A literatura e a vida
Saturday, May 2nd, 2009Há alguns dias o jornalista e escritor Sérgio Rodrigues levantou uma questão interessante num post em seu blog: é imprescindível a um escritor uma grande bagagem de vivências para construir sua obra? Ou qualquer pessoa – por menos vicissitudes que tenha amealhado ao longo da vida – pode escrever um bom livro?
Ocorre que, na história da literatura mundial, encontram-se exemplos de gênios das duas categorias, isto é, dos que “viveram intensamente”, e dos que curtiram uma existência mais tranqüila. E se é verdade que alguns dos melhores romances de escritores como Joseph Conrad e Ernest Hemingway não existiriam se seus autores não tivessem vivido experiências reais em que se basear, também é verdade que Borges não teria escrito seus contos e relatos se não possuísse uma imaginação e erudição grandiosas.
Dispor de uma vasta e rica trajetória de vida e/ou de uma imaginação prodigiosa, no entanto, de nada adianta se o sujeito não possuir o mínimo de talento e cultura literária. A experiência, por mais eloqüente que ela seja, só adquire densidade artística se for traduzida em linguagem. E como Sérgio Rodrigues bem ressaltou em seu texto, para o verdadeiro escritor qualquer vivência pode servir de matéria-prima para uma criação original. Tanto um “pé na bunda” quanto uma epifania podem se converter em boa literatura nas mãos de um autor competente.
P.s – com este mini-artigo sobre um assunto inesgotável, inicio minha participação neste espaço. Que aqui possam ter lugar boas discussões e trocas de experiência sobre vida e arte. Grande abraço a todos.

Bruno, ontem mesmo estava conversando com uma amigo, binho Santos, que aparecerá eventualmente como colaborador deste espaço, como escritores iniciantes (tanto de prosa quanto de poesia), nos tempos de hoje, sofrem de uma falta de vivência, tanto de vida quanto literária.
É importante, na minha opinião, que nenhum escritor se exima de ler, indefinidamente, da bula de remédio aos clássicos.
Não há dúvida, Fernando: todo legítimo escritor é, antes de tudo, um leitor apaixonado (inveterado) e irrequieto.
Mal comparando, um escritor que não lê, ou que só o faz esporadicamente, é o mesmo que um nadador que não nada ou um jogador de futebol que nunca toca numa bola.
Agora, quanto à experiência de vida, acredito que levantar da cama pela manhã pode ser uma aventura e tanto. Só depende do talento e da angústia (ou da inquietude) acumulada e trabalhada pelo indivíduo.
Abraço!