Prazer em ler

Wednesday, May 13th, 2009

Ontem o escritor e blogueiro Sérgio Rodrigues, em seu espaço Todoprosa escreveu um post chamado “desprazer de ler” (para acessar clique aqui). do qual destaco o seguinte trecho:

Como pai determinado a deixar de herança para os meus filhos no mínimo uma parcela da paixão pelos livros que toma boa parte da minha vida, vou me dar por satisfeito se a escola, caso seja incapaz de contribuir, tentar pelo menos não atrapalhar.”

Todos nós tivemos um livro, que embora seu reconhecido valor, não nos desce pela garganta. Geralmente por falta de habilidade, ou timing, do esforçado professor de literatura.

É engraçado, que embora eu tenha gostado do livro, ao reler “A metamorfose” de Kafka onze anos depois da primeira leitura (lí a primeira vez aos 14 a pedido da escola) reparei como a minha leitura anterior foi imatura. Tentando lembrar de um livro que não consigo passar da primeira página até hoje, lembro de “A Ilustre Casa de Ramires” de Eça de Queiroz, que foi obrigado aler para o vestibular. Até hoje olho para aquele livro na estante me desafiando, me lembrando que não consegui chegar ao fim dele.

Desafio os colaboradores do site a usar o espaço para contar dos livros que leram (ou não) durante os anos de ensino fundamental ou médio.

12 Responses to “Prazer em ler”

  1. Fernando

    Gostei muito de seu blog.Muito bom,tem conteúdo de bom gosto. ameiii

    Nossos temas sobre livros nos uniu . vou linkar você,ou melhor ,o blog.

    beijo

  2. Fernando,

    Quero relatar um fato negativo que presenciei há uns dois anos. A escola de meu primo, que tinha (ele) 14 anos, pediu a todos que lessem “Sagarana”, do Guimarães Rosa. Colocar um jovem logo cedo em contato com o vocabulário roseano dessa forma é crime! Concordo com o Sérgio Rodrigues, melhor não atrapalhar.

    Abraço,
    w.m.carvalho

  3. Não me queimem, mas eu acho que ninguém deveria ser Sagarana para o vestibular (eu ia falar que ninguém deveria mais ler Sagarana, mas quero continuar vivo). As listinhas de exigências do vestibular viraram guia para os programas das escolas. A aula de literatura que devia ser um bem-vindo ao mundo dos livros virou um total bem-vindo ao mundo dos mortos. História da Literatura. O pior é querer ensinar em um contexto literário e não no contexto histórico do país. José de Alencar defendendo a escravatura, metendo o malho em D. Pedro II por querer essa imoralidade da abolição? Isso ninguém me contou. Sou ainda mais radical. Aula de literatura tinha que ser contemporânea. Os clássicos, um módulo só, cada grupo pegava uma época e apresentava para os demais. O resto, sangue novo, gente com maior probabilidade de se aproximar da garotada. Geração 80, 90, 00, 10. A cada x anos uma nova leva, uma renovação desse quadro. Abss! Feliz dos que tiveram Julio Verne como clássico.

  4. Wellington: Recentemente enfrentei “Os Lusiadas” e uma pergunta não saiu da minha cabeça: como querem que adolescente cheios de hormônios leiam aquilo?

    Como alguem em sã consciência quer que uma adolescente leia “Grande Sertão: Veredas” que tem uma boa centena de páginas escrita na estrutura da lingua hungara?

    Eu li muita coisa boa e ruim, compradas com minha mesa em sebos, que mantiveram meu prazer pela literatura. Aliás, por que não dar a oportunidade dos alunos escolherem suas leituras? Que trapalhada, não?

    Eric: vou tem emprestar o livro “por que ler os clássicos” de Italo Calvino.Aliás, José de Alencar era racista? todos eram naquele tempo, até os abolicionistas! Por ser um idiota político, a obra adulta de Monteiro Lobato foi destinada às traças por muitos anos. “Cidades Mortas” é o mais importante livro que ninguem leu na literatura brasileira. Eu discordo sobre o ensino de literatura “atual” como matéria, mas acho que existem tantos autores tão mais interessantes para um adolescente….
    ]

  5. Fernando,

    Boa idéia essa de os alunos escolherem os livros. Mas mesmo assim os professores têm de orientar. Alguém, o MEC sei lá, uma comissão de professores de literatura e pedagogia, deveria publicar um listão de livros sugeridos por idade. Os alunos, assim, poderiam escolher dentro desta lista.

    Abraço,
    w.m.carvalho

  6. Você ia gostar de uma reportagem que li ontem na Folha de S. Paulo, curiosamente. Discordo de ambos. O tema era ‘Por que perdemos tempo lendo a literatura contemporânea ao invés dos clássicos’. Dizia que o leitor médio pensa em ler clássicos só quando velho. Li numa geral aos 20 e poucos, muitos fraquíssimos, sem nenhuma vida fora dos currículos. Saber a diferença entre romantismo e realismo não ajuda em nada na formação de um leitor ou no entendimento do real valor da literatura. Pelo menos à minha bagagem cultural pouco acrescentou. Se os clássicos parassem de se alimentar das aulas de colégio queria saber quais deles sobreviveriam de verdade e, aí sim, poderíamos chamar de clássicos. Machado de Assis não vale. Sobre o abolicionismo, fossem todos ou não, o fato é que não há contextualização histórica e nenhuma arte existe em si mesma, o que esvazia por completo uma aula que deveria dar conteúdo e não aborrecimento.
    E não, não acho que ler Tostói deixe alguém mais inteligente. Abss!

    ps. aproveitando o Calvino, que bom que ele tinha tempo para releituras. Mas o dia que eu ler Shikibu, me entrega pro SETI pq fui abduzido ;-)

  7. Eric,

    O problema todo é em saber o que são os clássicos. Eu considero, sem nomear, que muitos “clássicos” da literatura brasileira estão listados assim para “encher linguiça”. Ou seja, na falta de uma fortuna literária nós criamos um simulacro.

    A literatura Brasileira precisa ser revisitada. Autores da segunda metade do século XX merecem valorização.

    O ideal é lermos tanto aquilo ques está sendo escrito, quanto aquilo que foi consagrado. Um amigo meu, diante de minha paixão e reverência pelos clássicos, me criticou e me perguntou quias livros de autores vivos eu li nos ultimos dois anos: listei um bocado de livros que nas minhas contas foram um bom terço de tudo que lí.

    Eu acho que devemos ler o que nos agrada, independente de seu tempo, e isso é importante ensinar aos puberes: escolher um livro, sem deixar de lado o entendimento dele daquilo que o influenciou.

    Caro Eric, nosso querido Pirandello já está datando uma centena de anos de suas obras iniciais. Mas tivemos o prazer em descobri-lo fora dos currículos escolares.

  8. Caros amigos,

    essa é uma discussão infinita e, por isso mesmo, saborosa. Não devemos nos furtar a ela. Ao contrário, precisamos expor nossos pontos de vista e, mais importante que tudo, nossas experiências.

    Aplaudo o Fernando por ter “levantado essa bola”, para usar uma metáfora futebolística cara a nosso presidente, que, como é sabido, não é um leitor dos mais apaixonados.

    Acredito que, primeiramente, devemos parar de instar as crianças e os jovens a ler, pois isso, a meu ver, só os afasta mais dos livros. Se os pais querem que seus filhos se tornem bons leitores, devem eles próprios se certificar de que lêem apaixonada e freqüentemente não apenas livros, mas também jornais, revistas, informes publicitários, bulas de remédio, placas, outdoors, cardápios etc. E, diferentemente do que muitos apregoam, não acho que os livros devam ser deixados à vista das crianças em casa; melhor é alocá-los em locais mais esconsos, seja numa estante grande num cômodo estanque, num armário, em gavetas e escaninhos, e outros lugares correlatos.

    Quanto à formação acadêmica, acredito que um professor desmotivado e que não manifeste sua paixão pelos livros, desde os clássicos até os contemporâneos, jamais conseguirá cativar seus alunos. Eu, por exemplo, tive dois ou três professores que eram leitores de fato; a maioria era apática e parecia lecionar somente por obrigação. Por paradoxal que pareça, o professor que mais me motivou a ler era graduado em física e ministrava Ciências à minha turma no último ano do ensino fundamental. Seu entusiasmo pelas matérias que ensinava e pelos mistérios da vida de um modo geral me inspirou a ser mais curioso, a buscar o porquê da coisas; a deleitar o que os homens produzem de melhor e o que a natureza tem a nos oferecer de mais fascinante.

    Bem, já me estendi demasiado. Outra hora falo sobre minhas primeiras (e inesquecíveis) leituras.

    Abraço.

  9. Sendo curta e objetiva… Acho que falta método Paulo Freire no ensino de literatura (bem como todas as outras matérias). Ai ai, essa dialética que faz falta!

    Um livro que me apaixonei na adolescência, por motivos bem dialéticos, foi Morte e Vida Severina. Acho que para qquer pessoa cujos parentes viveram o êxodo toda essa realidade, fica muito mais fácil de entender a historia.

    É basicamente isso, se vc manda qualquer pessoa ler algo que não pareça ter conexão alguma com sua realidade, fica difícil mesmo. Não adianta falar de Indianismo sem falar do massacre que foi a colonização portuguesa. Ler Revolução dos Bichos sem saber o que foi a Revolução Russa, ler Conversa na Sicília sem saber o que foi o Facismo.

    Creio que tudo isso tem um porquê a ser esclarecido =)

  10. Primeiramente, obrigado pela visita. Na minha infancia/adolescência até que tive incentivos da escola (incentivo ou empurrão). Mas há obras que custei a tomar gosto, por causa da obrigação. Camões foi a primeira vítima. Drummond, que é meu conterrâneo, não era indicado na escola ( o pessoal da cidade tinha uma certa reserva com ele por ter saido da cidade e nunca mais voltado. Aquela da fotografia na parede deixou mágoas. Puro provincianismo. Mas, como pode? Machado de Assis, como já disse e Sagarana de Guimarães Rosa, até hoje leio com vagar, menos para entender e mais para deliciar. Entre os que foram paixão à primeira leitura, há Fernendo Sabino, José Lins do Rego, Cecília Meireles… Ao mesmo tempo, considero que não teve o mesmo efeito para a maioria. Meus colegas daquela época, posso destacar uns dois que adquiriram o hábito de ler. Muito bom seu blog. Voltarei sempre. Paz e bem.

  11. Achei Dom Casmurro o livro mais besta que já havia lido em minha vida. Tinha 14 anos, estava na 7a. série. Lia muito, estava na fase Julio Verne…
    Que diabos um bando de adolescentes mal saídos da infância poderia captar das sutilezas machadianas, daquele mundo tão adulto de insinuações e entrelinhas?
    A classe toda odiou, com exceção de uma ou duas meninas. Provavelmente mais maduras que o resto, capitus em formação.
    Infelizmente, o problema da leitura é geral, nessa era televisiva e internáutica. Quem assiste Entre Os Muros da Escola, Palma de Ouro em Cannes 2008 (recomendo!), percebe a universalidade do tema.

  12. Meu caro, obrigado pela visita. Esse seu blog é bom demais. Já está entre os meus favoritos. Serei figurinha constante aqui. Abraços, paz e bem.

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