso, de Rodrigo Rosp, Raiva nos Raios de Sol, de Fernando Mantelli (Leia minha resenha aqui), Uma leve simetria, de Rafael Bán Jackobsen (leia minha resenha aqui) e O Professor de [...]

  5. Eu não veria nada de errado em fazer a propaganda, mas já que você “não se presta” a isso… rs! Acho essa expressão divertidíssima, para mim sempre foi sinal de indignação. No mais, é simples, todo clichê já foi novidade um dia. ;-)

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